O melhor do futebol brasileiro, todos os dias
Beira do Campo
BEIRADO CAMPO
Brasileirão

Dorival estreia com empate e São Paulo aposta tudo no Botafogo

Empate de 1 a 1 com o Millonarios marca a volta de Dorival Júnior ao Morumbi. Agora, o Tricolor precisa vencer o Botafogo no sábado para frear a crise no Brasileirão.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
5 min de leitura
Dorival estreia com empate e São Paulo aposta tudo no Botafogo
Dorival Júnior — Foto: Reprodução / Wikipedia

A volta de Dorival Júnior ao São Paulo começou com gosto de quase. Em sua estreia na terceira passagem pelo clube, o treinador viu o time abrir o placar com Luciano e ceder o empate por 1 a 1 ao colombiano Millonarios, na noite de terça-feira (19), no Morumbi, pela 5ª rodada do Grupo C da Copa Sul-Americana. O resultado mantém o Tricolor na liderança da chave, mas com o sopro do rival no cangote — e jogou ainda mais peso sobre o duelo decisivo de sábado contra o Botafogo, pelo Brasileirão.

Empate segurou a liderança, mas não tranquilizou

O roteiro do jogo resumiu o momento do time. Luciano abriu o placar arriscando de longe, o goleiro Novoa falhou e o Morumbi respirou cedo. A vantagem durou pouco: erro de saída de bola de Dória, posse de Hurtado, finalização sem chance — 1 a 1 antes do intervalo. No segundo tempo, o São Paulo administrou mais do que pressionou, e o empate ficou em pé até o apito final, segundo a CNN Brasil.

Com nove pontos, o Tricolor segue no topo do Grupo C, mas com apenas um ponto de vantagem sobre o próprio Millonarios. A liderança virou um detalhe instável: na rodada final, qualquer tropeço pode custar a primeira colocação e empurrar o Tricolor para um chaveamento mais duro no mata-mata.

O treinador retomou o cargo após a queda de Roger Machado, demitido na esteira da eliminação na Copa do Brasil, e foi anunciado como substituto com o discurso de tirar o time de um jejum que já chegava a seis jogos sem vitória.

O peso de seis jogos sem vencer no Brasileirão

Antes da estreia na Sul-Americana, o São Paulo havia sido derrotado pelo Fluminense, fora de casa, por 2 a 1, no último sábado (16), pela 16ª rodada. A derrota no Maracanã estendeu a má sequência e expôs a fragilidade defensiva que vinha sendo questionada desde a saída de Hernán Crespo, ainda em março.

Com 24 pontos, o Tricolor figura em quarto lugar — uma posição que vende bem, mas que esconde margem mínima para o G5. A leitura interna no clube é que a tabela ainda permite consertar o estrago, desde que a reação venha rápido e em casa.

É aí que entra o Botafogo. O sábado, às 17h, no Morumbi, deixa de ser apenas mais uma rodada. Para Dorival, é o palco em que o Brasileirão ganha ou perde tração. Vencer não tira o time do quarto lugar de imediato, mas devolve confiança ao elenco e contém uma narrativa que começou a tratar a temporada como cíclica.

Recuperações no DM e desfalques no setor ofensivo

A pauta dos próximos dias na Barra Funda passa pelo departamento médico. Pablo Maia, que vinha de cirurgia no nariz e na face, evoluiu fisicamente e voltou a treinar com bola — o nome desponta como reforço imediato para o meio. Marcos Antônio, em transição após lesão no reto femoral direito, depende apenas da liberação dos médicos para ser relacionado.

Os dois retornos não são coadjuvantes. Recompor a cabeça de área com nomes acostumados ao protagonismo dá a Dorival a possibilidade de mexer no time titular já contra o Botafogo, em vez de gastar mais rodadas tateando.

No setor ofensivo, há baixas. André Silva e Bobadilla cumprem suspensão e ficam fora. A solução tende a passar por Calleri, com a missão de quebrar jejum particular de gols, em parceria com Luciano — autor do gol da estreia e visivelmente reaproximado da titularidade.

Botafogo chega instável, mas com moral alta

Do outro lado, o Botafogo vem de boa vitória sobre o Corinthians por 3 a 1, com Arthur Cabral protagonizando atuação decisiva. A confiança da equipe carioca passa pelo centroavante e pelo retorno de Edenílson ao meio-campo, peça que destravou a transição ofensiva.

O técnico Franclim Carvalho, no entanto, terá problemas para escalar. Alex Telles, Mateo Ponte e Medina estão suspensos. Danilo, recém-convocado para a Copa do Mundo, segue como dúvida e pode ser preservado. A escalação alternativa força improvisações que abrem espaço para o São Paulo explorar o lado esquerdo defensivo adversário.

O que está em jogo para Dorival no sábado

A volta de Dorival ao São Paulo é, antes de tudo, uma volta política. O clube, pressionado por resultados e pela crise interna que veio à tona em áudios, apostou em um nome conhecido da torcida para estabilizar o ambiente.

A resposta começa contra o Botafogo. O discurso do vestiário tem girado em torno da palavra "reação". O empate na Sul-Americana, ainda que tenha mantido a liderança, não basta. O Brasileirão é o palco onde o São Paulo precisa parar de perder gordura para os concorrentes diretos.

Se vencer, Dorival reabre o caminho para o São Paulo se consolidar no G4 e ganha fôlego para implementar mudanças mais profundas. Se tropeçar, em casa e diante de um adversário com baixas, a pressão volta forte sobre um trabalho que mal começou. Sábado, às 17h, o Morumbi não vai cobrar três pontos. Vai cobrar uma identidade.

Fonte: Lance, CNN Brasil, ESPN, Avante Meu Tricolor | Informações adicionais por Beira do Campo

#sao-paulo#dorival-junior#brasileirao-2026#botafogo#morumbi
Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.