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Opinião

Europa no mata-mata da Copa 2026: França voa, gigantes caem

França goleia e a Holanda encanta, mas Alemanha, Inglaterra e Bélgica chegam ao mata-mata da Copa 2026 tropeçando feio. A Sexta Europeia mostra um velho continente rachado em dois: o que ainda joga bonito e o que agoniza diante de adversários que deveria atropelar.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
5 min de leitura
Europa no mata-mata da Copa 2026: França voa, gigantes caem
Ilustração — torcedores europeus em estádio da Copa 2026 enquanto o velho continente chega rachado ao mata-mata

Toda sexta esta coluna atravessa o Atlântico para medir a temperatura do velho continente, e a leitura desta semana é a de um termômetro partido ao meio. A Europa no mata-mata da Copa 2026 vai chegar dividida em duas: a Europa que encanta e goleia como nos velhos tempos, e a Europa que tropeça, patina e agoniza diante de adversários que, no papel, deveria atropelar. Com a fase de grupos se encerrando neste fim de semana, o retrato europeu — que os números oficiais da FIFA já quase revelam — tem dois rostos bem diferentes.

A Europa que encanta: França e Holanda jogam bonito

Comecemos pela boa notícia, que vem de dois endereços conhecidos. A França de Mbappé e Deschamps fez o que se espera de um candidato ao título: 3 a 1 no Senegal, 3 a 0 no Iraque, vaga carimbada com rodada de antecedência e o ataque funcionando como relógio suíço. Seis gols marcados, um sofrido — números de quem não veio à América passear. Os Bleus ainda decidem a liderança do Grupo I contra a Noruega nesta sexta, mas o recado já está entregue: estão inteiros.

E há a Holanda, talvez a surpresa mais saborosa do continente. O time de Koeman empatou por 2 a 2 com o Japão na estreia, mas desde então virou um trator: 5 a 1 na Suécia e 3 a 1 na Tunísia, dez gols em três jogos, o ataque mais inspirado de toda a Europa até aqui. Laranja Mecânica não é apelido que se empresta de graça, e esta versão tem flertado com a alcunha. Some-se a Espanha, atual campeã europeia, que tropeçou no 0 a 0 com Cabo Verde mas devolveu 4 a 0 na Arábia Saudita, e o Portugal que despachou o Uzbequistão por 5 a 0 na esteira da última dança de Cristiano Ronaldo. Quando a Europa quer, ela ainda dança bonito.

A Europa que tropeça: Alemanha cai, Inglaterra patina, Bélgica agoniza

Agora a parte que dói. A Alemanha abriu o Mundial atropelando Curaçao por 7 a 1 e parecia pronta para a redenção do tetra — até levar 2 a 1 do Equador na rodada final e terminar em segundo no grupo, com a sensação amarga de quem se classificou de salto trocado. A goleada inaugural virou miragem assim que apareceu um adversário de verdade.

A Inglaterra de Thomas Tuchel repetiu o roteiro de sempre: golear quando ninguém cobra (4 a 2 na Croácia) e travar quando o jogo aperta (0 a 0 com Gana). Sessenta anos de jejum não se rompem com futebol de marcha lenta, e o empate sem gols contra os ganeses soou menos como acaso e mais como advertência.

Mas o caso mais grave atende por Bélgica. A geração que um dia foi chamada de dourada virou cobre: 1 a 1 com o Egito, 0 a 0 com o Irã, dois pontos em dois jogos e a humilhação de depender de uma vitória sobre a Nova Zelândia na última rodada para não dar adeus precocemente. De De Bruyne e companhia esperava-se protagonismo; entregou-se sufoco. E nem cito a Itália, que sequer está aqui — para a tetracampeã, a Copa já virou assunto de televisão.

A Europa no mata-mata da Copa 2026 ainda mete medo

Faço a ressalva que a honestidade exige. Subestimar a Europa no mata-mata da Copa 2026 é esporte para incautos. O velho continente tem o péssimo hábito de jogar mal na fase de grupos e acordar quando o torneio vira eliminatório — foi assim com a Itália de 1982, com a França de 2006, com tantas seleções que ligaram a chave no momento exato. Elenco caro, banco profundo e memória de mata-mata não se medem em três jogos de junho. A Alemanha que tropeçou no Equador é a mesma que tem quatro estrelas no peito. A Inglaterra travada é a mesma que carrega o elenco mais valioso do torneio. No tira-teima, currículo pesa.

Há duas semanas, aliás, esta coluna avisou que o calor e a maldição das Américas cobrariam pedágio dos europeus — e a fase de grupos, com seus tropeços, deu alguma razão ao alerta. Mas favoritismo ferido não é favoritismo morto. Nas contas dos favoritos ao título, França e Espanha seguem no pelotão de frente, e o novo formato de 48 seleções deu aos gigantes uma rodada extra de gordura para se ajeitar antes do osso duro.

O veredito da Sexta Europeia

Vou cravar, como manda a casa. A Europa chega ao mata-mata da Copa 2026 mais forte na frente e mais frágil atrás do que gostaria de admitir. França e Holanda jogam o futebol que a torcida europeia sonha exportar; Alemanha, Inglaterra e Bélgica jogam o futebol que a faz acordar suando frio. E talvez seja exatamente isso o que torna esta Copa diferente: a Europa deixou de ser bloco e virou loteria. Não existe mais um pelotão europeu uniforme rumo à taça — existem dois ou três times de verdade e um punhado de gigantes em dúvida sobre o próprio tamanho.

O continente que inventou o catenaccio e o tiki-taka ainda manda no futebol mundial. Mas mandar não é o mesmo que reinar sem ser contestado. E se a França não confirmar o favoritismo ou a Holanda não sustentar o encanto, 2026 pode escrever mais um capítulo daquela velha história que a Europa finge esquecer: nas Américas, o favorito europeu costuma voltar para casa antes da festa. Fica o recado da Sexta Europeia — encantar na fase de grupos é fácil. Difícil é não rachar quando o mata-mata bate à porta.

Perguntas frequentes

Quais seleções europeias mais se destacaram na fase de grupos da Copa 2026?
França e Holanda. A França venceu Senegal por 3 a 1 e o Iraque por 3 a 0; a Holanda marcou dez gols em três jogos, com 5 a 1 na Suécia e 3 a 1 na Tunísia.
A Alemanha se classificou para o mata-mata da Copa 2026?
Sim, mas em segundo lugar do Grupo E. Após golear Curaçao por 7 a 1 e vencer a Costa do Marfim por 2 a 1, a Alemanha perdeu por 2 a 1 para o Equador na última rodada.
A Itália está na Copa do Mundo 2026?
Não. A Itália foi eliminada pela Bósnia na final da repescagem europeia e ficou fora da Copa do Mundo pela terceira vez seguida.
Quando começa o mata-mata da Copa do Mundo 2026?
A fase eliminatória (a nova rodada de 32) começa em 28 de junho de 2026, logo após o encerramento da fase de grupos no dia 27. As oitavas de final estão marcadas para 4 a 7 de julho.

Fonte: FIFA, Exame, ESPN, Sofascore | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.