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São Paulo mantém Roger por crise: o áudio vazado de Massis

Áudio vazado nesta segunda-feira coloca a permanência de Roger Machado em outro patamar: Harry Massis, presidente do São Paulo, admite em conversa privada que o clube não tem caixa para pagar a multa do treinador. A crise no Morumbi é mais profunda que o resultado no Majestoso.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
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São Paulo mantém Roger por crise: o áudio vazado de Massis
Ilustração — a permanência de Roger Machado no São Paulo virou questão de caixa antes de ser questão técnica

A vida no Morumbi virou uma equação de planilha. Nesta segunda-feira, 11 de maio, vazou nas redes sociais um áudio em que Harry Massis, presidente do São Paulo, disse o que a diretoria não pode dizer em coletiva: o clube não vai demitir Roger Machado porque não tem caixa para isso. Não é confiança. É falta de dinheiro.

O recado foi enviado pelo WhatsApp a um amigo e saiu da intimidade direto para o feed dos torcedores. Em pouco mais de um minuto, Massis fez uma confissão que vale uma temporada inteira de declarações públicas: o São Paulo ainda paga multas rescisórias de Dorival Júnior, Luís Zubeldía e Hernán Crespo — três técnicos que passaram pelo banco antes da chegada de Roger — e o orçamento de 2026 não suporta mais um pacote de demissão.

"Não temos dinheiro, será que vocês não entendem isso? Eu não vou trocar ninguém. Não vou pagar mais multa. Estou pagando multa de Dorival, de Zubeldía, que eu não tenho nada a ver, e de Crespo da primeira passagem, que eu também não tenho nada a ver" — trecho do áudio atribuído ao presidente, segundo a CNN Brasil.

O timing pior possível

O áudio começou a circular menos de 24 horas depois da derrota por 3 a 2 para o Corinthians, no domingo (10), na Neo Química Arena, pela 15ª rodada do Brasileirão. O Majestoso já tinha ligado o sinal vermelho na arquibancada — colunistas pediam a cabeça do técnico ainda no segundo tempo, como já havia destacado a coluna Segunda da Neide sobre o São Paulo no G4 e o Majestoso perdido. O vazamento transformou o desabafo da torcida em sentença oficial.

Pelo cálculo divulgado pelo próprio Massis, o pacote de salário e comissão técnica de Roger custa entre R$ 2,8 milhões e R$ 3 milhões por mês. Em contrato válido até dezembro de 2026, o valor da rescisão antecipada cresce com cada rodada não jogada. Some-se a isso o que o São Paulo ainda quita das demissões anteriores — segundo levantamento do Lance!, o clube fechou 2025 com folha técnica acumulada acima de R$ 40 milhões — e a conta da troca passa a ser proibitiva.

A diretoria fecha questão (com a calculadora na mão)

Em paralelo ao áudio, surgiu nesta segunda o posicionamento oficial da diretoria tricolor: não há plano de troca, nem antes, nem durante e nem depois da Copa do Mundo. A justificativa pública é a clássica do mercado brasileiro — "queremos dar tempo ao trabalho". A justificativa privada, agora pública pelo vazamento, é outra: não dá para demitir mesmo que quisesse.

A escolha de Roger, anunciada em março após a saída de Hernán Crespo, foi vendida como projeto de meio de temporada. Em 16 jogos, são sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas, com 52% de aproveitamento — o melhor número de um técnico do São Paulo no Brasileirão desde a passagem de Muricy Ramalho, segundo levantamento da Gazeta Esportiva. O paradoxo é que o desempenho atual cabe no padrão histórico recente, mas o ambiente — sete pontos do líder Palmeiras, eliminação encurralada no Paulistão e queda de produção dos centroavantes — não.

A pressão sobre Roger ganhou um novo capítulo no domingo, quando o Tricolor saiu na frente por 2 a 0 e levou três no segundo tempo. A coluna do Calleri e a ressurreição estatística do São Paulo em 2026 mostrava, há um mês, que o ataque era o ponto forte. O Majestoso provou que a defesa virou o gargalo.

O que o áudio revela sobre o clube

Mais do que confirmar a permanência de Roger, o vazamento desnuda a estrutura financeira do São Paulo em 2026. Em pouco mais de quatro anos, o clube acumulou rescisões de Hernán Crespo (duas passagens), Dorival Júnior, Luís Zubeldía, Thiago Carpini e agora arrasta a possibilidade — descartada — de uma sexta saída em ciclo curto. Para Massis, que assumiu a presidência em janeiro substituindo Julio Casares, a herança recebida não é a pré-temporada: é a multa acumulada.

O áudio também explica por que a diretoria, mesmo com setores do conselho cobrando uma sacudida no banco, não cogita mover a peça. Sem reservas para pagar o que deve a Roger e contratar um substituto, o São Paulo escolheria entre dívida nova e dívida velha. A solução política foi a única possível: bancar o técnico, pedir paciência à torcida, e torcer para que a curva de resultados melhore antes que o protesto vire estatuto.

Próximos passos: Copa do Brasil e mais pressão

A agenda também não dá descanso. O São Paulo encara Juventude na quarta-feira (13/05) pela ida da terceira fase da Copa do Brasil, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. É o tipo de jogo em que um resultado ruim transformaria o áudio do presidente de polêmica isolada em rastilho de pólvora — e em que um avanço, ao contrário, daria a Roger o oxigênio que a planilha não compra.

O cenário interno do clube já cobra outra resposta. Conselheiros começaram a articular nesta segunda uma reunião extraordinária para discutir o vazamento, a continuidade do treinador e o cumprimento do orçamento aprovado para 2026. A pauta é financeira, mas a temperatura é política.

O futebol, no fim, devolve a conta a quem mantém o caixa. Roger Machado segue no comando porque o São Paulo não pode pagar por outra opção — e essa, hoje, é a frase oficial do São Paulo, mesmo que não tenha sido dita oficialmente.

Perguntas frequentes

Roger Machado vai ser demitido do São Paulo?
Não. O presidente Harry Massis confirmou em áudio vazado nesta segunda-feira que o clube não tem condições financeiras de pagar a multa rescisória do treinador, nem antes, nem durante e nem depois da Copa do Mundo 2026.
O que o presidente do São Paulo disse no áudio vazado?
Harry Massis afirmou que o clube ainda paga multas das demissões de Dorival Júnior, Luís Zubeldía e Hernán Crespo, e que não vai pagar mais nenhuma. A frase central foi: 'Não temos dinheiro. Não vou trocar ninguém.'
Quanto custa Roger Machado por mês ao São Paulo?
Segundo o próprio áudio, o pacote de salário e comissão técnica chega a algo entre R$ 2,8 milhões e R$ 3 milhões mensais, em contrato válido até o fim de 2026.
Qual o aproveitamento de Roger Machado no São Paulo em 2026?
Em 16 jogos, o treinador soma 7 vitórias, 4 empates e 5 derrotas, com 52% de aproveitamento. A última derrota foi o 3x2 para o Corinthians na Neo Química Arena, pela 15ª rodada do Brasileirão.
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Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.