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Grêmio 0x1 Bolívar: a Arena vaiou antes do apito final

O Grêmio precisava de dois gols e não fez nenhum. Perdeu para o Bolívar em casa, caiu por 4 a 2 no agregado e saiu da Sul-Americana ouvindo o próprio estádio pedir a cabeça de Luís Castro. Sobrou o Z4 e uma Copa do Brasil que virou tábua de salvação.

Neide FerreiraNeide Ferreira5 min de leitura
Grêmio 0x1 Bolívar: a Arena vaiou antes do apito final
Grêmio perde para o Bolívar na Arena e está fora da Sul-Americana pelo segundo ano seguido — Foto: Reprodução / Gazeta Esportiva

Tem derrota que dói e tem derrota que denuncia. A do Grêmio nesta quinta-feira é do segundo tipo. O Bolívar veio a Porto Alegre, marcou aos 15 minutos do primeiro tempo, se fechou e foi embora com a classificação debaixo do braço: 1 a 0 na Arena, 4 a 2 no agregado, adeus Sul-Americana. Pela segunda temporada consecutiva o Tricolor cai justamente nos playoffs — a fase que existe para separar quem tem projeto de quem só tem folha salarial.

O detalhe que resume a noite não está no placar. Está no som. A torcida não esperou o apito final para protestar: vaiou nas paradas para hidratação, vaiou no intervalo e xingou Luís Castro em coro, com nome e sobrenome, enquanto o time ainda tinha 45 minutos para reagir. Quando o estádio desiste antes do time, não é mais mau momento. É divórcio.

O gol que expôs tudo

Aos 15 minutos, Asprilla recebeu em profundidade num contra-ataque banal, ganhou a corrida, driblou Kannemann e bateu no canto de Grando. Um lance só, e ele carregou toda a leitura do jogo: um Grêmio adiantado sem estrutura para se proteger, um zagueiro exposto no mano a mano em campo aberto, e um goleiro sem chance.

O Bolívar não precisou de mais nada. Com 3 a 2 construídos a 3.650 metros de altitude na ida — vantagem que o Tricolor já sabia que teria de derrubar quando encarou La Paz sem o artilheiro Carlos Vinícius —, o time boliviano passou a jogar o que sabe: recuar, cortar linha de passe e esperar. A partir dali o Grêmio precisava de dois gols. Fez zero.

A posse que não vira nada

O Grêmio teve a bola. Teve o campo de ataque. Teve Braithwaite e Matheus Nascimento em situação de finalização e esbarrou em Lampe, que fez as defesas que precisava fazer. Castro mexeu no segundo tempo e o time até criou mais depois das substituições — o que, convenhamos, é um elogio envenenado ao trabalho: se melhora quando o técnico troca metade do time, o problema estava no time que ele escolheu.

Esse é o vício que se repete desde o começo da temporada. O Grêmio circula a bola em velocidade de treino, não ataca o espaço entre zagueiro e lateral, e depende de lampejo individual para furar bloqueio baixo. Contra time armado para defender, isso é um beco. Já apareceu no Brasileirão, onde a equipe acumula um jejum de dez jogos sem vencer como visitante, e apareceu de novo numa noite em que bastava vencer por dois dentro da própria casa.

Três expulsões e a confissão de impotência

Nos minutos finais veio a confusão generalizada. Noriega e Justiniano trocaram agressões e foram expulsos juntos; Marlon completou a lista com uma entrada irresponsável. Três vermelhos numa partida que o Grêmio já tinha perdido no campo — o tipo de descontrole que costuma aparecer quando o grupo não tem mais argumento futebolístico.

E aqui vale dizer o óbvio: brigar no fim não é raça, é frustração. Raça teria sido atacar o bloqueio boliviano com objetividade entre os 20 e os 40 do segundo tempo.

Os números que sustentam a vaia

O retrospecto de Luís Castro no Grêmio: 40 jogos, 15 vitórias, 12 empates e 13 derrotas — 47% de aproveitamento. Não é uma catástrofe estatística, e é exatamente esse o problema. É o número da mediocridade sustentada, o desempenho de quem não afunda nem sobe, que num clube do tamanho do Grêmio significa uma temporada inteira jogada fora.

O contexto piora a leitura. No Brasileirão o Tricolor é o 17º colocado, com 22 pontos em 20 jogos, dentro da zona de rebaixamento, empatado em pontos com Santos e Internacional e separado deles apenas por critério de desempate. A eliminação de hoje não custou só o continente: custou a única competição em que o time ainda podia esconder o Brasileirão debaixo do tapete. O quadro que este portal vinha descrevendo há semanas, com o Grêmio rondando o Z4 e o clássico gaúcho virando duelo de decadentes, agora não tem mais nenhuma atenuante.

Sobrou a Copa do Brasil — e ela é domingo

O calendário não dá tempo para luto. No domingo, 2 de agosto, às 18h, o Grêmio visita o Mirassol no José Maria de Campos Maia pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil, com transmissão do Amazon Prime Video. O mesmo Mirassol que, no Brasileirão, já passou o Tricolor na tabela em confronto direto contra o rebaixamento.

É a última porta. Perdida ela, o Grêmio chega a agosto com um único objetivo — não cair — e um técnico que a torcida já não quer. A diretoria segue bancando Castro publicamente, mas nas arquibancadas o nome que se canta é o de Renato Portaluppi. Aposta de quem escreve aqui: se o Tricolor sair de Mirassol sem resultado, o cargo não chega inteiro na semana seguinte. Não porque a demissão resolva — a janela de reforços já mostrou que o problema do Grêmio começa antes do banco —, mas porque em clube grande, quando o estádio vaia antes do gol adversário, alguém sempre paga.

O Bolívar, esse, segue vivo na Sul-Americana e terá o São Paulo pela frente na próxima fase. Saiu da altitude, ganhou no nível do mar e eliminou um clube que gastou a temporada explicando por que ainda não engrenou.


Fontes: Gazeta Esportiva, Lance, CNN Brasil e Rádio Itatiaia.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Qual foi o resultado de Grêmio x Bolívar?
O Bolívar venceu por 1 a 0 na Arena, em Porto Alegre, e eliminou o Grêmio com 4 a 2 no placar agregado dos playoffs da Sul-Americana.
02
Quem marcou o gol do Bolívar contra o Grêmio?
Dairon Asprilla marcou aos 15 minutos do primeiro tempo, em contra-ataque, após passar por Kannemann.
03
Quem foi expulso em Grêmio x Bolívar?
Noriega e Marlon, do Grêmio, e Justiniano, do Bolívar, receberam cartão vermelho nos minutos finais da partida.
04
Qual o próximo jogo do Grêmio?
O Grêmio visita o Mirassol no domingo, 2 de agosto, às 18h, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil, com transmissão do Amazon Prime Video.
05
Em que posição o Grêmio está no Brasileirão 2026?
O Grêmio ocupa a 17ª posição, com 22 pontos em 20 jogos, dentro da zona de rebaixamento.

Fonte: Gazeta Esportiva, Lance, CNN Brasil, Rádio Itatiaia · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.