Espanha bate a França e volta à final da Copa do Mundo
A Espanha venceu a França por 2 a 0 no AT&T Stadium, em Dallas, com gols de Oyarzabal e Pedro Porro, e volta a uma final de Copa do Mundo depois de 16 anos. La Roja espera Inglaterra ou Argentina no domingo.
Marcos Vinícius Santos5 min de leitura
Havia algo de profético no gramado do AT&T Stadium nesta terça-feira. A Espanha entrou em Dallas encarando a favorita absoluta e saiu de campo com um 2 a 0 que soa como manifesto: dezesseis anos depois da coroa de Joanesburgo, La Roja está de volta a uma final de Copa do Mundo. A França de Mbappé, que chegava com campanha perfeita e ar de campeã antecipada, foi desmontada peça por peça por um time que transformou a posse de bola em ofício e a paciência em arma.
Não foi um jogo de fogos de artifício. Foi um jogo de relojoaria — e a Espanha, mais uma vez, provou ser a melhor relojoeira do torneio.
Os gols que decidiram a semifinal
O roteiro começou a se desenhar aos 20 minutos. Lamine Yamal, o garoto que já parece velho conhecido dos palcos grandes, foi lançado nas costas da defesa e derrubado por Lucas Digne dentro da área. Pênalti sem discussão. Mikel Oyarzabal ajeitou a bola, respirou e mandou um foguete rasteiro que não deu chance a Maignan. 1 a 0, e a França acordava para um pesadelo.
O segundo veio na etapa final, aos 12 minutos do segundo tempo, e teve a assinatura da escola espanhola. Pedro Porro tabelou com Dani Olmo, apareceu livre dentro da área e, com frieza de quem já tinha visto o filme, tocou na saída do goleiro francês. 2 a 0. Dallas se rendeu ao ritmo ibérico.
A França ainda teve o alívio de um gol de Yamal — sim, dele de novo — anulado por impedimento milimétrico, num daqueles lances em que o VAR mede o que o olho humano nem sonha em ver. Mas a verdade é que, mesmo com a rede balançando, quem mandava no jogo era a Espanha.
A anatomia de um domínio
O que mais impressionou não foi o placar, e sim o método. A Espanha de Luis de la Fuente fez o que ninguém tinha conseguido nesta Copa: anular o talento individual francês pela superioridade coletiva. Sem se deixar seduzir pelos espaços que a França oferecia como isca, os espanhóis abafaram a saída de bola adversária, sufocaram os corredores e obrigaram Mbappé a buscar o jogo lá atrás, longe da área, onde é apenas mais um.
A lesão de Saliba, que deixou o campo por volta dos 28 minutos, desorganizou ainda mais uma defesa francesa que nunca encontrou o eixo. Sem o zagueiro do Arsenal para segurar a linha, a França virou refém da própria ansiedade — e a Espanha, senhora do tempo de jogo, apenas administrou.
Foi a confirmação de uma tese que este espaço vem defendendo desde os amistosos preparatórios, quando França e Espanha tropeçaram e ninguém sabia direito quem chegaria inteiro: o futebol de controle, quando bem executado, é mais difícil de furar do que qualquer contra-ataque relâmpago.
Oyarzabal na galeria dos grandes
Se a Espanha tem coletivo, também ganhou seu herói pessoal. Com o gol desta terça, Oyarzabal chegou a cinco gols nesta edição da Copa e igualou uma dupla ilustre: Emilio Butragueño (1986) e David Villa (2010), os maiores artilheiros espanhóis em um único Mundial. Não é pouca coisa carregar o mesmo número que "El Buitre" e o goleador de 2010 — é entrar para a mitologia de um país que trata artilheiros como poetas raros.
Do outro lado, restou à França a amargura de ver sua campanha perfeita — seis vitórias em seis jogos — ruir justamente no momento em que o troféu parecia ao alcance da mão. Mbappé sai da Copa sem o gol que sonhava e com a sensação de ter esbarrado num muro vermelho.
Os números da caminhada espanhola
A vitória tem contornos históricos. A Espanha chegou a 37 jogos de invencibilidade, igualando a marca da Itália entre 2018 e 2021 — uma das maiores sequências invictas já vistas no futebol de seleções. E não à toa levou a Dallas a alcunha de melhor defesa do torneio: são poucos os gols sofridos e muitos os adversários que saíram frustrados tentando decifrá-la.
É a segunda final de Copa do Mundo da história espanhola. A primeira, em 2010, terminou com o gol de Iniesta na prorrogação contra a Holanda e o primeiro título mundial de La Roja. Agora, uma nova geração tem a chance de escrever o segundo capítulo dessa lenda — e a torcida que acompanha o circo da Copa 2026, mesmo com a bagunça das transmissões no Brasil, sabe que tem um gigante de volta ao palco principal.
O caminho até o domingo
A Espanha agora espera, tranquila, o desfecho da outra semifinal, aquela que reúne os favoritos sem espaço para zebra: Inglaterra e Argentina se enfrentam na quarta-feira, em Atlanta, para definir o adversário da grande decisão.
A final está marcada para o próximo domingo, 19 de julho, às 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Antes disso, no sábado (18), Miami recebe a disputa de terceiro lugar. Seja qual for o rival — a força física inglesa ou o talento argentino —, a Espanha chega como o time que melhor entendeu esta Copa: a de que, no fim, quem controla a bola controla o destino.
Dezesseis anos depois, La Roja voltou. E voltou falando a mesma língua de sempre: a do toque, da paciência e do gol na hora certa.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Qual foi o resultado de França x Espanha na semifinal da Copa 2026?
- A Espanha venceu por 2 a 0, no AT&T Stadium, em Dallas, e garantiu vaga na final.
- Quem marcou os gols de Espanha 2 a 0 França?
- Mikel Oyarzabal abriu o placar de pênalti no primeiro tempo e Pedro Porro ampliou na etapa final.
- Quando e onde é a final da Copa do Mundo 2026?
- A final será no domingo, 19 de julho, às 16h de Brasília, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
- Quem a Espanha enfrenta na final da Copa 2026?
- A Espanha aguarda o vencedor de Inglaterra x Argentina, que jogam a outra semifinal na quarta-feira.
Fonte: CNN Brasil, Terra, OneFootball, Yahoo Sports · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

Correspondente Internacional
Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.


