Wilton Pereira Sampaio abre a Copa 2026 que o Brasil xinga
A FIFA escalou um brasileiro para apitar o jogo que abre a maior Copa da história. O mesmo Wilton Pereira Sampaio que a torcida xinga de joelhos no sofá todo domingo vai comandar México x África do Sul no Azteca. Neide explica por que isso diz mais sobre o Brasil do que sobre o árbitro.


Vou começar pelo fim, que é onde mora a graça: amanhã, quando a bola rolar no Azteca para inaugurar a maior Copa do Mundo da história, quem dá o primeiro apito é um brasileiro. Wilton Pereira Sampaio, goiano, o mesmo nome que metade do país xinga de joelhos no sofá todo fim de semana. A FIFA olhou para o planeta inteiro, escolheu México x África do Sul para abrir o Mundial de 48 seleções e botou um árbitro nosso no centro do gramado. Se isso não embrulha o seu estômago de orgulho e vergonha ao mesmo tempo, você não acompanha futebol brasileiro de verdade.
Porque é exatamente isso que estamos vendo: a entidade que manda no futebol mundial confiando num cara que, aqui dentro, não passa um domingo sem ser chamado de tudo que não se pode escrever.
O apito que o Brasil despreza, a FIFA escolheu
Não é detalhe. É a primeira vez na história que um árbitro brasileiro apita o jogo de abertura de uma Copa do Mundo. A abertura. Aquele jogo que o mundo todo para para assistir, com cerimônia, show do J Balvin, Shakira e companhia limitada antes da bola rolar. A FIFA tinha o catálogo inteiro de árbitros do planeta à disposição e cravou o nome de Wilton.
E aí eu pergunto, com a maior cara de paisagem: cadê a torcida que jura, semana sim, semana também, que "árbitro brasileiro é o pior do mundo"? Cadê o torcedor que pede VAR estrangeiro, arbitragem importada, qualquer coisa menos um juiz nascido em Goiás? Sumiram. Porque a verdade incomoda mais que pênalti não marcado: o problema da nossa arbitragem nunca foi a capacidade técnica do apito. Foi outra coisa, e a gente chega lá.
O currículo que a torcida finge não ver
Vamos aos números, que é o que separa opinião de birra. Esta será a terceira Copa de Wilton Pereira Sampaio. Em 2018, na Rússia, ele já estava lá, atuando no VAR. Em 2022, no Catar, virou árbitro de campo e apitou quatro jogos do Mundial. Agora, em 2026, ganha a abertura. Isso não é sorte de quem caiu de paraquedas — é uma carreira internacional construída a apito por apito, enquanto, em casa, o sujeito vira meme toda segunda-feira.
Para a abertura, ele nem vai sozinho: leva os assistentes Bruno Pires e Bruno Boschilia, também brasileiros. O VAR fica com o colombiano Nicolás Gallo. Ou seja, é um trio verde-amarelo no jogo mais visto do primeiro dia. E Wilton não é o único representante nosso no Mundial — segundo a escalação divulgada pela FIFA, Ramon Abatti Abel e Raphael Claus também foram convocados. Quando o assunto é confiança lá fora, o Brasil da arbitragem exporta. Aqui dentro, importamos só desconfiança.
Não é à toa que escrevi tantas vezes nesta coluna sobre o circo que cerca o nosso apito, da briga do Abel Ferreira com a súmula à eterna novela do VAR que mata a emoção do futebol. O contraste com o Azteca de amanhã não poderia ser mais escancarado.
Não venha dizer que a arbitragem brasileira é boa
Calma, que eu não pirei. Não estou aqui para passar pano. Quem me lê sabe que sou a primeira a meter o dedo na ferida quando o jogo é roubado, quando o VAR demora dez minutos para confirmar o óbvio, quando a CBF some com áudio que devia ser público. A arbitragem brasileira tem problema, sim — e problema grave.
Só que o problema não é o Wilton apitar mal de propósito. É o sistema em volta dele. É a falta de transparência que transforma cada decisão duvidosa em teoria da conspiração. É a CBF que demora a soltar o áudio do VAR e, quando solta, faz parecer favor. É o calendário insano que joga o mesmo quadro de árbitros em quatro jogos por semana. É a pressão de clube, de cartola, de torcida organizada e de timeline que faz qualquer ser humano errar mais. O apito é o mesmo de Goiás ao Azteca. O que muda é o circo montado ao redor.
O problema nunca foi o apito — é o circo
Então fica o meu recado para o torcedor que vai passar a próxima semana grudado na Copa: presta atenção em como o Wilton vai trabalhar amanhã. Sem o circo brasileiro em cima, sem a desconfiança de berço, sem a CBF fazendo média, ele vai apitar um jogo de Copa do Mundo como apitou no Catar — com erros, claro, porque árbitro erra, mas com a competência que a FIFA enxergou e a sua arquibancada se recusa a ver.
Amanhã, às 16h de Brasília, no duelo entre México e África do Sul que abre o Mundial, um brasileiro vai dar o pontapé simbólico na maior Copa de todos os tempos. Eu vou estar torcendo. Não pela seleção, que estreia depois. Vou torcer para o Wilton apitar bem e calar — nem que seja por uma tarde — esse país que adora cuspir no próprio prato e depois pedir bis. Se a FIFA confia, talvez esteja na hora de o Brasil parar de fingir que não sabe por quê.
Perguntas frequentes
- Quem vai apitar a abertura da Copa do Mundo 2026?
- O brasileiro Wilton Pereira Sampaio. É a primeira vez que um árbitro do Brasil comanda o jogo de abertura de uma Copa do Mundo.
- Que horas é a abertura da Copa do Mundo 2026?
- México x África do Sul abre o Mundial na quinta-feira, 11 de junho, às 16h de Brasília, no Estádio Azteca, na Cidade do México. A cerimônia começa às 14h30.
- Quem são os auxiliares de Wilton Pereira Sampaio na abertura?
- Os assistentes Bruno Pires e Bruno Boschilia, também brasileiros. O VAR fica com o colombiano Nicolás Gallo.
Fonte: Lance, InfoMoney, FIFA | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.

