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Beirado Campo
Internacional

Fifa abre processo contra Argentina pela final da Copa

Dez dias depois do apito no MetLife, a Fifa parou de investigar e passou a acusar. Paredes responde por três agressões, Molina por duas, Ayala por uma — e a AFA por um catálogo de infrações que inclui cânticos discriminatórios e a faixa das Malvinas deixada no gramado contra a Inglaterra.

Marcos Vinícius SantosMarcos Vinícius Santos5 min de leitura
Fifa abre processo contra Argentina pela final da Copa
A confusão no gramado do MetLife Stadium após a final da Copa 2026 rendeu processo disciplinar a três argentinos — Foto: Reprodução / ESPN

Dez dias separam o apito final de Slavko Vinčić no MetLife Stadium da lista de nomes que a Fifa colocou no papel nesta quarta-feira. Nesse intervalo, o caso mudou de natureza: a entidade encerrou a fase de apuração e abriu processo disciplinar contra a Argentina — jogadores, auxiliar técnico e federação — pelo que aconteceu depois da derrota por 1 a 0 para a Espanha na decisão da Copa do Mundo 2026.

Não é mais um procurador recolhendo imagens em Zurique. São acusações formais, com artigo, parágrafo e número de ocorrências.

As acusações, uma por uma

O nome mais exposto é o de Leandro Paredes. O meio-campista responde por três infrações do artigo 14, parágrafo 1 (i) do Código Disciplinar da Fifa — o dispositivo que trata de agressão — por agarrar e empurrar adversários espanhóis nos segundos que sucederam a prorrogação.

Nahuel Molina foi enquadrado por duas agressões, segundo ESPN e Lance, e responde ainda por conduta antidesportiva. Roberto Ayala, o auxiliar de Lionel Scaloni que atingiu o rosto de Dani Olmo, responde por uma agressão. Thiago Almada foi acusado de conduta antidesportiva.

Os confrontos citados no processo envolvem Gavi, Rodri e Dani Olmo — os três espanhóis que estavam no centro do emaranhado quando o gramado da final virou outra coisa. Paredes, que já havia sido expulso na confusão do apito final, é o único do grupo com acusações no plural.

Se condenados, os três acusados de agressão devem receber suspensões longas. O regulamento da Fifa não trata empurrão em final de Copa como folclore de decisão.

A faixa das Malvinas volta a pesar

A parte menos previsível do anúncio é a que atinge a Associação do Futebol Argentino. A Fifa não abriu um processo: abriu um catálogo. A federação responde por cânticos e gestos discriminatórios, má conduta coletiva, falhas de segurança e protocolo, arremesso de objetos e mensagens inapropriadas — e não apenas na final, mas "em várias partidas" da seleção argentina no torneio.

Dentro desse pacote está a faixa com os dizeres "Las Malvinas son Argentinas", exibida pelos jogadores e deixada no gramado depois da vitória sobre a Inglaterra na semifinal. A Fifa enquadrou o gesto no artigo 13, parágrafo 2 (c), que veda o uso de evento esportivo para manifestações de natureza não esportiva.

O detalhe é significativo. Naquela noite, a faixa foi lida na Argentina como afirmação legítima de soberania e, na Inglaterra, como provocação deliberada num estádio dos Estados Unidos. Dez dias depois, ela reaparece num documento oficial ao lado de acusações de discriminação. A leitura do gesto deixou de ser matéria de opinião pública e virou matéria de processo.

Completam a lista os artigos 14, parágrafo 5 (má conduta de equipe), 15 (discriminação e abuso) e 17 (ordem e segurança).

Gavi lembra que o processo não é só argentino

Há um nome espanhol na relação, e ele importa. Gavi responde por conduta antidesportiva.

Não equilibra a balança — a Espanha tem um acusado, a Argentina tem quatro mais a federação —, mas desmonta a versão de que a pancadaria do MetLife foi um monólogo. Luis de la Fuente havia classificado o comportamento argentino como "intolerável e inaceitável" e destacado a calma dos seus jogadores, em declaração à TVE. A Fifa, ao processar Gavi, sugere que a calma não foi unânime.

Vale registrar o que o processo não alcança: a expulsão de Enzo Fernández aos 90+3, por entrada em Pau Cubarsí, foi punida dentro do jogo e não faz parte deste caso. O recorte é do que veio depois do apito.

O que a Fifa pode decidir agora

O comunicado da entidade é econômico e revela o estágio do processo: os acusados terão oportunidade de apresentar suas posições e, depois disso, o Comitê Disciplinar emitirá decisão "em tempo devido". Não há prazo, não há data de julgamento e não há indicação de pena.

Para a Argentina, o calendário torna a espera desconfortável. Paredes, Molina e Almada seguem em atividade nos seus clubes — as suspensões da Fifa valem para partidas de seleção — e Ayala continua na comissão que já trabalha no ciclo seguinte. Uma punição longa significaria começar a caminhada rumo a 2030 com desfalques por conduta, não por lesão.

Para a Espanha, o processo é um ruído num mês quase perfeito. A seleção bicampeã que aposentou a era Messi vai carregar a taça e, junto, o arquivo de trinta segundos de confusão que se repete em loop desde 19 de julho — agora com um dos seus entre os acusados.

O epílogo já se arrasta mais do que o próprio jogo. Depois da recusa pública de Olmo em aceitar as desculpas de Ayala, esta quarta-feira acrescenta o capítulo burocrático — o menos vistoso e o único que deixa registro permanente. A Copa de 2026 terminou com um gol de Ferran Torres aos 106 minutos. O processo dela ainda não terminou.

Fontes: ESPN e Sky Sports.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Quem a Fifa está processando pela confusão na final da Copa 2026?
Os argentinos Leandro Paredes, Nahuel Molina e o auxiliar Roberto Ayala respondem por agressão. Thiago Almada e o espanhol Gavi respondem por conduta antidesportiva.
02
Por quantas agressões Leandro Paredes responde?
Três, todas enquadradas no artigo 14, parágrafo 1 (i), do Código Disciplinar da Fifa, por agarrar e empurrar jogadores espanhóis.
03
Por que a AFA foi processada pela faixa das Malvinas?
A Fifa enquadrou a faixa no artigo 13, parágrafo 2 (c), que proíbe usar evento esportivo para manifestações de natureza não esportiva. Ela foi exibida após a vitória sobre a Inglaterra na semifinal.
04
Quando a Fifa vai anunciar as punições?
Não há prazo definido. A entidade informou que os acusados terão oportunidade de apresentar suas defesas antes de o Comitê Disciplinar julgar o caso.

Fonte: ESPN, Sky Sports, Lance · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.