Quantos pontos para não cair no Brasileirão 2026: a conta
Com a rodada 20 encerrada, sobram 54 pontos em disputa e doze clubes espremidos em oito. A Chapecoense está mais longe do 19º colocado do que o 19º está do 8º — e a matemática da permanência já separa quem tem trabalho de quem tem missão.
Thiago Borges7 min de leitura
Encerrada a 20ª rodada, a pergunta que organiza a segunda metade do campeonato deixou de ser sobre o título. Quantos pontos para não cair no Brasileirão 2026 é a conta que doze clubes começam a fazer todo domingo à noite, e ela mudou de tamanho: restam 18 rodadas, 54 pontos em disputa e uma tabela em que a distância entre o oitavo e o décimo nono colocado é menor do que a distância entre o décimo nono e o lanterna.
O número exato não existe — a linha de corte oscila a cada edição. Mas existe uma faixa, e ela é razoavelmente estável no formato de 20 clubes e 38 rodadas.
A linha de corte: entre 42 e 45 pontos
O clichê de vestiário fala em 45 pontos. A estatística é um pouco mais generosa. Um estudo do Departamento de Estatística da UFMG, citado pela CNN Brasil, estabelece dois limites duros: 38 pontos ou menos cravam a queda de qualquer time, e 49 pontos garantem a permanência de qualquer time. Entre os dois extremos está a zona cinzenta, com o corte real caindo historicamente perto de 41 ou 42.
Isso dá três referências úteis para ler a tabela de agora em diante:
| Marca | Significado |
|---|---|
| 38 pontos | Teto do rebaixamento — ninguém se salvou com menos |
| 42 pontos | Corte provável na maioria das edições recentes |
| 45 pontos | Segurança confortável, a meta tradicional dos clubes |
| 49 pontos | Permanência matematicamente blindada |
A diferença entre mirar 42 e mirar 45 parece pequena. Em aproveitamento, ao longo de 18 jogos, ela custa mais ou menos uma vitória — que é exatamente a margem que decide rebaixamento.
A tabela depois da rodada 20
A fotografia atual da parte de baixo, com o campeonato passando da metade:
| Pos | Time | P | J | V | E | D | GP | GC | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 8º | Atlético-MG | 28 | 20 | 8 | 4 | 8 | 25 | 25 | 0 |
| 9º | Corinthians | 28 | 20 | 7 | 7 | 6 | 22 | 20 | +2 |
| 10º | Coritiba | 27 | 20 | 7 | 6 | 7 | 25 | 27 | -2 |
| 11º | Cruzeiro | 27 | 20 | 7 | 6 | 7 | 26 | 30 | -4 |
| 12º | São Paulo | 26 | 20 | 7 | 5 | 8 | 25 | 23 | +2 |
| 13º | Vitória | 26 | 20 | 7 | 5 | 8 | 22 | 27 | -5 |
| 14º | Santos | 22 | 20 | 5 | 7 | 8 | 29 | 33 | -4 |
| 15º | Grêmio | 22 | 20 | 5 | 7 | 8 | 22 | 26 | -4 |
| 16º | Internacional | 21 | 20 | 5 | 6 | 9 | 22 | 26 | -4 |
| 17º | Vasco | 21 | 20 | 5 | 6 | 9 | 23 | 31 | -8 |
| 18º | Remo | 21 | 20 | 5 | 6 | 9 | 23 | 32 | -9 |
| 19º | Mirassol | 20 | 19 | 5 | 5 | 9 | 21 | 26 | -5 |
| 20º | Chapecoense | 10 | 20 | 1 | 7 | 12 | 19 | 41 | -22 |
Do oitavo ao décimo nono colocado são oito pontos e doze clubes. Do décimo nono ao lanterna são dez pontos e um clube só. É a inversão que define o campeonato: a briga contra a queda tem doze participantes reais e uma vaga praticamente entregue.
O detalhe do Mirassol importa. São 19 jogos disputados, não 20 — o time tem um confronto atrasado e, portanto, 57 pontos ainda ao seu alcance, contra 54 dos rivais diretos. Uma vitória no jogo pendente o tira do Z4 sem depender de ninguém.
Quantos pontos cada clube ainda precisa
A conta abaixo cruza a pontuação atual com as duas metas — o corte provável (42) e a meta confortável (45) — e traduz o resultado em pontos por jogo nas rodadas restantes:
| Time | P | Faltam p/ 42 | Ritmo p/ 42 | Faltam p/ 45 | Ritmo p/ 45 |
|---|---|---|---|---|---|
| Atlético-MG | 28 | 14 | 0,78 | 17 | 0,94 |
| Corinthians | 28 | 14 | 0,78 | 17 | 0,94 |
| Coritiba | 27 | 15 | 0,83 | 18 | 1,00 |
| Cruzeiro | 27 | 15 | 0,83 | 18 | 1,00 |
| São Paulo | 26 | 16 | 0,89 | 19 | 1,06 |
| Vitória | 26 | 16 | 0,89 | 19 | 1,06 |
| Santos | 22 | 20 | 1,11 | 23 | 1,28 |
| Grêmio | 22 | 20 | 1,11 | 23 | 1,28 |
| Internacional | 21 | 21 | 1,17 | 24 | 1,33 |
| Vasco | 21 | 21 | 1,17 | 24 | 1,33 |
| Remo | 21 | 21 | 1,17 | 24 | 1,33 |
| Mirassol | 20 | 22 | 1,16 | 25 | 1,32 |
| Chapecoense | 10 | 32 | 1,78 | 35 | 1,94 |
O ritmo do Mirassol considera 19 jogos; o dos demais, 18.
A leitura fica clara quando se transforma ritmo em resultado prático. Quem precisa de 0,78 ponto por jogo — Atlético-MG e Corinthians — se salva empatando com alguma frequência e vencendo pouco: quatro vitórias e dois empates em 18 jogos já bastam. Quem precisa de 1,17 — o bloco de 21 pontos — está pedindo algo próximo de seis vitórias e três empates, ou seja, meio ponto por jogo acima do que produziu no primeiro turno inteiro.
Esse é o problema real de Internacional, Vasco e Remo. Os três somaram 21 pontos em 20 jogos, ritmo de 1,05. Para chegar a 42 precisam de 1,17. Para chegar a 45, de 1,33 — quase 27% acima do que entregaram até aqui, sem reforço estrutural garantido e com o calendário apertado pelos torneios continentais no caso do Vasco. A permanência, para eles, não depende de manter o que fizeram: depende de jogar melhor do que jogaram.
Santos e Grêmio, com 22, estão na mesma faixa com um alívio marginal. O detalhe que separa os dois grupos é o saldo — Santos com -4 e 29 gols marcados, o melhor ataque de toda essa parte da tabela, contra os 23 gols e -8 do Vasco. Em critério de desempate, essa diferença vale posição, e vale a pena entender como funcionam os critérios de desempate do Brasileirão 2026 antes que dezembro chegue.
O caso Chapecoense: a matemática que já não fecha
Dez pontos em 20 jogos. Uma vitória, sete empates, doze derrotas, 41 gols sofridos, saldo de -22. O ritmo é de 0,50 ponto por jogo, e projetado para as 38 rodadas resulta em algo perto de 19 pontos — metade do teto de 38 que, segundo o próprio estudo da UFMG, já crava a queda.
Para alcançar 42, a Chapecoense precisaria de 32 pontos em 18 jogos. É mais do que o triplo do que somou no campeonato inteiro, e exige aproveitamento de 59% quando o time entregou 17%. Nenhum critério de plausibilidade estatística sustenta essa reversão: seria necessário que o pior time da competição virasse, da noite para o dia, um time de meio de tabela alto e permanecesse assim por metade de campeonato.
Matematicamente rebaixada a Chape ainda não está. Competitivamente, o intervalo de dez pontos até o 19º colocado — repita-se, maior do que o intervalo de oito pontos que separa o 19º do 8º — descreve um clube que já não disputa a mesma competição que os outros dezenove. O quadro é o oposto do que se via na abertura da rodada 20, quando o Z4 do Brasileirão 2026 tinha seis clubes em três pontos e a lanterna já aparecia descolada.
O que a rodada 21 pode mexer
A 21ª rodada começa nesta quarta-feira e traz dois jogos que alteram diretamente essa conta. Mirassol x Remo, às 19h30, é confronto direto entre 19º e 18º: o vencedor sai da rodada com fôlego real, e um empate mantém os dois na mesma armadilha. Mais acima, Coritiba x Cruzeiro coloca frente a frente 10º e 11º, ambos com 27 pontos, num duelo que decide qual dos dois encosta na faixa dos 30 e se afasta da discussão.
Internacional x Flamengo, também na quarta, é o teste mais duro do bloco ameaçado — o Beira-Rio recebe o time de melhor ataque do campeonato, com 36 gols em 19 jogos, e o Inter precisa exatamente do tipo de ponto que costuma escapar contra os líderes. Enquanto isso, no topo, Palmeiras e Flamengo seguem separados por seis pontos e um jogo a menos do Rubro-Negro, numa disputa que corre em outro plano.
Quatro partidas da rodada — Botafogo x Grêmio, São Paulo x Santos, Atlético-MG x Red Bull Bragantino e Chapecoense x Vasco — ainda não têm data confirmada pela CBF, segundo levantamento da Exame. Três delas envolvem clubes dessa faixa de risco, o que significa que a fotografia da tabela vai demorar mais alguns dias para ficar nítida.
A conclusão que os números permitem
O Brasileirão 2026 chega ao seu segundo turno com uma vaga do Z4 essencialmente definida e três em aberto entre onze candidatos. A faixa de 42 pontos é o alvo mínimo racional; 45 é o alvo prudente. Quem está com 26 ou mais tem trabalho administrável e pode se salvar sem mudar de patamar. Quem está com 21 ou 22 precisa de um segundo turno melhor do que qualquer coisa que tenha produzido em 2026.
E a diferença entre esses dois grupos, hoje, são cinco pontos. Dezoito rodadas é tempo suficiente para essa fronteira mudar de lugar várias vezes — o que a torna, justamente, a disputa mais imprevisível do que resta do campeonato.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Quantos pontos precisa para não cair no Brasileirão 2026?
- A linha de corte costuma ficar entre 42 e 45 pontos. Estudo da UFMG citado pela CNN Brasil aponta que 38 pontos ou menos cravam a queda e 49 garantem a permanência de qualquer clube.
- Quem está no Z4 do Brasileirão 2026 após a rodada 20?
- Vasco e Remo com 21 pontos, Mirassol com 20 em um jogo a menos e Chapecoense com 10 ocupam as quatro últimas posições.
- Quantos jogos faltam no Brasileirão 2026?
- Restam 18 rodadas para a maioria dos clubes, o que significa 54 pontos ainda em disputa. O Mirassol tem 19 jogos pela frente por causa de uma partida atrasada.
- A Chapecoense já está rebaixada no Brasileirão 2026?
- Matematicamente não, mas o clube soma 10 pontos em 20 jogos e precisaria de mais de 30 nas 18 rodadas finais para alcançar a faixa de segurança.
- Qual o aproveitamento necessário para escapar do rebaixamento em 2026?
- Quem está com 21 pontos precisa de cerca de 39% de aproveitamento para chegar a 42 e de 44% para chegar a 45 pontos.
Fonte: Gazeta Esportiva, oGol, CNN Brasil, Exame · informações adicionais por Beira do Campo
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