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São Paulo só está no G4 enquanto o Brasileirão for compreensivo

Roger Machado entrou no Majestoso achando que tinha um G4 consolidado. Saiu de Itaquera com a defesa rasgada, o meio-campo desaparecido e a história de que o São Paulo é candidato ao título virou piada. A coluna de segunda da Neide Ferreira.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
6 min de leitura
São Paulo só está no G4 enquanto o Brasileirão for compreensivo
Roger Machado lamenta gol do Corinthians no Majestoso da Rodada 15 do Brasileirão 2026 — Foto: Reprodução / Gazeta Esportiva

Domingo, 18h30, Neo Química Arena. O São Paulo entrou em campo com pose de candidato à Libertadores e saiu de Itaquera com a defesa em pedaços, o meio-campo desaparecido e Roger Machado tentando explicar o inexplicável na coletiva. Corinthians 3, São Paulo 2. Um Majestoso quente, polêmico, decidido no segundo tempo — e que devolveu o Tricolor à realidade que a tabela disfarçava. Bem-vindos à segunda de quem viu o jogo. Para mim, o São Paulo só está no G4 enquanto o Brasileirão for compreensivo. E o campeonato, em maio, costuma perder a paciência.

O Tricolor que entrou no Majestoso era de papelão

Vou ser direta. O São Paulo chegou ao clássico da 15ª rodada como quarto colocado e querendo consolidar a vaga na Libertadores. Roger Machado escalou três atacantes — Ferreirinha, Artur e Luciano — e prometeu pressão alta. Pressionou trinta minutos, fez o gol de empate aos 40 do primeiro tempo num erro grosseiro de Raniele, e a torcida tricolor que invadiu Itaquera pensou que tinha o jogo na mão. Doce ilusão.

No segundo tempo, Fernando Diniz fez o que o Diniz sabe fazer melhor: amarrou o meio-campo do adversário, mandou o Garro pisar na bola, soltou o Yuri Alberto pelos lados e transformou o Tricolor numa equipe de quintal. Matheuzinho fez um golaço aos 6 minutos da etapa final, deixando Ferreirinha no chão e tocando no canto. Breno Bidon ampliou minutos depois, recebendo de Garro e empurrando para a rede. Aos 43, o próprio Matheuzinho marcou contra em escanteio, e o São Paulo descobriu, tarde demais, que tinha levado três num clássico em que era favorito. Não é diferença de elenco. É diferença de projeto.

Roger Machado foi pego em campo aberto pelo Diniz

A coluna de hoje precisa fazer justiça. O técnico que há uma semana eu chamei aqui de "mascarado em crise" foi o mesmo que, em dois turnos taticos, desmontou o sistema do São Paulo. Fernando Diniz não pediu desculpa, não mudou de discurso, não fez retiro espiritual. Ele simplesmente ganhou. E ganhou jogando com 11 jogadores improvisados num Corinthians sem Memphis, sem André, sem Allan, com sete desfalques importantes. É vergonhoso para qualquer treinador adversário perder assim. Para o São Paulo, que tem orçamento três vezes maior, é constrangedor.

Roger insistiu nos pontas pela velocidade, esqueceu que o meio-campo precisa de dono e empilhou jogadores ofensivos sem conexão. O resultado foi um Tricolor partido em dois, com Bobadilla isolado tentando segurar o miolo e os dois laterais subindo sem cobertura. Quando Garro começou a achar Yuri Alberto entre as linhas, o jogo virou. Não houve mudança no intervalo — Roger explicou que esperava "ajuste" durante a partida. Esperou tanto que perdeu. Tem treinador que confunde calma com cegueira. Roger parece ter os dois sintomas.

O VAR de sete minutos, Bobadilla e a piada do dia

E como Brasileirão não é Brasileirão sem polêmica de apito, Anderson Daronco entregou o capítulo cômico da noite. Aos 40 do primeiro tempo, depois do gol de Luciano, o VAR chamou o árbitro ao monitor para revisar um suposto gesto obsceno do paraguaio Bobadilla na comemoração. Sete minutos parados. Sete. Daronco assistiu, voltou, conferiu, conversou com o quarto árbitro e, no final, decretou a sentença que entrou para a história: "não toca na genitália". Não havia infração punível. Foi mesmo? Então pra que parar o jogo por sete minutos?

O VAR brasileiro virou esse poço sem fundo de revisão sobre nada. Confere comemoração, confere xingamento, confere reclamação. Quando precisa decidir o que decide jogo de verdade — pênalti, impedimento milimétrico, mão na bola em finalização — leva o mesmo tempo, mas erra com mais frequência. Aliás, é bom registrar: a crise de credibilidade da arbitragem que eu venho falando aqui toda semana não melhora porque, em vez de aprimorar o protocolo, a CBF prefere bancar essa novela paralela. Sete minutos para descobrir que o jogador não tocou na genitália. Salve a tecnologia.

Corinthians: o time que só vence quando o uniforme tem peso histórico

Outro lado da mesma moeda: o Corinthians chegou ao Majestoso na 17ª posição, com 15 pontos, dentro do Z4, sem dinheiro para pagar salários em dia, com elenco curto e técnico recém-absolvido pelo STJD. Saiu de Itaquera com 18 pontos, fora do rebaixamento e com a torcida cantando o nome do Diniz que ela mesma tinha mandado embora há três dias. Existe time mais imprevisível no futebol brasileiro? Existe. Mas nenhum tem mais teatro.

O Timão joga quando precisa. Quando a história aperta. Quando é Derby, é Majestoso, é Libertadores. Nos jogos pequenos, perde para a Chapecoense, empata com o Bragantino, leva susto da Ponte. Esse padrão não é virtude — é vício. E vício de time grande tem prazo de validade curto. Diniz comemorou demais ontem. Daqui a duas rodadas, o Corinthians pode estar de volta ao Z4, e a torcida que cantou o nome dele vai pedir cabeça outra vez. Anota aí.

O G4 do São Paulo é mais frágil do que parece

Voltando ao Tricolor. Tecnicamente, o São Paulo continua em quarto, com 24 pontos. Não caiu na tabela. Mas a 15ª rodada terminou com três pontos separando o sétimo colocado do 17º: qualquer derrota numa quarta-feira de meio de semana joga o time pra fora do bloco. O Tricolor enfrenta Libertadores na semana, tem viagem internacional, elenco curto na criação e um treinador que ainda não convenceu ninguém de que sabe segurar um jogo grande.

Se o São Paulo quiser sustentar a vaga até dezembro, Roger Machado vai precisar urgentemente de duas coisas: um meio-campo que jogue de costas para o gol sem perder a bola, e um discurso menos triunfalista. Porque o que se viu ontem em Itaquera não foi azar nem arbitragem nem campo molhado. Foi um Corinthians improvisado lendo o jogo melhor do que o time bilionário. E quando isso acontece em maio, na 15ª rodada, eu vou anotando no caderninho. Em dezembro, abro o caderno de novo, e a gente confere se o G4 era de verdade ou era empréstimo. Por enquanto, é empréstimo com data marcada para devolução.

Até quinta, na polêmica.

Perguntas frequentes

Qual foi o resultado do Majestoso da Rodada 15 do Brasileirão 2026?
Corinthians venceu o São Paulo por 3 a 2 na Neo Química Arena, no domingo 10 de maio de 2026, com gols de Raniele, Matheuzinho e Breno Bidon.
Quem marcou os gols do São Paulo no Majestoso?
Luciano fez o gol de empate ainda no primeiro tempo, aproveitando erro de Raniele, e Matheuzinho marcou contra aos 43 minutos do segundo tempo, em escanteio.
O São Paulo continua no G4 do Brasileirão 2026?
Sim, o São Paulo permanece em 4º lugar com 24 pontos mesmo após a derrota, mas a vantagem ficou frágil em uma tabela em que três pontos separam o 7º do 17º.
O Corinthians saiu da zona de rebaixamento?
O Corinthians chegou a 18 pontos com a vitória e saiu temporariamente do Z4, ficando à mercê dos resultados dos rivais diretos na sequência da rodada.

Fonte: Gazeta Esportiva, CNN Brasil, Lance, Meu Timão | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.