Mastantuono na Fiorentina: empréstimo sem opção de compra
Um ano depois de custar 60 milhões de euros ao Real Madrid, Franco Mastantuono vai para a Fiorentina por empréstimo puro: uma temporada, sem opção de compra, sem cláusula que atrapalhe a volta em junho de 2027. O clube recusou o River Plate e uma proposta saudita para escolher a Serie A.
Marcos Vinícius Santos5 min de leitura
Havia uma frase repetida em Valdebebas no verão passado: Franco Mastantuono não era uma aposta, era uma certeza antecipada. Doze meses depois, a certeza vai jogar na Serie A. O Real Madrid fechou nesta quarta-feira o empréstimo de Mastantuono à Fiorentina — uma temporada, sem opção de compra, sem cláusula que complique o retorno. O argentino viaja a Florença nos próximos dias para exames médicos e assinatura, e o anúncio oficial é questão de horas.
Não é um desfecho. É um parêntese. E o Real Madrid fez questão de que fosse exatamente isso.
O acordo: um ano, sem rede e sem porta de saída
A operação é o que os espanhóis chamam de cessão pura. Sem opção de compra, sem obrigação de compra, sem condição financeira embutida que possa transformar o empréstimo em venda. Mastantuono joga a temporada 2026/27 em Florença e retorna a Madri em junho de 2027, com contrato ainda válido até 2031.
O clube branco desenhou o negócio assim de propósito. Recusou duas alternativas pelo caminho: a volta ao River Plate, que era a preferência do próprio jogador, e uma proposta vinda da Arábia Saudita. A leitura interna foi direta — o River o devolveria ao futebol que ele já dominava, e o dinheiro saudita o tiraria da vitrine europeia. A Fiorentina, na posição de meia-atacante que é a dele por natureza, resolve o problema sem criar outro.
José Mourinho aprovou. O técnico, que assumiu o Bernabéu nesta pré-temporada, tinha boas impressões dos treinos de julho — e ainda assim entendeu que não havia como garantir ao argentino os minutos de que ele precisa. Aprovar uma saída é, às vezes, a forma mais honesta de elogiar um jogador.
1.484 minutos e um gol que ficou em janeiro
Os números explicam a decisão melhor do que qualquer discurso. Na primeira temporada como jogador do Real Madrid, Mastantuono somou 1.484 minutos em todas as competições — 1.037 deles em LaLiga e 293 na Champions. Três gols. Uma assistência. O último gol saiu em janeiro de 2026, e depois disso veio o silêncio.
O corpo cobrou antes da bola. Uma pubalgia atrapalhou a continuidade na fase em que ele mais precisava jogar, e a recuperação chegou junto com a curva de importância caindo. Quem entra e sai da equipe não constrói ritmo; quem não constrói ritmo não convence. É um ciclo que se fecha sozinho.
O custo disso ficou visível em junho. Mastantuono ficou fora dos 26 convocados da Argentina para a Copa do Mundo, corte que na época foi lido como sinal da régua alta de um grupo que chegaria à final contra a Espanha. Visto agora, com o extrato de minutos na mão, o corte parece menos exigência e mais consequência.
A fórmula Endrick, aplicada de novo
O Real Madrid não inventou nada aqui. Repetiu. A ideia de exportar o jovem caro para uma liga competitiva, sem abrir mão da posse do passe, virou política de casa — e é a mesma conversa que o clube trava neste momento com a Roma, que insiste no empréstimo de Endrick e ainda não recebeu sinal verde de Madri.
A diferença entre os dois casos é o tipo de destino. Florença oferece a Mastantuono uma temporada de Serie A e Copa Itália sob comando de Fabio Grosso, sem competição europeia no calendário. Menos jogos, menos holofote — e, exatamente por isso, mais paciência. O clube que quebrou o próprio recorde de transferências em julho para tirar Arthur Atta do Udinese por 30 milhões de euros mais bônus não montou um elenco para esconder um argentino de 19 anos no banco.
Há um detalhe simbólico: Mastantuono completa 19 anos na semana que vem. Vai soprar velas mudando de país pela segunda vez em treze meses.
O que vem agora
O calendário aperta. A Serie A começa em poucas semanas, e Mastantuono chega sem pré-temporada feita com o grupo — treinou o mês inteiro para um sistema que não vai jogar. A adaptação, dessa vez, terá de acontecer com a bola rolando.
Do lado de Madri, o cálculo é frio e provavelmente correto: 60 milhões de euros não se recuperam em um ano de banco. Se o menino voltar em junho de 2027 com trinta jogos e alguma memória muscular de decisão, o Real Madrid terá pago o preço certo por um ano de espera. Se voltar igual, aí sim a conversa muda de tom.
Por ora, o Bernabéu abriu a porta e deixou a chave na fechadura. É mais do que muitos jovens caros recebem.
Fontes: El Español e VAVEL.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Mastantuono foi vendido ou emprestado para a Fiorentina?
- Emprestado. É uma cessão de uma temporada, sem opção de compra, e ele volta ao Real Madrid em junho de 2027.
- Quanto o Real Madrid pagou por Mastantuono?
- Cerca de 60 milhões de euros ao River Plate em 2025, com contrato assinado até 2031.
- Por que Mastantuono saiu do Real Madrid?
- Por falta de minutos. Ele somou 1.484 minutos na temporada passada e não marcava desde janeiro de 2026.
Fonte: El Español, VAVEL, 442/Perfil · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

Correspondente Internacional
Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.


