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Corinthians voltou à Z4 e o hat-trick de Cabral foi a conta

O Corinthians foi ao Nilton Santos, levou 3 a 1 do Botafogo com hat-trick de Arthur Cabral e voltou à zona de rebaixamento do Brasileirão 2026. Era para acontecer em duas rodadas — bateu em uma. A coluna de segunda da Neide Ferreira.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
6 min de leitura
Corinthians voltou à Z4 e o hat-trick de Cabral foi a conta
Arthur Cabral comemora na vitória do Botafogo por 3 a 1 sobre o Corinthians na 16ª rodada do Brasileirão 2026 — Foto: Reprodução / Lance

Domingo, 16h, Nilton Santos. Arthur Cabral entrou em campo carregando o Corinthians no bolso. Saiu de lá com hat-trick, com a torcida do Botafogo cantando o nome dele em coro e com o Timão de volta ao Z4 do Brasileirão — exatamente onde eu havia dito, sete dias atrás, que ele estaria. Cumpriu antes do prazo. Botafogo 3, Corinthians 1. O Timão segue com os mesmos 18 pontos que tinha depois do Majestoso. Sete dias parados na tabela. Sete dias andando para trás. Bem-vindos à Segunda da Neide.

Eu avisei. E foi mais rápido do que eu pensava

Há uma semana eu fechei esta coluna assim: "Diniz comemorou demais ontem. Daqui a duas rodadas, o Corinthians pode estar de volta ao Z4, e a torcida que cantou o nome dele vai pedir cabeça outra vez. Anota aí." Errei numa coisa: subestimei a velocidade do colapso. Não foram duas rodadas, foi uma. O Corinthians saiu de Itaquera com 18 pontos e fora da zona, foi ao Nilton Santos e voltou com os mesmos 18 pontos, dentro do Z4 outra vez. Os adversários andaram. O Timão ficou parado.

Diniz já avisou que foi por "detalhes". Que faltou capricho no primeiro tempo. Que o gol de Arthur Cabral aos sete minutos "tirou o time do jogo". Tudo verdade — e tudo desculpa. Time que tem projeto não toma gol em sete minutos de bola na área. Time que tem projeto não vê o mesmo jogador balançar a rede três vezes na mesma partida sem ninguém pegar nele. O Corinthians não tomou 3 a 1 do Botafogo. Tomou 3 a 1 do Arthur Cabral. Diniz, sozinho, no banco.

O hat-trick que ninguém viu chegar (porque ninguém olhou)

Vou ser justa com o atacante. Arthur Cabral fez três gols redondos: cabeceio aos sete, chute cruzado aos 32, sobra de área no segundo tempo. Os três nasceram do mesmo lugar — a entrelinha entre o zagueiro e o lateral direito do Corinthians, num corredor de cinco metros que o Botafogo achou três vezes seguidas. Diniz montou o Timão num 4-2-3-1 com Carrillo, Garro e Lingard atrás do Yuri Alberto. E o sistema defensivo? O sistema defensivo virou paisagem.

A pergunta não é por que o Botafogo achou aquele espaço. É por que ninguém, no banco do Corinthians, ajustou ele entre os gols. O segundo veio 25 minutos depois do primeiro. O terceiro veio no meio do segundo tempo. Houve tempo, houve intervalo, houve duas substituições. Não houve correção. Diniz disse no domingo que entrou para "tentar reorganizar" e que o time "perdeu profundidade". Perdeu, claro. Perdeu porque alguém olhou para a marcação do Cabral e fez de conta que ele não estava ali.

Yuri Alberto: o capitão que avisou que vai embora

E enquanto o Timão tomava goleada, o nome 9 da camisa juntava metros sem bola e olhares para a arquibancada. Yuri Alberto entrou em campo cinco dias depois de declarar publicamente que quer sair na janela do meio do ano. Avisou ao Sevilla, ao West Ham, ao Fenerbahçe, à torcida e ao Diniz. Saiu do gramado sem gol, sem assistência, sem finalização que merecesse o nome. Pelo menos foi coerente. Quem já se despediu não joga.

Aguento atacante temperamental. Aguento artilheiro que pede aumento. Não aguento jogador que comunica saída no meio da temporada com o time afundando — e ainda vai a campo no domingo seguinte como se nada estivesse acontecendo. Yuri tinha duas opções esta semana: recuar na declaração e dizer que veio mal interpretado, ou tirar o pé e poupar o clube. Escolheu a terceira: jogou apagado, calado, e deixou para o Cabral fazer o que ele já não consegue fazer pelo Timão, que é colocar a bola na rede. O Corinthians paga € 4 milhões por ano para esse desânimo.

Diniz, o gênio de quintal, descobriu o tamanho do problema

Não vou repetir o tom da semana passada. Há sete dias o Diniz tinha acabado de ganhar um clássico improvisado e a torcida que pedia a cabeça dele cantava o nome dele em coro. Eu disse na ocasião que Diniz é o décimo técnico do Corinthians no ano e que ele ainda ia descobrir o tamanho do buraco quando entrasse jogo sem clima de revanche, longe de Itaquera, contra um time qualquer. Foi ao Nilton Santos contra um Botafogo de Franclim Carvalho — adversário irregular, mediano, na média do meio da tabela — e perdeu como time pequeno. Três gols no mesmo cara. Sete partidas no comando e uma boa atuação: o Derby. As outras seis foram remendo.

O drama do Corinthians não é treinador. É projeto. Já passaram dez técnicos por ali na temporada e o problema continua o mesmo: elenco sem laterais, defesa lenta, meio-campo dependente do humor do Garro, ataque rifado pelo titular que pede para ir embora. Resolver isso troca de treinador? Não. Resolver isso pede direção, dinheiro e paciência — três coisas que o Corinthians de 2026 não tem. Diniz, com todo respeito ao currículo, não vai fabricar nenhuma delas.

E a torcida, que cantou o nome do Diniz?

Por enquanto, calou. Calou no Nilton Santos depois do segundo gol, voltou a calar no terceiro, e foi para casa em silêncio. Em sete dias, foi do "Olé, Diniz" para o "Olé, Cabral". O cenário até a próxima rodada é cruel: o Corinthians recebe o Internacional na Neo Química Arena na quarta-feira. Se perderem em casa, vão pedir cabeça do Diniz. Se vencerem, vão querer eleger ele prefeito de São Paulo. E ele vai aceitar com a mesma cara de quem acha que tem projeto. Tem não. Tem talento de leitura tática para um jogo. Para a temporada inteira, precisa de outra coisa. Precisa de um clube de verdade por trás.

Por enquanto, com o devido respeito, o Corinthians de 2026 ainda é o mesmo de 2025: caro, instável, dependente da camisa, e à beira do Z4 toda semana que não tem clássico marcado. Anota aí. De novo. E vamos ver se daqui a duas rodadas o Timão está saindo da zona ou afundando mais.

Até quinta, na polêmica.

Perguntas frequentes

Qual foi o resultado de Botafogo x Corinthians na 16ª rodada do Brasileirão 2026?
Botafogo venceu o Corinthians por 3 a 1 no Estádio Nilton Santos, no domingo 17 de maio de 2026, com hat-trick de Arthur Cabral. Rodrigo Garro descontou para o Timão.
O Corinthians está na zona de rebaixamento do Brasileirão 2026?
Sim. Com 18 pontos e a derrota para o Botafogo, o Corinthians voltou à 17ª posição, dentro do Z4, sete dias depois de ter saído da zona com a vitória sobre o São Paulo no Majestoso.
Quem é o técnico do Corinthians em maio de 2026?
Fernando Diniz comanda o Corinthians. Ele é o décimo treinador do clube na temporada e estreou na função vencendo o São Paulo no Majestoso da 15ª rodada.
Yuri Alberto vai sair do Corinthians na janela do meio do ano?
O próprio atacante declarou publicamente o desejo de buscar novos desafios. O clube fixou piso de 20 milhões de euros pelos 50% dos direitos econômicos e já recusou ofertas de Roma, Lazio e Fenerbahçe.

Fonte: Lance, ESPN, VAVEL, Meu Timão | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.