Marrocos na Copa 2026: o que mudou no rival de estreia do Brasil
Carrasco do Brasil em 2023 e semifinalista em 2022, o Marrocos chega à Copa com técnico novo, um título africano decidido no tribunal e cortes que surpreenderam. Conheça o rival da estreia brasileira, em 13 de junho, no MetLife.


Quando o Brasil pisar no gramado do MetLife Stadium, em 13 de junho, o adversário não será exatamente o mesmo Marrocos que o planeta aprendeu a temer no Catar. A seleção que virou símbolo de 2022 chega à Copa 2026 com um treinador estreante no comando, um título continental conquistado da maneira mais improvável e uma convocação que mexeu até com quem parecia inegociável. O rival de estreia da seleção de Carlo Ancelotti trocou de pele — e segue tão incômodo quanto antes.
Não é exagero retórico: este é o jogo que decide o tom do Grupo C, que o Brasil divide com escoceses e haitianos. Quem quiser revisar a chave inteira pode conferir nossa análise do grupo do Brasil na Copa 2026. Mas o nome que tira o sono é um só, e merece um capítulo à parte.
Marrocos trocou de comando às vésperas da Copa
A primeira mudança é a mais barulhenta. Walid Regragui, o homem que transformou os Leões do Atlas na sensação do Mundial de 2022, deixou o cargo em março de 2026, a poucos meses do torneio. No seu lugar entrou Mohamed Ouahbi, técnico sem rodagem em Copas, encarregado de uma missão delicada: preservar a identidade de um time campeão sem o arquiteto que a desenhou.
Trocar de treinador na antessala de uma Copa é uma aposta de alto risco, do tipo que costuma render manchete em qualquer direção. Ouahbi teve poucos meses para imprimir sua marca e fechou a lista final de 26 jogadores no fim de maio, antes mesmo de muitos rivais. A transição correu sem o caos que se poderia esperar, em parte porque a espinha dorsal de 2022 continua de pé.
Campeão africano fora das quatro linhas
A segunda novidade parece roteiro de ficção. O Marrocos chega aos Estados Unidos como campeão da Copa Africana de Nações de 2025 — só que o título não foi erguido no campo. A final, disputada em casa, em Rabat, terminou com vitória de Senegal por 1 a 0 na prorrogação, em janeiro.
A história, porém, virou de ponta-cabeça dois meses depois. A comissão de apelação da CAF reverteu o resultado e declarou o Senegal perdedor por abandono, após os senegaleses deixarem o gramado em protesto contra a marcação de um pênalti. Por decisão administrativa, o placar virou 3 a 0 para os anfitriões, e o Marrocos foi proclamado campeão continental, como detalhou a ESPN. Um troféu conquistado no tribunal, mas que reposiciona os marroquinos como potência do continente — e dá lenha para um vestiário que já não precisa de motivação extra.
O elenco que desembarca para encarar o Brasil
Apesar da reformulação no banco, o time mantém o esqueleto que brilhou no Catar. O capitão Achraf Hakimi, lateral do PSG, lidera o grupo ao lado de nomes de peso da elite europeia: o goleiro Yassine Bounou (Al-Hilal), o zagueiro Nayef Aguerd (Marseille), o lateral Noussair Mazraoui (Manchester United) e o volante Sofyan Amrabat (Betis). No meio para a frente, a criatividade fica com Azzedine Ounahi, Bilal El Khannouss e o talentoso Brahim Díaz, do Real Madrid, que trocou a Espanha pela terra dos pais e hoje é peça-chave do projeto.
A convocação de Ouahbi também trouxe surpresas pelas ausências. Youssef En-Nesyri, que entrou apenas do banco ao longo da campanha africana, ficou fora, assim como Sofiane Boufal, titular em 2022. No lugar dos veteranos, o técnico apostou em jovens da diáspora, como Ayyoub Bouaddi (Lille) e Ayoube Amaimouni-Echghouyab (Eintracht Frankfurt). O recado é de renovação sem abrir mão da experiência.
Os números das Eliminatórias africanas explicam o respeito que o adversário impõe: foram oito vitórias em oito jogos, 22 gols marcados e apenas dois sofridos. É uma máquina equilibrada, que ataca pelas beiradas e se fecha com disciplina rara.
O que o Brasil encontra na estreia
Para a seleção brasileira, o aviso vem do passado recente. Em 2022, o Marrocos foi a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Copa, despachando Espanha e Portugal pelo caminho. E, em março de 2023, recebeu o Brasil em Tânger e venceu por 2 a 1 — o único duelo entre os dois neste ciclo, justamente uma exibição que expôs a dificuldade brasileira diante de blocos compactos e transições afiadas.
O Brasil de Ancelotti, que fechou a preparação com o triunfo por 2 a 1 sobre o Egito e tem Neymar de volta à lista, sabe que não há margem para subestimar o rival. Do outro lado, os marroquinos encerram a maratona de amistosos diante da Noruega, em Nova York, antes de focar no MetLife. Depois da abertura entre México e África do Sul, que detalhamos no guia da abertura da Copa 2026, é contra esse Marrocos remodelado que a caminhada brasileira rumo ao hexa começa de verdade — às 19h de Brasília do dia 13.
Perguntas frequentes
- Quando é Brasil x Marrocos na Copa 2026?
- No sábado, 13 de junho de 2026, às 19h de Brasília, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, pela primeira rodada do Grupo C.
- Quem é o técnico do Marrocos na Copa 2026?
- Mohamed Ouahbi, que assumiu em março de 2026 no lugar de Walid Regragui, o comandante da campanha de 2022.
- O Marrocos é campeão da Copa Africana de Nações?
- Sim. Perdeu a final de 2025 para Senegal dentro de campo, mas foi declarado campeão pela CAF após o adversário abandonar a partida em protesto.
- Quais são as estrelas do Marrocos na Copa 2026?
- O capitão Achraf Hakimi (PSG), o meia Brahim Díaz (Real Madrid) e o goleiro Yassine Bounou (Al-Hilal).
Fonte: CNN Brasil, ESPN, Trivela | Informações adicionais por Beira do Campo

Correspondente Internacional
Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.


