Brasil x Marrocos: a estreia que o torcedor já acha ganha
A Copa começou hoje e meio Brasil já marcou a final no calendário. Só que a estreia, sábado, é contra o time que tirou Espanha e Portugal de 2022. Tratar o Marrocos como aquecimento é a arrogância de sempre — e ela já saiu cara antes.


A bola da Copa do Mundo 2026 rolou hoje e eu garanto: você já conhece alguém que furou o bolão pensando na semifinal. O brasileiro é assim. Antes mesmo de o hino tocar, já tem gente discutindo o cruzamento das oitavas e onde a Amarelinha pega a Argentina. Pois eu venho aqui, na Quinta Polêmica, estragar a festa: Brasil x Marrocos, sábado, não é aquecimento. É a partida mais perigosa que essa Seleção podia querer para abrir um Mundial — e a gente está fazendo a única coisa que sempre deu errado, que é tratar o adversário como figurante.
A estreia é dia 13, às 19h de Brasília, no MetLife Stadium, em Nova York. Group C, com Escócia e Haiti completando a chave. No papel do botequim, é vaga encaminhada. No campo, é cilada.
Brasil x Marrocos não é zebra — é reencontro com quem humilhou a Europa
Vamos combinar uma coisa de adulto: o Marrocos de 2026 não é o coitadinho que a gente imagina quando ouve "seleção africana". Em 2022, no Catar, os Leões do Atlas terminaram em quarto lugar depois de despachar Espanha e Portugal no mata-mata. Não foi sorte, não foi pênalti maluco — foi organização defensiva, transição venenosa e um capitão chamado Achraf Hakimi, hoje provavelmente o melhor lateral-direito do planeta.
E o currículo só engordou. O Marrocos é o atual campeão da Copa Africana de Nações de 2025, ainda que tenha levado a taça no tapetão — perdeu a final para o Senegal dentro de campo e foi declarado campeão pela CAF depois do caos do abandono senegalês. Detalhe que diz muito sobre esse time: até quando perde, ele leva. Some a isso um técnico novo, Mohamed Ouahbi, que chegou em março campeão mundial sub-20 e trouxe uma molecada faminta para misturar com os veteranos Brahim Díaz, Amrabat e Mazraoui. Quem quiser entender o tamanho do adversário, eu já contei tudo na análise do Marrocos, o rival da estreia.
Isso não é um time para se "passar por cima". É um time para se respeitar desde o aperto de mão.
O time que não convenceu ninguém nos amistosos
Agora a parte que a torcida finge que não viu. O Brasil chegou à Copa empilhando ponto de interrogação. No último teste, bateu o Egito por apenas 2 a 1, com Endrick decidindo na marra e Neymar fora por lesão na panturrilha. Antes, ensaio geral contra o Panamá sem brilho. Não foi a sinfonia que se espera de quem se acha favoritão.
Ancelotti, o italiano que virou nosso primeiro técnico estrangeiro em Copa, ainda está montando o quebra-cabeça em cima da hora — sobretudo o meio de campo e o papel do Neymar, que ele segue sem cravar se é titular ou peça de luxo no banco. Eu, sinceramente, já avisei aqui que o Brasil é só o quinto favorito ao hexa, e os amistosos não me fizeram mudar de ideia. A gente não está em condição de subestimar ninguém, quanto mais um semifinalista de Copa.
"Mas é só o Marrocos" — e é exatamente esse o problema
Eu sei o que o leitor mais otimista vai responder: o Brasil tem Vini Jr., tem Raphinha, tem Rodrygo, tem nome para resolver. Tem mesmo. Talento individual a gente nunca deixou de ter. O problema histórico nunca foi elenco — foi postura. Foi entrar achando que a camisa ganha sozinha.
Pergunte para a seleção de 2014 se subestimar adversário sai barato. Pergunte para o Brasil que caiu nas quartas em 2018 e 2022 contra times que estudaram a gente nos mínimos detalhes. O Marrocos vai entrar no MetLife com o estádio dividido — tem comunidade marroquina forte nos Estados Unidos — e com um plano claro: fechar os espaços, segurar o 0 a 0 o quanto puder e apostar na bola parada e no contra-ataque do Hakimi. Se o Brasil entrar de salto alto, leva susto. Ou pior que susto.
Uma estreia de Copa tem peso dobrado. Vencer acalma um país inteiro e libera a cabeça para o resto do grupo. Tropeçar logo de cara — um empate que seja — transforma o jogo contra a Escócia numa final antecipada e coloca a imprensa em modo motosserra antes mesmo de o torneio esquentar. Não é exagero meu: é como o caminho do Brasil rumo ao hexa sempre funcionou, para o bem e para o mal.
O recado para sábado
Que fique claro: eu não estou dizendo que o Brasil vai perder. Estou dizendo que essa conversa de "estreia tranquila" precisa morrer antes do apito inicial. O favoritismo é nosso, sim — mas favoritismo sem respeito ao adversário é a receita exata das vexames que a gente jura que nunca mais vai repetir e repete a cada quatro anos.
Marrocos é o tipo de seleção que eliminou meia Europa torcendo para alguém subestimá-la. Se o torcedor brasileiro entrar nesse jogo já pensando na Argentina das oitavas, ótimo: é assim que armadilha vira tombo. Sábado, 19h, a Copa de verdade começa para o Brasil. E ela começa difícil — do jeito que ninguém pediu, mas que talvez seja exatamente o que essa Seleção convencida precisava para acordar.
Eu fico com o respeito. O otimismo a gente conversa depois do apito final.
Perguntas frequentes
- Que horas é Brasil x Marrocos na estreia da Copa 2026?
- A partida está marcada para sábado, 13 de junho de 2026, às 19h de Brasília, no MetLife Stadium, em East Rutherford, na área de Nova York.
- Quem são os adversários do Brasil no Grupo C da Copa 2026?
- Marrocos, Escócia e Haiti. O Brasil estreia contra o Marrocos, depois enfrenta a Escócia e fecha a fase de grupos contra o Haiti.
- Por que o Marrocos é considerado perigoso?
- Foi semifinalista da Copa de 2022, quando eliminou Espanha e Portugal, e é o atual campeão da Copa Africana de Nações de 2025.
- Quem é o técnico do Marrocos na Copa 2026?
- Mohamed Ouahbi, que assumiu em março de 2026 no lugar de Walid Regragui, depois de ter sido campeão mundial sub-20 com os marroquinos.
Fonte: Trivela, CNN Brasil, Olympics, ge.globo | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.
