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Beirado Campo
Internacional

Zidane técnico da França: o dia em que a Europa virou a página

Em poucas horas de uma terça-feira de julho, França e Itália trocaram de era: Zidane assumiu os Bleus no lugar de Deschamps, e Mancini voltou à Azzurra depois que a federação bateu na porta de Guardiola e Pirlo. Duas seleções tradicionais, dois recomeços — e um reencontro marcado para 2 de outubro.

Marcos Vinícius SantosMarcos Vinícius Santos5 min de leitura
Zidane técnico da França: o dia em que a Europa virou a página
Zinédine Zidane é apresentado como novo técnico da seleção francesa, no lugar de Didier Deschamps — Foto: Reprodução / CNN Brasil

Há contratações que o futebol ensaia por tanto tempo que, quando finalmente acontecem, soam menos como notícia e mais como alívio. Zidane técnico da França é exatamente isso. Nesta terça-feira, a Federação Francesa de Futebol confirmou o que meia Europa vinha escrevendo há anos: aos 54 anos, Zinédine Zidane assume a seleção que o transformou em mito numa noite de julho de 1998, com contrato até 2030. E, por uma coincidência que parece roteiro, no mesmo dia a Itália anunciou Roberto Mancini — outro retorno, outra tentativa de reencontrar um passado que anda cada vez mais distante.

Duas seleções campeãs do mundo, dois recomeços, vinte e quatro horas. A Europa das seleções acordou hoje com a página virada.

Zidane técnico da França: o sucessor mais óbvio e mais adiado

A conversa entre Zidane e a federação não é de agora — arrasta-se, em graus variados de discrição, desde que ficou claro que o ciclo de Didier Deschamps tinha prazo de validade. O que faltava era a data. Ela chegou logo depois do Mundial da América do Norte, com a França fora do pódio e Deschamps sem nenhuma vontade de esticar a corda.

O detalhe que dá sabor à história é o que Zidane recusou pelo caminho. Nos últimos anos, o nome dele circulou em praticamente todo clube grande do continente sem que ele aceitasse nenhum. A explicação, que ele repetiu na apresentação, é simples e um tanto romântica: depois do Real Madrid, a seleção francesa era a única coisa que ele realmente queria treinar. Esperou. E a espera, no caso dele, era o próprio plano.

Como treinador, o currículo dispensa retórica. Entre 2016 e 2018, Zidane fez algo que ninguém mais fez na era moderna: três Ligas dos Campeões seguidas com o Real Madrid, num período em que a competição já era o mata-mata mais imprevisível do planeta. Voltou ao clube em 2019, saiu em 2021 e desde então cultivou o silêncio — raro num ambiente em que técnico desempregado costuma virar comentarista.

O que Deschamps deixa para trás

É fácil tratar a chegada de Zidane como ruptura necessária, mas seria injusto com quem sai. Deschamps ficou 14 anos no comando, número que hoje soa impossível para qualquer seleção de ponta. Foram 185 jogos e 120 vitórias, uma Copa do Mundo em 2018, a Liga das Nações de 2020-21 e duas finais perdidas — a Eurocopa de 2016, em casa, e o Mundial de 2022, no Catar, naquele duelo com a Argentina que virou filme.

O fim, no entanto, teve gosto amargo. A França caiu na semifinal para a Espanha, derrotada por 2 a 0 pela seleção que acabaria bicampeã, e depois perdeu a disputa de terceiro lugar para a Inglaterra num 6 a 4 que parecia mais treino de finalização do que jogo de Copa. Quarto lugar com um elenco daquele calibre é o tipo de resultado que encerra ciclos sem precisar de discurso.

Deschamps e Zidane, vale lembrar, dividiram o vestiário de 1998. Um era o capitão que erguia a taça; o outro, o camisa 10 que marcou duas vezes de cabeça na final contra o Brasil. Vinte e oito anos depois, o bastão passa de mão em mão dentro da mesma geração.

Mancini de volta à Itália: o terceiro nome da lista

Do outro lado dos Alpes, a história tem menos brilho e mais urgência. A Itália confirmou nesta terça o retorno de Roberto Mancini ao comando da Azzurra, o mesmo treinador que conquistou a Eurocopa de 2020 e comandou a seleção entre 2018 e 2023 antes de partir para o futebol do Golfo — estava no Al-Sadd desde 2025.

Chamar de escolha ideal seria generoso. Antes de Mancini, a federação sondou Pep Guardiola e Andrea Pirlo, e em ambos os casos ouviu não. O pacote inclui ainda uma reformulação nos bastidores: Claudio Ranieri entra como diretor técnico, no lugar deixado por Paolo Maldini.

O contexto explica a pressa. A Itália não disputou o Mundial de 2026 — foi a terceira ausência consecutiva da seleção mais vitoriosa das finais de Copa na Europa, sequência que transformou o que já foi acidente em rotina. Mancini volta para recuperar não uma vaga, mas um hábito.

Stade de France, 2 de outubro

O calendário, que às vezes tem senso de humor, já marcou o reencontro. Zidane estreia fora de casa contra a Turquia, em 25 de setembro, pela Liga das Nações. Uma semana depois, em 2 de outubro, faz sua primeira partida diante da torcida francesa no Stade de France — contra a Itália de Mancini.

Dois treinadores estreando ciclos, duas seleções tentando provar que ainda pertencem ao andar de cima de um futebol europeu que a Espanha dominou de ponta a ponta no último Mundial. Zidane terá quatro jogos em onze dias para descobrir que time tem nas mãos. Mancini, provavelmente, terá menos paciência à disposição.

Uma coisa é certa: nenhum dos dois vai começar a temporada no anonimato.

Fontes: CNN Brasil, Gazeta Esportiva e Correio 24 Horas.

Fonte: CNN Brasil, Gazeta Esportiva, Lance, Correio 24 Horas · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.