Opinião: o VAR está matando a emoção do futebol brasileiro?
Entre esperas intermináveis e decisões polêmicas, Dona Cléia questiona se a tecnologia trouxe mais justiça ou só mais confusão para as arquibancadas.
Vou logo avisando: não sou contra a tecnologia. Uso meu celular, peço comida por aplicativo e até assisto replay de gol no YouTube. Mas o que estão fazendo com o VAR no futebol brasileiro já passou de todos os limites.
O problema não é o VAR, é como usam
Olha, a ideia é boa. Ninguém quer ver um gol impedido decidir um campeonato. Mas entre a ideia e a execução, tem um abismo do tamanho do Maracanã.
Na rodada passada, tivemos:
- Um jogo que parou 7 vezes para consulta ao VAR
- Uma comemoração de gol que durou 4 minutos e 12 segundos até a confirmação
- Dois pênaltis anulados por lances milimétricos que ninguém no estádio entendeu
Eu pergunto: isso é futebol?
A torcida não aguenta mais
Conversa com qualquer torcedor que vai ao estádio. O sentimento é o mesmo: frustração. Você grita o gol, abraça o desconhecido do lado, chora de emoção — e aí vem aquele silêncio gelado. "Aguarde, lance em análise pelo VAR."
Minutos depois, o gol é anulado porque o dedinho do pé do atacante estava 2 centímetros à frente. Dois centímetros! Me diz se isso realmente muda alguma coisa no lance?
O que precisa mudar
Não estou pedindo para acabar com o VAR. Estou pedindo bom senso:
- Tempo limite de 60 segundos para decisão
- Só revisar erros claros e óbvios — não lance milimétrico
- Transparência — mostrar o áudio do árbitro no estádio
- Treinamento — árbitros que saibam usar a ferramenta
A essência do futebol
Futebol é emoção. É o gol aos 45 do segundo tempo. É o abraço no desconhecido. É chorar sem vergonha na arquibancada. Quando você tira isso, sobra o quê? Um esporte burocrático que ninguém quer assistir.
Pensa comigo: se o gol do Pelé na final de 70 tivesse que passar pelo VAR, será que a gente lembrava dele da mesma forma?
O futebol é feito de momentos. E os momentos não podem ficar esperando um cara numa sala de vídeo decidir se eles valeram ou não.
É isso. Pode discordar. Mas no fundo, vocês sabem que eu tenho razão.
Colunista
Cléia Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.