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Opinião

Liga Europa: o sorteio que cobra atenção além da Champions

O novo desenho da Liga Europa ganha peso quando o sorteio põe Juventus, Milan, Benfica, Real Sociedad e Celta na mesma conversa de oito rodadas.

Marcos Vinícius SantosMarcos Vinícius Santos5 min de leitura
Liga Europa: o sorteio que cobra atenção além da Champions
Sorteio da Liga Europa em Mônaco definiu os oito rivais de cada clube na fase de liga — Foto: Reprodução / ge

A Liga Europa 2026/27 não deveria aceitar o papel de intervalo entre as noites de Champions. O sorteio desta sexta-feira, em Mônaco, trouxe Juventus, Milan, Benfica, Real Sociedad, Celta, Lyon e Olympique de Marselha para uma mesma tabela de 36 clubes. Não há mais grupo confortável para esconder uma campanha morna. Há oito partidas, uma classificação única e uma cobrança que começa bem antes de fevereiro.

O torneio ainda terá sua hierarquia financeira abaixo da Champions, claro. Mas futebol não cabe apenas na prateleira do contrato de TV. A Liga Europa ganhou um desenho que recompensa o time capaz de sobreviver a uma agenda diversa: uma visita a Turim, uma noite em Glasgow, um deslocamento longo e uma partida que parecia simples no papel. É aí que a competição revela personalidade.

O sorteio não entrega uma estrada reta

A lista oficial da UEFA confirma oito adversários para cada participante: dois de cada pote, com um jogo em casa e outro fora. Clubes da mesma associação não se enfrentam, e cada equipe pode encontrar no máximo duas de uma mesma federação. A regra é limpa; a experiência, nem tanto. A relação completa divulgada pela UEFA expõe por que a régua precisa ser mais alta do que a simples contagem de nomes conhecidos.

O Benfica, por exemplo, terá Milan fora, além de AZ Alkmaar, Celtic, Viktoria Plzeň, Lech Poznań, Omonia, OFI Crete e N.E.C. no roteiro. A Juventus recebe a Real Sociedad e viaja para encarar AZ Alkmaar e Celta. São calendários que misturam tradição, estilos e distâncias; reduzir isso a “sorte boa” ou “sorte ruim” é a forma mais preguiçosa de olhar o torneio.

O peso real está na capacidade de administrar uma fase de liga inteira sem o conforto de um adversário repetido na rodada seguinte. Um tropeço em setembro não encerra nada, mas passa a fazer companhia à ansiedade de janeiro. Para clubes que tratam a Liga Europa como plano B, essa lentidão de julgamento pode ser uma armadilha.

A tabela única transforma cada rodada em disputa

O formato precisa de atenção porque muda o vocabulário da campanha. Os oito primeiros avançam diretamente às oitavas; quem termina entre nono e 24º disputa o playoff; do 25º ao 36º, a temporada europeia acaba. O ge detalhou os confrontos e a estrutura, enquanto o regulamento da UEFA deixa claro que a classificação nasce do desempenho nas oito rodadas, não de uma briga isolada dentro de um grupo de quatro.

É uma mudança que tira importância do placar simbólico e eleva o valor da consistência. Vencer um gigante em casa continua memorável; perder pontos contra um rival de pote inferior passa a custar mais do que uma anedota de quinta-feira. A fase deixa de ser um corredor de entrada para se tornar parte central da obra.

Para o torcedor brasileiro, isso também muda a escolha do que acompanhar. A Europa League não é só vitrine de clubes que ficaram fora da Champions. É um torneio onde uma Real Sociedad pode cruzar com Juventus, Lyon e Crystal Palace, onde o Celta terá Juventus, Marselha e Celtic no caminho, e onde o Benfica encontra o Milan sem a cerimônia de uma semifinal. Os jogos grandes não precisam esperar abril para existir.

A Sexta Europeia pede curiosidade, não condescendência

A Champions seguirá concentrando estrelas, audiência e a grandiosidade de sempre. A análise do sorteio da principal competição, publicada ontem em Sorteio da Champions confirma que peso ainda decide, não perde validade por isso. Mas a Liga Europa oferece outra coisa: uma competição menos protegida pela previsibilidade, com mais equipes que precisam provar em campo que o nome do escudo ainda vale alguma coisa.

Há um risco na pressa de chamar esse modelo de democrático. Potes e coeficientes continuam organizando o ponto de partida, e tradição segue sendo vantagem. Só que a fase de liga amplia a responsabilidade de quem parte na frente. A Juventus não ganha nada por ser Juventus; o Benfica não recebe caminho livre por carregar sua história; o Milan não vive de fotografia antiga.

A bola começa a rolar em 16 e 17 de setembro, segundo o calendário da UEFA, e a última rodada será em 28 de janeiro. Até lá, a Liga Europa terá tempo suficiente para derrubar a desculpa mais confortável do futebol continental: a de que só a Champions merece ser vista com seriedade.

A verdadeira Sexta Europeia não deveria terminar quando o sorteio acaba. Ela começa ali, justamente quando os clubes descobrem que terão oito chances — e oito cobranças — para justificar o lugar que ocupam.

Fonte: ge · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.