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São Paulo demite Roger Machado após queda na Copa do Brasil

Eliminado pelo Juventude por 3 a 1 na quinta fase, o São Paulo dispensou Roger Machado nesta quinta-feira (14). Comissão fixa assume contra o Fluminense enquanto a diretoria acelera por Dorival Júnior.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
4 min de leitura
São Paulo demite Roger Machado após queda na Copa do Brasil
Roger Machado deixa o São Paulo após 17 jogos e queda na Copa do Brasil — Foto: Reprodução / CNN Brasil

A paciência acabou rápido no Morumbi. Roger Machado foi demitido do São Paulo nesta quinta-feira (14), menos de 24 horas depois da queda por 3 a 1 para o Juventude, no Alfredo Jaconi, que custou ao Tricolor a vaga nas oitavas da Copa do Brasil 2026. A diretoria comunicou a decisão pela manhã e iniciou imediatamente as conversas para escolher o substituto, com Dorival Júnior despontando como Plano A.

O ciclo durou apenas 17 partidas. Contratado em 10 de março após a saída de Hernán Crespo, Roger fechou a passagem com 7 vitórias, 4 empates e 6 derrotas — aproveitamento de 49% e a marca indesejada de ser o segundo treinador demitido pelo clube em 2026.

A noite que selou a saída

A eliminação ganhou contornos dramáticos. Com vantagem mínima do 1 a 0 conquistado no Morumbi, o São Paulo viu Ferreirinha ser expulso 30 segundos depois de entrar em campo, ainda no primeiro tempo, em lance de divisão com Rodrigo Sam interpretado como agressão pela arbitragem. Com um a menos por mais de uma hora, o Tricolor cedeu à pressão alta do Juventude, sofreu pelo alto e levou três gols — de Gabriel Pinheiro, Marcos Paulo e Mandaca, este último livre na área aos 49 do segundo tempo.

Tapia descontou e, por instantes, manteve a vaga em jogo, mas a defesa entregou a virada no agregado no momento decisivo. O vexame fora de casa, somado a uma sequência de cinco jogos sem vencer (duas derrotas e três empates), encerrou o crédito interno do treinador. As vaias que pressionavam Roger desde a chegada viraram coro da diretoria.

O custo da demissão e a próxima decisão

Segundo as fontes consultadas, a rescisão deve girar em torno de R$ 2,4 milhões — valor que cobre Roger e os auxiliares contratados em março. É a segunda fatura paga pelo São Paulo em 2026 por troca de comando, depois da saída de Crespo, e impõe à diretoria uma decisão técnica e financeira de peso. O presidente Julio Casares e o diretor de futebol querem um nome com perfil de identidade tricolor, capaz de devolver competitividade no Brasileirão e ainda viabilizar campanha na Sul-Americana.

A janela de decisão é curta. O São Paulo joga pelo Brasileirão no fim de semana, contra o Fluminense, e na terça-feira (19) encara o Millonarios em Bogotá pela Sul-Americana. Membros da comissão fixa devem comandar o time no jogo contra o tricolor carioca, mas a diretoria trabalha para ter o novo treinador no banco já na Colômbia.

Dorival Júnior, Ceni e Vojvoda no radar

Dorival Júnior é o nome forte. Livre desde a saída do Corinthians, o campeão da Copa do Brasil de 2023 com o Tricolor voltou ao topo da lista — internamente, é visto como o técnico que entrega liderança imediata de vestiário e leitura de jogo já testada na casa. O entrave é financeiro: o salário pedido fica acima do teto que a gestão se propôs a pagar a Roger.

Rogério Ceni, ídolo histórico, também é avaliado. O retorno teria peso simbólico e baixa resistência da torcida, mas a diretoria pondera o risco político caso o início seja ruim — Ceni tem dois ciclos no clube e um deles foi encerrado em meio a crise. O argentino Juan Pablo Vojvoda, que deixou o Santos recentemente, completa a lista como aposta de estilo intenso e identidade construída na boa passagem pelo Fortaleza.

O que está em jogo

Cair na Copa do Brasil custou caro: o São Paulo perdeu a competição que historicamente paga melhor em premiação e que recolocaria o clube na disputa por título nacional em 2026. Sobram o Brasileirão — em que o time vive irregularidade desde a abertura — e a Sul-Americana, vista internamente como caminho realista para voltar à Libertadores em 2027.

A pressão sobre Casares cresce na mesma medida. A torcida, que já organizava protestos nas redes, cobra um projeto técnico claro depois de dois ciclos curtos e duas rescisões pesadas no mesmo semestre. Sem identidade definida, com elenco caro e fôlego financeiro limitado, a próxima escolha precisa acertar.

A diretoria sabe disso. E corre contra o relógio.

Perguntas frequentes

Por que o São Paulo demitiu Roger Machado?
A diretoria entendeu que a eliminação para o Juventude por 3 a 1, somada a cinco jogos sem vencer, tornava o ciclo insustentável.
Quem assume o São Paulo no jogo contra o Fluminense?
A comissão técnica fixa do clube comanda o time no compromisso do fim de semana pelo Brasileirão, enquanto a diretoria fecha o novo treinador.
Quem é o favorito para substituir Roger Machado?
Dorival Júnior é o Plano A da diretoria são-paulina, com Rogério Ceni e Juan Pablo Vojvoda também monitorados como alternativas.
Quantos jogos Roger Machado fez no São Paulo?
Foram 17 partidas em pouco mais de dois meses: 7 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, com aproveitamento de 49%.

Fonte: CNN Brasil, Gazeta Esportiva, VAVEL | Informações adicionais por Beira do Campo

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Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.