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Argentina x Argélia: a campeã estreia na última dança de Messi

A atual campeã do mundo estreia na Copa 2026 nesta terça contra a Argélia, em Kansas City. Scaloni manteve a base de 2022 e quer evitar o trauma da derrota na estreia para a Arábia Saudita. Para Messi, pode ser o último capítulo de uma história azul e branca.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
5 min de leitura
Argentina x Argélia: a campeã estreia na última dança de Messi
Lionel Messi lidera a Argentina na estreia da defesa do título mundial — Foto: Reprodução / Wikipedia

Há quatro anos, num gramado do Catar, a Argentina ergueu a taça que faltava na vitrine de Lionel Messi e fechou a ferida aberta em 1986. Agora, sob o sol do meio-oeste americano, a história recomeça do zero. Argentina x Argélia abre o Grupo J nesta terça-feira, às 22h (horário de Brasília), no Arrowhead Stadium de Kansas City, e a pergunta que paira sobre o elenco albiceleste é simples: como se reescreve um capítulo que já teve o final perfeito?

Argentina x Argélia: a campeã volta à cena

Pela primeira vez desde a noite de Lusail, a seleção comandada por Lionel Scaloni entra em campo carregando o peso e o privilégio de ser a atual campeã. O técnico, que poderia ter desmontado a peça vencedora em busca de renovação, optou pelo caminho oposto: manteve a espinha dorsal de 2022. Emiliano Martínez no gol, Rodrigo De Paul e Enzo Fernández no meio, Alexis Mac Allister como cérebro e a dupla Lautaro Martínez–Julián Álvarez no ataque continuam ali, mais maduros e cientes de que defender um título é tarefa mais ingrata do que conquistá-lo.

A escolha de Scaloni tem lógica. Esse grupo se conhece de cor, atravessou junto a maratona emocional do Catar e sabe administrar a expectativa de um país inteiro. Como já mostramos na análise dos convocados da Argentina para a Copa 2026, a base campeã chega entrosada — e isso, num torneio decidido em detalhes, vale tanto quanto talento.

O fantasma de 2022 e a sombra da Arábia Saudita

Há, porém, uma cicatriz que ninguém na delegação esquece. Em 2022, a Argentina estreou perdendo de virada para a Arábia Saudita, um tropeço que quase enterrou a campanha antes mesmo dela começar. O time se reergueu, é verdade, mas a lição ficou: numa Copa de 48 seleções e margens estreitas, subestimar o adversário da estreia é luxo que campeão nenhum pode pagar.

A Argélia não é freguês. Os Fennecs voltam a um Mundial depois de anos de jejum, trazem velocidade pelos lados e um meio-campo aguerrido que adora explorar contra-ataques. Scaloni sabe disso — em entrevista na véspera, reconheceu que a Argélia é "um grande adversário" e prometeu que, desta vez, a história da estreia será diferente. O discurso é de respeito, não de favoritismo barato.

Messi e a despedida que ninguém quer apressar

No centro de tudo, como sempre, está o número 10. Messi disputa sua sexta Copa do Mundo e, aos 38 anos — ele completa 39 no dia 24, em pleno torneio —, vive o que provavelmente será sua última caminhada com a camisa da seleção em um Mundial. Não há melodrama nisso: é a cronologia inevitável de uma carreira que já entregou tudo o que se podia pedir.

O detalhe que arrepia é que Messi não precisa mais provar nada, e mesmo assim insiste em jogar como se precisasse. Cada toque seu nos Estados Unidos será assistido com a consciência de que o relógio corre. Para a Argentina, a missão dupla é clara: vencer e, ao mesmo tempo, blindar o craque, dosando seus minutos para que ele chegue inteiro às fases decisivas. A defesa do título passa por ele, mas não pode depender exclusivamente dele — uma equação que o futebol sul-americano inteiro acompanha de perto, como detalhamos no raio-X das seleções da América do Sul na Copa.

O que está em jogo no Grupo J

O Grupo J reúne Argentina, Argélia, Áustria e Jordânia. No papel, a albiceleste é amplamente favorita à liderança, mas o novo formato da Copa transformou a primeira rodada num teste de nervos: começar com tropeço significa correr atrás do prejuízo diante de adversários que se fecham e apostam no empate. Vencer a Argélia logo de cara é o roteiro ideal para a Argentina respirar antes dos duelos contra a Áustria (22 de junho) e a Jordânia (27 de junho).

Enquanto a campeã abre sua jornada, o Brasil ainda digere a estreia morna contra o Marrocos e observa o rival continental com aquela mistura de respeito e rivalidade que só um Sul-Americano entende. Scaloni, aliás, admitiu torcer pela seleção brasileira — gesto raro que diz muito sobre o momento de leveza do grupo argentino.

Veredito

A Argentina chega a Kansas City como favorita, entrosada e madura, mas com a memória recente a lembrá-la de que estreia em Copa não perdoa salto de etapa. Espera-se uma vitória albiceleste por dois gols de diferença, com Messi conduzindo e os jovens resolvendo. Se o roteiro se cumprir, a defesa do título começa exatamente como Scaloni sonhou — sem sustos, sem fantasmas e com o número 10 ainda escrevendo o último ato de sua história azul e branca.

Informações de horário, local e transmissão confirmadas pela Olympics e pelo Lance!.

Perguntas frequentes

Que horas é Argentina x Argélia na Copa 2026?
A bola rola nesta terça-feira, 16 de junho, às 22h (horário de Brasília), no Arrowhead Stadium, em Kansas City.
Onde assistir Argentina x Argélia ao vivo?
No Brasil, a transmissão é exclusiva da CazéTV, com sinal aberto pela internet.
Quem são os adversários da Argentina no Grupo J?
Além da Argélia, o grupo tem Áustria e Jordânia. A Argentina pega a Áustria em 22 de junho e a Jordânia em 27 de junho.
Messi vai jogar a Copa do Mundo de 2026?
Sim. Lionel Messi foi convocado por Scaloni e disputa sua sexta e provável última Copa, aos 38 anos, completando 39 durante o torneio.

Fonte: Olympics, Lance!, ESPN | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.