Yuri Alberto pede saída do Corinthians e clube fixa €20 milhões
Camisa 9 admitiu publicamente o desejo de deixar o Parque São Jorge na janela de meio de ano. Corinthians estipulou piso de 20 milhões de euros pelos 50% dos direitos econômicos e já recusou ofertas de Roma, Lazio e Fenerbahçe.

Yuri Alberto fez questão de transformar a entrevista de classificação para as oitavas da Copa do Brasil em um balcão de negócios. Após marcar o gol que sacramentou a vaga do Corinthians sobre o Barra-SC, o camisa 9 anunciou em zona mista, na noite de quinta-feira, 14, que pediu para deixar o clube ainda em 2026. A frase saiu pronta para virar manchete: "É um pedido meu, do meio do ano em diante, buscar novos objetivos". Com a declaração pública, o atacante puxou o tapete da diretoria e jogou o futuro próximo na vitrine.
A reação do presidente Osmar Stabile veio em tom de despedida antecipada. "Não tem como segurar jogador que não quer ficar", admitiu o dirigente em entrevista divulgada pela CNN Brasil. Internamente, porém, o discurso é menos resignado: o Corinthians vai forçar leilão e impor um piso salgado para liberar o atleta — agora ciente de que perdeu o poder de retenção.
O recado público depois do gol decisivo
A escolha do palco não foi casual. Yuri esperou marcar contra o Barra, garantir os R$ 3 milhões de premiação por oitava da Copa do Brasil (que se somam aos R$ 5 milhões já acumulados na competição) e só então tornou pública uma conversa que já corria nos bastidores desde a última renovação. Ele lembrou que o acordo com Stabile previa que, "caso aparecesse proposta atrativa para o clube, sentaríamos para conversar". Em maio, com a janela europeia se aproximando e a Copa do Mundo de 2026 no horizonte, o "se" virou "quando".
Para um centroavante que repetidamente é convocado por Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira, jogar o Mundial pelo Zenit ou por um clube italiano vale mais do que disputar a parte de cima da tabela do Brasileirão. A pressa, portanto, é estratégica: o atacante precisa de minutagem qualificada na primeira metade da temporada europeia para garantir o lugar entre os 26 convocados em junho de 2026. Empacar mais um semestre no Parque São Jorge, em ano de Copa, não é uma hipótese que ele esteja disposto a aceitar.
A conta que o Parque São Jorge tem na cabeça
O número que pesa nos cálculos do CT do Parque São Jorge é frio: o Corinthians detém 50% dos direitos econômicos, e o Zenit, da Rússia, controla os outros 50%. Para liberar o jogador, o time alvinegro definiu como piso 20 milhões de euros — cerca de R$ 115 milhões — apenas pela sua metade. Isso significa que qualquer pretendente precisa cobrir, somando as duas fatias, um pacote total próximo de 40 milhões de euros antes de comissões e bônus.
Os números explicam por que a diretoria recusou propostas que pareceriam altas em outras condições:
- Roma (Itália): chegou a oferecer R$ 190 milhões em pacote único, mas a divisão com o Zenit zerava o objetivo de caixa do Corinthians.
- Lazio (Itália): mandou proposta de R$ 150 milhões, considerada baixa para o patamar pedido.
- Fenerbahçe (Turquia): apresentou ofertas escalonadas, com a última na casa de R$ 112 milhões — a mais recente rejeitada, segundo apurou o Lance!.
O contrato de Yuri segue vigente até julho de 2030, e a multa rescisória está fixada em 100 milhões de euros para clubes do exterior. Como referência, é o mesmo valor da cláusula que protegeu Endrick antes da ida para o Real Madrid — um piso colocado mais para inibir do que para vender. Em conversa com agentes europeus, a diretoria tem usado essa multa como teto teórico e os 20 milhões de euros como piso real de negociação.
O cenário para o segundo semestre
Sem Yuri, o ataque do Corinthians de Fernando Diniz fica com Memphis Depay como referência principal — e o holandês carrega histórico recente de lesões. O elenco hoje conta com Talles Magno, Romero e Héctor Hernández nas alternativas de centroavante, perfis distintos do camisa 9 que liderou o setor desde 2022. A diretoria já mapeia substitutos no mercado sul-americano, com prioridade para nomes que aceitem chegar por empréstimo com opção de compra — ferramenta usual para times que ainda lidam com sequelas do imbróglio do Shakhtar e do impacto financeiro no fluxo de caixa.
O CT também precisará reformar o orçamento. O salário de Yuri Alberto e o bônus de cláusula de produtividade absorvem parcela relevante da folha do departamento de futebol; uma venda por 20 milhões de euros líquidos abre espaço tanto para a contratação do substituto quanto para a renovação prioritária de jovens da base — e elimina, em parte, o risco de o transfer ban citado pela Fifa voltar a engasgar a temporada.
Próximo capítulo
A janela europeia de meio de ano abre, oficialmente, em 1º de julho na maior parte dos países. Antes disso, o calendário do Corinthians prevê 16ª rodada do Brasileirão neste fim de semana, sequência de jogos contra Botafogo e a definição do mata-mata da Copa do Brasil — cujo sorteio das oitavas está marcado para 26 de maio. Yuri deve seguir titular até o fim do primeiro semestre, com Stabile pressionado a fechar a venda entre o término dessa sequência e o início da preparação para a segunda metade da temporada.
A leitura interna é simples: o cenário ideal envolve Roma ou Fenerbahçe melhorarem a oferta para 25 milhões de euros (R$ 145 milhões) pela parte do Corinthians, mantendo Yuri no clube por mais duas ou três rodadas para evitar baque esportivo. O cenário mais provável, segundo dirigentes ouvidos pela Exame, é uma briga entre três pretendentes em junho — com o atacante, agora, batendo o martelo sobre quem leva.
Perguntas frequentes
- Yuri Alberto vai sair do Corinthians?
- O atacante pediu publicamente para deixar o clube na janela de meio de ano de 2026 e teve aval do presidente Osmar Stabile para analisar propostas, mas a saída depende de oferta que atenda o valor mínimo definido pela diretoria.
- Quanto o Corinthians quer por Yuri Alberto?
- O clube estipulou internamente o piso de 20 milhões de euros (aproximadamente R$ 115 milhões) pelos 50% dos direitos econômicos que pertencem ao Parque São Jorge.
- Quais clubes já ofereceram por Yuri Alberto?
- Roma, Lazio e Fenerbahçe enviaram propostas recusadas pelo Corinthians ao longo de 2026. A oferta italiana mais alta passou de R$ 190 milhões, ainda abaixo do piso pedido pelo conjunto dos detentores.
- Quem é dono dos direitos econômicos de Yuri Alberto?
- O Corinthians detém 50% e o Zenit, da Rússia, mantém os outros 50%. Qualquer venda precisa atender as duas partes na divisão do valor.
Fonte: CNN Brasil, Exame, Terra, Placar | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


