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Opinião

Inter: o Beira-Rio ajuda, mas não promete permanência

Neide analisa o bom início de Eduardo Baptista como mandante e defende que a reação em casa seja medida pela continuidade do trabalho, sem alívio antecipado.

Neide FerreiraNeide Ferreira5 min de leitura
Inter: o Beira-Rio ajuda, mas não promete permanência
Ilustração gerada por IA — estádio fictício com assentos vermelhos representa o debate sobre mando de campo e reação do Inter.

O Inter no Beira-Rio tem uma melhora para defender, mas seria um erro transformar a reação em promessa de permanência. Minha leitura é que a recuperação em casa precisa servir de ponto de partida para o trabalho de Eduardo Baptista. Se virar argumento para antecipar alívio, perde justamente a utilidade que oferece: mostrar ao elenco que existe um caminho possível, ainda dependente do que será feito em campo.

O motivo desta coluna é o levantamento do ge publicado nesta terça-feira, 3 de novembro. Baptista venceu seus dois compromissos como mandante no Brasileirão, contra Corinthians e Botafogo. É um começo positivo. Também é um recorte pequeno demais para encerrar qualquer discussão sobre a capacidade de sustentar a reação.

Inter no Beira-Rio: a melhora precisa de contexto

Os números

Baptista em casa no Brasileirão: recorte até 3/11, antes do Coritiba

Jogos como mandante

2

Vitórias

2

Gols marcados

5

Gols sofridos

1

Fonte: ge, levantamento publicado em 3 de novembro de 2026

Os dados justificam atenção ao trabalho. Não permitem concluir, sozinhos, o que produziu a mudança. Para isso, seria necessário examinar cada partida, suas circunstâncias e as soluções apresentadas pelos adversários. Minha cobrança é que o elogio tenha esse tamanho: reconhecer o avanço sem atribuir ao treinador poderes que uma sequência curta não demonstra.

Há ainda uma comparação que exige cuidado. Segundo o mesmo levantamento, Paulo Pezzolano acumulou três vitórias em 14 jogos como mandante nesta edição. Aproximar o número de triunfos chama atenção, mas as amostras são diferentes. Uma fotografia favorável ao sucessor não reconstitui todos os problemas do antecessor, nem garante que a dificuldade desapareceu com a troca de comando.

O torcedor tem direito de sentir esperança. Quem analisa precisa evitar que a esperança seja apresentada como conclusão estatística. Prefiro enxergar esse começo como oportunidade de consolidar comportamentos, em vez de distribuir certificados antecipados de recuperação. O teste seguinte pode revelar qual parte da melhora se sustenta quando surgirem dificuldades diferentes.

O estádio oferece apoio; a equipe precisa oferecer respostas

Na nota oficial sobre o treino de domingo, dia 1º, o Inter informou atividades de construção ofensiva e um coletivo sob orientação de Baptista. O clube também confirmou o encontro com o Coritiba para esta terça, às 21h30 de Brasília, no Beira-Rio, pela 34ª rodada. Esse é o compromisso concreto diante da equipe.

A notícia do treinamento não prova que todos os ajustes funcionarão. Ela ajuda a localizar onde a responsabilidade deve estar: na preparação e nas escolhas de quem joga e comanda. Eu observaria a capacidade de construir ataques sem transformar cada perda de bola em desorganização. É uma proposta de leitura para a partida, não uma descrição antecipada do que o time fará.

Minha exigência ao Inter seria conseguir levar o jogo adiante mesmo que o primeiro plano encontre resistência. Como buscar espaço quando o adversário fecha os caminhos? Como manter organização quando a pressa aumenta? São perguntas que o trabalho precisa responder. O tamanho da arquibancada, por mais relevante para a experiência do torcedor, não resolve nenhuma delas automaticamente.

Existe um contra-argumento legítimo: uma sequência curta também pode devolver confiança e abrir espaço para uma melhora mais duradoura. Concordo com essa possibilidade. O que recuso é pular da possibilidade para a certeza. Confiança tem valor quando ajuda a equipe a repetir decisões úteis; vira armadilha quando substitui a necessidade de corrigir problemas.

Permanência se acompanha pela tabela, sem número mágico

A tabela do Brasileirão é a referência para acompanhar a disputa. Já o guia sobre pontos para não cair explica por que marcas históricas e segurança matemática precisam ser tratadas separadamente. Nesta coluna, não estabeleço uma pontuação que garanta a permanência do Inter.

Também não aceito que o apoio seja convertido em obrigação de o torcedor compensar qualquer deficiência da equipe. Meu ponto é sobre responsabilidade esportiva: cabe ao time dar razões para que a mobilização tenha continuidade. A arquibancada pode participar da reação, mas não deve receber a conta por tudo que ainda falta melhorar.

A programação disponível está na agenda de jogos. Para o Inter, minha posição antes do Coritiba é esta: aproveitar o que começou a funcionar em casa e continuar trabalhando como uma equipe que ainda precisa demonstrar consistência. O Beira-Rio pode acompanhar a saída de uma crise. A saída precisa ser construída a cada partida, sem transformar um bom início em promessa que ninguém pode cumprir de antemão.

Fonte: ge e Sport Club Internacional; fontes conferidas em 3 de novembro de 2026 · informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

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