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São Paulo avança por Dorival Júnior como substituto de Roger

Dois dias após demitir Roger Machado, o São Paulo escalou Rui Costa e Rafinha para uma reunião presencial com Dorival Júnior em Florianópolis. O técnico aceitou reduzir salário e a decisão final ficou nas mãos do presidente Harry Massis.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
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São Paulo avança por Dorival Júnior como substituto de Roger
Dorival Júnior — Foto: Reprodução / Wikipedia

A queda de Roger Machado abriu o cofre — ou pelo menos a agenda — no Morumbis. Quarenta e oito horas depois de demitir o técnico que tinha levado o time ao G4 e visto tudo desmoronar contra o Juventude, o São Paulo escalou seus dois principais executivos para um voo direto a Florianópolis. Rui Costa e Rafinha sentaram com Dorival Júnior na tarde de quinta-feira (14) para tirar do papel o retorno do treinador que, há três anos, levantou a inédita Copa do Brasil tricolor de 2023. O recado da reunião: Dorival topa cortar salário, e a bola agora está com o presidente Harry Massis.

Dorival aceita cortar, mas o teto financeiro do tricolor pesa

A negociação não é trivial. No Corinthians, o staff completo de Dorival custava entre R$ 2,8 milhões e R$ 3 milhões mensais, com o treinador embolsando algo próximo de R$ 1,7 milhão. O São Paulo, com dívida líquida girando em torno de R$ 858 milhões segundo os últimos balanços, não tem como repetir o pacote — e foi exatamente isso que Rui Costa foi apresentar pessoalmente, em vez de fazer pelo telefone.

A boa notícia para o torcedor: Dorival deu sinal verde para reduzir o vencimento. A diretoria do clube aceitou ouvir contraproposta e, segundo o blog do São Paulo, o treinador colocou na mesa três pedidos: corte aceitável dos próprios vencimentos, parcelamento de pendências antigas com o staff e pelo menos uma janela curta para discutir reforços imediatos. É um pacote que, na avaliação interna do clube, "cabe" — desde que Harry Massis assine embaixo.

Internamente, o sentimento é de otimismo cauteloso. Como contamos no acompanhamento da demissão de Roger Machado, a diretoria tinha listado Vojvoda, Rogério Ceni, Jorge Sampaoli e Filipe Luís como alternativas. Nenhum deles, porém, chegou a receber o mesmo grau de empenho que a viagem catarinense por Dorival.

Florianópolis foi escolha do técnico, não do clube

Quem acompanha o vai e vem entre treinadores e cartolagens entendeu o gesto. Pedir para a diretoria viajar até a casa do técnico é, no jargão do mercado, um teste de quanto o clube quer aquele nome. O São Paulo passou no teste sem reclamar. Em uma negociação por videoconferência, daria para discutir números frios — em uma sala de hotel em Florianópolis, dá para falar de projeto, de elenco, de promessas de reforço e do tamanho do problema que o time herdou.

O staff de Dorival quer entender, antes de assinar, qual o tamanho do estrago. Cinco jogos sem vitória, uma eliminação na Copa do Brasil para um time da Série B, eliminação prévia no Paulistão, atuações sofríveis no Choque-Rei contra o Palmeiras — o pacote é desafiador. A diretoria sustenta que o time ainda tem chão para brigar pela Libertadores do ano que vem e que o calendário enxuto até dezembro (sem competições internacionais relevantes a partir da fase de mata-mata) ajuda a recompor o trabalho.

Milton Cruz e James Freitas seguram a peteca no Maracanã

A definição não deve sair a tempo do próximo compromisso. Milton Cruz, auxiliar fixo da comissão tricolor e velho conhecido do CT da Barra Funda, assume o comando interino e dividirá a tarefa com James Freitas já no jogo de sábado (16), às 20h30, contra o Fluminense de Luis Zubeldía, no Maracanã, pela 16ª rodada do Brasileirão. O contexto não poderia ser pior: o Tricolor carioca é o terceiro colocado com 27 pontos; o São Paulo aparece em quarto com 24, mas em queda livre.

Para o jogo, Milton Cruz herda problemas que Roger não conseguiu resolver: o ataque ainda depende quase exclusivamente das jogadas individuais de Calleri, o meio-campo perdeu Marcos Antônio para um chamado da especulação europeia, e o sistema defensivo levou cinco gols nos últimos três jogos. A leitura é simples: o auxiliar não vai reinventar o time em 48 horas, e o sábado vai exigir mais alma do que tática.

O peso histórico — e o porquê de Dorival ser o "plano A, B, C e D"

A escolha por Dorival não é um capricho. O treinador acumula passagem vitoriosa pelo clube, foi campeão da Copa do Brasil em 2023 batendo o Flamengo na final, deixou o cargo em janeiro de 2024 para assumir a Seleção Brasileira e, no Corinthians, somou mais um título nacional (Copa do Brasil 2025) e a Supercopa de 2026 antes de ser demitido em abril deste ano, após sequência ruim de oito jogos sem vencer.

São Paulo não tem espaço para outro experimento. O nome de Vojvoda — que ainda interessa ao Atlético-MG, segundo apuração paralela — exigiria um período de adaptação à liga; Rogério Ceni divide opiniões na torcida; Sampaoli pediu valores fora do mercado brasileiro em conversas anteriores. Dorival junta três fatores que, na cabeça da diretoria, valem o esforço: conhece o clube, conhece a liga e ainda tem currículo internacional fresco.

A torcida, dividida entre razão e emoção segundo as próprias conversas internas do clube, sabe que o tempo joga contra. Se Harry Massis demorar mais 48 horas para bater o martelo, o São Paulo entra na 16ª rodada sem treinador efetivo e ainda terá Sul-Americana pela frente no meio de semana. Para um clube que precisa parar de tropeçar, qualquer hora a mais de indefinição custa caro.

Fonte principal: Gazeta Esportiva | Complementares: ESPN, CNN Brasil, Jogada10, Blog do São Paulo.

Perguntas frequentes

Quem vai ser o novo técnico do São Paulo?
Dorival Júnior é o nome prioritário. A diretoria já se reuniu com o treinador em Florianópolis na quinta-feira e a decisão final depende do presidente Harry Massis.
Quem comanda o São Paulo contra o Fluminense no sábado?
Milton Cruz, auxiliar fixo do clube, assume o time de forma interina ao lado de James Freitas no Maracanã, no sábado (16), às 20h30 pela 16ª rodada do Brasileirão.
Quais outros nomes o São Paulo avaliou para substituir Roger Machado?
A diretoria estudou Vojvoda, Rogério Ceni, Jorge Sampaoli e Filipe Luís, mas Dorival apareceu como plano A, B, C e D para o restante da temporada.
Por que Roger Machado foi demitido do São Paulo?
O treinador foi desligado na quarta-feira (13), horas após a eliminação por 3 a 1 para o Juventude na quinta fase da Copa do Brasil, somando cinco jogos sem vitória.

Fonte: Gazeta Esportiva, ESPN, CNN Brasil, Jogada10, ArqTricolor | Informações adicionais por Beira do Campo

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Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.