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Beirado Campo
Opinião

Grêmio e Internacional à beira do Z4 não é fase passageira

Grêmio e Internacional voltaram da Copa colados na zona de rebaixamento, empatados em 21 pontos. O Rio Grande do Sul chama de fase ruim. Eu chamo de decadência com hora marcada.

Neide FerreiraNeide Ferreira5 min de leitura
Grêmio e Internacional à beira do Z4 não é fase passageira
Ilustração — o clima cinzento que a dupla Grenal tenta esconder na volta do Brasileirão 2026

Vou começar pela parte que dói: o clube mais perto do rebaixamento no Rio Grande do Sul não é o Grêmio nem o Internacional. São os dois. E se você mora entre Porto Alegre e a fronteira, já ouviu a mesma frase saindo das duas torcidas nesta semana — "é só uma fase". Não é. Grêmio e Internacional chegaram ao fim do primeiro turno do Brasileirão 2026 empatados em 21 pontos, colados na parte de baixo da tabela, e isso não é obra do acaso nem do calendário. É um projeto que deu errado nos dois lados do Guaíba ao mesmo tempo.

Antes que alguém me acuse de exagero: nenhum dos dois está tecnicamente no Z4 agora. O Inter é o 14º, o Grêmio é o 16º, e o Vasco abre a zona logo abaixo com um ponto a menos. Perfeito. Só que "um ponto acima do Z4 na 19ª rodada" não é conforto — é o retrato de quem passou metade do campeonato olhando para trás. E os números de quem entende de conta são piores que o meu humor: a projeção do departamento de matemática da UFMG dá 29% de risco de queda ao Grêmio e 26% ao Inter. Um em cada três, um em cada quatro. Ponha as duas probabilidades na mesma mesa e o Rio Grande do Sul tem chance real de perder um grande em dezembro.

Vinte e um pontos em dezenove jogos não é azar

Gente que perde por azar perde jogo. Quem soma 21 pontos em 19 rodadas está perdendo campeonato. Isso dá pouco mais de um ponto por partida, ritmo de time que briga contra a Série B, não de clube com estádio próprio, sócio-torcedor na casa dos milhares e folha de pagamento de gente grande.

O caso do Inter é o que mais me irrita, porque é autoinfligido. O Beira-Rio, que já foi um caldeirão, virou o pior mandante da competição: quatro derrotas em sete jogos em casa. Ler isso sobre o Internacional deveria constranger qualquer diretor. Time grande perde a vergonha de jogar mal em casa quando a própria torcida já não acredita — e a arquibancada colorada, convenhamos, parou de acreditar faz tempo.

Do lado gremista, a novidade é não haver novidade. O Grêmio voltou do returno rondando o Z4 como quem volta para casa que já conhece. É a terceira temporada seguida convivendo com a ameaça — de 2024 para cá, o Tricolor passou quase todo o tempo fora do G-10, com passagens pontuais e raríssimas pela metade de cima. Isso não é fase. Fase é o que dura três jogos. O que se repete por três anos tem outro nome, e o nome é padrão.

O argumento da torcida (e por que ele não me convence)

Vai vir o contra-argumento, e ele até tem cara de razão: "o campeonato voltou bagunçado, com a pausa da Copa e a rodada esticada, todo mundo entrou enferrujado". Verdade que o returno foi atrapalhado. Só que enferrujado voltou o Brasileirão inteiro. O Palmeiras voltou enferrujado e está com 44 pontos. O Flamengo voltou enferrujado e lidera a briga de cima. A pausa foi a mesma para os vinte clubes — o buraco na tabela é privilégio de quem já estava caindo antes de a bola parar.

O outro consolo predileto é o "faltam vinte rodadas, dá tempo". Dá. Sempre dá tempo, até o ano em que não dá — pergunte aos grandes que já visitaram a Série B jurando que reagiriam na reta final. Tempo, para clube em crise, costuma ser o pretexto que adia a decisão difícil em vez de tomá-la. E as decisões difíceis nos dois clubes gaúchos estão sendo empurradas com a barriga desde o começo do ano.

O que ninguém em Porto Alegre quer dizer em voz alta

A parte incômoda é estrutural, e é a mesma nos dois clubes: elenco montado sem espinha dorsal, troca de treinador tratada como remédio para tudo, e uma diretoria que confunde tamanho de história com garantia de resultado. Grêmio e Inter são gigantes pela camisa, pelo passado, pela Libertadores na estante. Só que o Brasileirão de 2026 não joga contra a estante — joga contra o time que entra em campo no domingo, e esse time, nos dois casos, é curto.

Enquanto a conversa em Porto Alegre for sobre "fase", nada muda. Fase você espera passar sentado. Decadência você combate de pé, mexendo no elenco, cobrando a diretoria, exigindo que o mandante volte a ser vantagem. O returno mal começou e já separa quem vai brigar de verdade lá em cima de quem vai contar ponto lá embaixo até dezembro. Grêmio e Internacional estão, hoje, do lado errado dessa conta — e a pior notícia para o torcedor gaúcho é que os dois cavaram esse buraco sozinhos, com as próprias mãos, um de cada vez.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Grêmio e Internacional estão no Z4 do Brasileirão 2026?
Nenhum dos dois está no Z4 neste momento, mas ambos aparecem colados na zona: o Internacional em 14º e o Grêmio em 16º, os dois com 21 pontos.
02
Qual a chance de rebaixamento de Grêmio e Internacional?
Segundo projeção do departamento de matemática da UFMG, o Grêmio tem cerca de 29% de risco de queda e o Internacional cerca de 26%.
03
Por que Grêmio e Internacional estão mal no Brasileirão 2026?
Os dois voltaram da pausa da Copa somando 21 pontos em 19 jogos, com aproveitamento baixo. O Inter ainda carrega o pior retrospecto como mandante da competição.

Fonte: Rádio Pampa, Wikipédia (Série A 2026), UFMG · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.