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Beirado Campo
Opinião

Fluminense: semana cheia exige escolhas, não euforia

A primeira semana livre de Marcão dá ao Fluminense tempo para corrigir detalhes e recuperar atletas, mas o calendário não permite transformar descanso em comemoração.

Neide FerreiraNeide Ferreira5 min de leitura
Fluminense: semana cheia exige escolhas, não euforia
Marcão orienta o Fluminense em uma sequência que coloca Brasileirão e Libertadores no mesmo planejamento — Foto: Reprodução / ge

O Fluminense com semana cheia tem uma oportunidade que parecia luxo há poucos dias: parar, olhar o próprio jogo e decidir o que quer ser sob Marcão. Mas convém baixar a bola antes que a palavra “folga” vire alibi. O time venceu o Remo por 2 a 1, chegou aos 41 pontos e se manteve perto do Athletico-PR; ainda assim, cinco dias de trabalho não são uma medalha. São uma prova de organização.

Marcão ganha sua primeira semana inteira para treinar desde que assumiu o time. A agenda oferece um raro intervalo até domingo, quando o Flu visita o Athletico-PR pela 25ª rodada. Depois, chegam Vasco pelo Brasileiro e Platense pela Libertadores. É justamente aí que a semana livre deixa de ser descanso de almofada e passa a cobrar discernimento de quem escala, recupera e mexe no time.

O torcedor tricolor tem motivo para enxergar o momento com esperança. Só não precisa confundir esperança com carimbo de “problema resolvido”. Futebol brasileiro adora entregar uma vitória de virada e, no dia seguinte, abrir a loja oficial da tranquilidade. Ela fecha rápido.

A semana cheia precisa corrigir, não apenas descansar

O ponto mais importante não é colocar os jogadores para correr mais. Marcão explicou ao ge que a comissão reduziu parte do tempo de campo para trabalhar correções por vídeo. Faz sentido: uma equipe que terá Brasileiro e mata-mata continental pela frente precisa entender melhor as distâncias entre setores, as coberturas e o que fazer quando o jogo pede outra rota.

O Flu mostrou força para reagir contra o Remo, mas também ouviu vaias no intervalo. A vitória não apaga o recado do primeiro tempo. A partida teve um roteiro de recuperação, não de passeio. Segundo o UOL, o resultado deixou o time com 41 pontos, atrás do Athletico-PR nos critérios de desempate. O próximo adversário, portanto, não é uma data simpática no calendário: é um confronto direto que mede se a reação ganhou consistência.

Essa é a hora de definir automatismos simples. Quem protege a entrada da área quando os laterais avançam? Quem oferece passe seguro quando a pressão aperta? Quem acelera a transição sem abandonar a recomposição? São perguntas pouco glamourosas, eu sei. Não rendem montagem com música épica. Rendemos mais pontos quando são respondidas.

O Athletico já apareceu recentemente no radar do Brasileiro, inclusive na preparação para Botafogo x Athletico-PR. Para o Fluminense, o desafio em Curitiba pede menos ansiedade com a tabela e mais precisão para atacar um rival que está à frente com a mesma pontuação.

Recuperar peças é escolher melhor, não acumular nomes

Há uma segunda frente tão importante quanto a tática. Savarino pode ganhar ritmo nesta semana; Freytes está em fase final de recuperação; Samuel Xavier, que deixou o jogo contra o Remo com problema no ombro, ainda será reavaliado. Nenhum desses casos deve ser tratado como anúncio de escalação. A diferença entre ter uma opção e ter um jogador pronto para começar uma partida decisiva costuma aparecer no minuto 70, quando o plano bonito vira corrida atrás de cobertura.

Marcão também tem uma disputa saudável pelos lados. Soteldo e Canobbio foram utilizados como titulares, enquanto Kevin Serna participou de três gols nos últimos três jogos, de acordo com o ge. O mérito da comissão não será apenas premiar quem está em boa fase. Será encontrar combinações que preservem intensidade e não deixem o time dependente de um lance individual para sair de um aperto.

É uma preocupação válida porque o Fluminense não terá uma competição para esconder a outra. O Brasileiro cobra posição e margem de segurança; a Libertadores cobra leitura de mata-mata. O próprio calendário recente do portal já mostrou como uma rodada nacional pode embaralhar a disputa no topo, como em Cruzeiro x Flamengo pelo Brasileirão. Ninguém ganha espaço relevante na tabela esperando que os concorrentes façam o serviço.

O termômetro real vem em Curitiba

O discurso de que “agora vai” só terá valor se o time levar ao campo algo reconhecível contra o Athletico-PR. Não se trata de exigir espetáculo em cada posse. Trata-se de exigir que o Fluminense saiba qual partida quer jogar e mantenha essa ideia quando o adversário apertar.

Se Marcão aproveitar a semana para acertar a estrutura sem inventar laboratório a cada treino, o elenco pode chegar mais preparado à sequência. Se ela servir só para celebrar a virada sobre o Remo e produzir manchetes sobre paz, a conta vem rápido — e com juros de Libertadores.

O Fluminense não precisa de euforia. Precisa de escolhas. A semana cheia é útil justamente porque permite fazê-las com calma antes de o calendário voltar a berrar.

Fonte: ge · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.