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Iraque x Noruega: a estreia de Haaland e o sonho de 40 anos

A Noruega de Erling Haaland volta a uma Copa do Mundo depois de 28 anos e estreia diante do Iraque de Graham Arnold, que rompeu um jejum de quatro décadas. Horário, onde assistir, escalações prováveis e a análise tática do fechamento da 1ª rodada do Grupo I, no Gillette Stadium.

Patrícia Mendes
Patrícia Mendes
6 min de leitura
Iraque x Noruega: a estreia de Haaland e o sonho de 40 anos
Ilustração — Gillette Stadium iluminado para a estreia de Iraque e Noruega pelo Grupo I da Copa do Mundo 2026

Há jogadores que esperam a vida inteira por um palco que parece nunca chegar. Erling Haaland, o melhor finalizador do planeta, é um deles. Quando Iraque x Noruega começar nesta terça-feira (16), às 19h de Brasília, no Gillette Stadium, o gigante de Bryne fará algo que parecia improvável para alguém de seu calibre: a estreia em Copas do Mundo, aos 25 anos. A Noruega voltou a um Mundial depois de 28 anos, e o homem que comanda esse retorno chega faminto.

Do outro lado do gramado, uma história ainda mais longa de espera. O Iraque encerra a primeira rodada do Grupo I — o mesmo que reúne França e Senegal, que se enfrentam mais cedo — carregando o peso e a alegria de um retorno de 40 anos. Os Leões da Mesopotâmia não disputavam uma Copa desde o México, em 1986, e voltaram pela porta mais difícil possível.

Onde assistir Iraque x Noruega: ficha do jogo

JogoIraque x Noruega
CompetiçãoCopa do Mundo 2026 — Grupo I (1ª rodada)
DataTerça-feira, 16 de junho de 2026
Horário19h (Brasília)
LocalGillette Stadium, Foxborough (EUA)
Onde assistirCazéTV (YouTube)

O Gillette Stadium, casa do New England Patriots na NFL, fica em Foxborough, a meio caminho entre Boston e Providence. É um dos palcos da Copa que mais preocupa pelo calor e pela umidade do verão americano, um detalhe que pode pesar mais sobre os europeus do que sobre os iraquianos, acostumados a temperaturas extremas.

A Noruega quebra o jejum com a geração mais talentosa de sua história

Vinte e oito anos é tempo demais para um país que se acostumou a ver de fora as grandes festas do futebol. A última vez que a Noruega pisou num Mundial foi em 1998, na França, quando bateu o Brasil por 2 a 1 e avançou às oitavas de final num jogo que entrou para o folclore escandinavo. De lá para cá, foram seis edições assistindo pela TV — mesmo com craques como Ole Gunnar Solskjær e, depois, John Carew passando pela seleção.

A diferença agora tem nome e sobrenome. Ou melhor, dois. Haaland, a máquina de gols do Manchester City, e Martin Ødegaard, o capitão e cérebro criativo formado no Arsenal, sustentam um projeto que finalmente entregou resultado. Sob o comando de Ståle Solbakken, a Noruega fez uma campanha de eliminatórias quase perfeita, com aproveitamento que a colocou entre as seleções mais regulares da Europa. Haaland chega como um dos grandes candidatos à artilharia da Copa, e a estreia é a chance de transformar números de clube em legado de seleção.

O ponto de atenção dos noruegueses é a falta de rodagem em torneios desse porte. Nenhum dos titulares jamais disputou uma Copa do Mundo, e a pressão de carregar o favoritismo num grupo equilibrado é uma experiência nova. Em amistoso de preparação, a equipe empatou em 1 a 1 com o Marrocos, sinal de que o ataque ainda busca o ritmo ideal.

A leitura tática de Solbakken é direta: construir com paciência pelos lados, usar Ødegaard como elo entre o meio e o ataque e municiar Haaland na área. Antônio Nusa, ponta veloz do Leipzig, é a carta para atacar o espaço nas costas dos laterais iraquianos, enquanto Jørgen Strand Larsen oferece um segundo centroavante para flutuar e abrir caminho ao camisa 9. Se a Noruega impuser o ritmo desde o início, a tendência é de domínio territorial.

O Iraque de Graham Arnold e o retorno épico de 40 anos

Se a história norueguesa é de reencontro, a iraquiana é de superação pura. A seleção não disputava uma Copa desde 1986, quando perdeu os três jogos da fase de grupos no México. O jejum só foi quebrado graças a uma campanha dramática nas eliminatórias asiáticas e a uma classificação decidida no detalhe: o Iraque garantiu a vaga na repescagem intercontinental, batendo a Bolívia por 2 a 1 e desencadeando uma festa nacional.

O arquiteto desse feito é um velho conhecido do futebol da Ásia e da Oceania: o australiano Graham Arnold. Ex-técnico da seleção da Austrália, Arnold assumiu um trabalho que ele próprio definiu como um dos mais difíceis do mundo — comandar uma seleção que enfrenta instabilidade logística, mas que tem uma torcida apaixonada e um elenco mais qualificado do que o ranking sugere. Com a classificação, ele se tornou o primeiro australiano a levar duas nações diferentes a Mundiais masculinos.

Em campo, o Iraque deve apostar num bloco defensivo compacto, com linhas próximas e transições rápidas pelos lados. O centroavante Aymen Hussein é a principal referência ofensiva, e a estratégia provável passa por sufocar os espaços centrais para tirar Haaland da jogada. Em amistoso recente, porém, a equipe foi superada pela Venezuela por 2 a 0, escancarando a dificuldade de criar volume contra adversários organizados. Contra a Noruega, a missão é clara: defender com disciplina e tentar surpreender na bola parada e no contragolpe.

Iraque x Noruega: o que esperar da estreia no Grupo I

O confronto coloca frente a frente dois projetos com pesos diferentes de favoritismo, mas igual carga emocional. A Noruega chega como franca favorita pela qualidade individual e pela necessidade de pontuar antes dos duelos contra Senegal e França. Um tropeço na estreia complicaria demais a vida de Solbakken num grupo tão disputado — e é por isso que a equipe não pode se dar ao luxo de subestimar o adversário.

O Iraque, por sua vez, joga com a leveza de quem já realizou o sonho de chegar até aqui. Sem a pressão do favoritismo, pode se fechar, apostar na organização de Arnold e transformar a partida num jogo truncado, o cenário que mais incomoda uma seleção estreante em Mundiais. Para entender por que cada ponto vale ouro num torneio com 48 seleções e nova fórmula de classificação, basta lembrar que apenas os dois primeiros de cada grupo avançam com tranquilidade.

A aposta aqui é num triunfo norueguês construído na paciência e coroado pela qualidade de Haaland e Ødegaard, mas com um Iraque combativo cobrando caro cada espaço. A festa de 40 anos dos Leões da Mesopotâmia merece respeito — só não deve ser suficiente para frear a fome de quem esperou 28 anos por esse momento.

Palpite: Iraque 0 x 2 Noruega.

Perguntas frequentes

Que horas é Iraque x Noruega?
A partida começa às 19h (horário de Brasília) nesta terça-feira, 16 de junho, no Gillette Stadium, em Foxborough, na região de Boston.
Onde assistir Iraque x Noruega ao vivo?
O jogo tem transmissão exclusiva da CazéTV, no YouTube, para todo o Brasil.
Em qual grupo estão Iraque e Noruega na Copa 2026?
As duas seleções fazem parte do Grupo I, ao lado de França e Senegal.
Qual a escalação provável da Noruega?
Nyland; Ryerson, Ajer, Heggem, Holmgren Pedersen; Berg, Aursnes; Nusa, Ødegaard, Strand Larsen; e Haaland, sob o comando de Ståle Solbakken.
Há quanto tempo a Noruega não disputava uma Copa do Mundo?
A Noruega não jogava um Mundial desde 1998, na França. São 28 anos de ausência encerrados em 2026.

Fonte: FIFA, ESPN, UEFA, Gazeta Esportiva, Trivela | Informações adicionais por Beira do Campo

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Patrícia Mendes
Patrícia Mendes

Analista Tática

Formada em Educação Física e pós-graduada em Análise de Desempenho Esportivo. Certificada pela UEFA em análise tática. Cobre futebol feminino e masculino com profundidade técnica.