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Beirado Campo
Opinião

Brasileirão 2026: por que o título do Palmeiras não está ganho

O Brasileirão 2026 voltou da pausa da Copa e boa parte da imprensa já entregou a taça ao Palmeiras. Neide Ferreira explica por que sete pontos de vantagem, com o Flamengo tendo um jogo a menos e metade do campeonato pela frente, não decidem coisa nenhuma em julho.

Neide FerreiraNeide Ferreira5 min de leitura
Brasileirão 2026: por que o título do Palmeiras não está ganho
Ilustração — o Brasileirão 2026 retomou com o Palmeiras na ponta, mas metade do campeonato ainda será decidida em campo

Faltou pouco para alguém pendurar a faixa de campeão no Allianz Parque antes mesmo da bola voltar a rolar. O Brasileirão 2026 mal retomou depois de 45 dias parado pela Copa do Mundo e já tem gente tratando o título do Palmeiras como assunto encerrado. Eu discordo. Sete pontos de vantagem, num campeonato que está na metade exata do caminho e com o segundo colocado tendo um jogo a menos, não decidem absolutamente nada. No máximo, dão uma boa manchete preguiçosa.

O Brasileirão 2026 voltou e alguém já quer entregar a taça

Entendo a tentação. O Palmeiras de Abel Ferreira chegou à parada como uma daquelas máquinas que a gente adora odiar: 41 pontos em 18 jogos, doze vitórias, cinco empates e uma única derrota. Invicto nos últimos 13 compromissos antes do intervalo, com nove vitórias e quatro empates naquele futebol que não emociona ninguém mas soma três pontos toda semana. É difícil apostar contra.

Só que apostar contra é uma coisa. Declarar o campeonato morto em julho é outra bem diferente — e é aí que a nossa imprensa esportiva mostra a preguiça de sempre. Quando o Palmeiras abriu vantagem lá na décima rodada, os números já apontavam três candidatos com identidades distintas. De lá para cá muita água rolou, e nenhuma delas apagou o fato de que ainda há metade de um Brasileirão inteiro para ser disputado.

Sete pontos que valem menos do que parecem

Vamos aos números, que é o que sustenta argumento — não o chute de quem já quer dormir tranquilo. O Palmeiras tem 41 pontos. O Flamengo, vice-líder, tem 34. Sete de diferença. Mas o Rubro-Negro entra na retomada com um jogo a menos. Se vencer essa partida atrasada, a distância real cai para quatro pontos. Quatro. Isso é um empate e uma vitória de conversa.

E o pelotão de trás não sumiu: o Fluminense fecha o G-4 com 31 pontos, o Athletico aparece com 30 e o Red Bull Bragantino com 29. Ou seja, não é o Palmeiras contra o vazio. É o Palmeiras contra pelo menos quatro times que, num campeonato de pontos corridos, precisam de uma sequência ruim do líder — e sequências ruins acontecem, ainda mais depois de 45 dias sem ritmo de jogo.

Porque é isso que ninguém quer falar: a invencibilidade de 13 jogos morreu no dia em que a Copa começou. Aquele embalo, aquela memória muscular de time engrenado, foi congelada por um mês e meio. Ninguém volta de férias no mesmo ponto em que parou — nem o Palmeiras, nem o Flamengo, que ainda administra o boletim médico dos seus titulares na reapresentação. A parada nivelou todo mundo por baixo, e quem tratar isso como detalhe vai levar susto.

"Mas o Palmeiras é uma máquina"

Já ouço o coro: "Neide, o Palmeiras não tropeça, o Abel não entrega ponto, a consistência é a marca da casa". Verdade. Em parte. Esse mesmo Palmeiras consistente, porém, é o clube que colecionou vice-campeonatos brasileiros nos últimos anos justamente por afrouxar na reta final, quando o calendário engrossa e a Libertadores começa a puxar energia. Máquina também superaquece.

E tem o fator que a planilha não mede: a pressão muda de lado. Até aqui, o Palmeiras jogou com a liderança confortável. A partir de agora, cada empate vira "deu mole", cada derrota vira "começou a piscina". É um peso psicológico que o líder carrega sozinho, enquanto os perseguidores jogam soltos, com a faca nos dentes e nada a perder. Pergunte a qualquer time que já dormiu campeão em setembro e acordou vice em dezembro se sete pontos em julho valem alguma coisa.

A rodada que recomeça nesta semana ilustra bem o tamanho da armadilha. Na quarta-feira, o líder visita o Coritiba às 19h30, enquanto o Flamengo recebe a lanterna Chapecoense às 21h30. No papel, dois favoritismos. No papel. Foi exatamente em jogos "ganhos no papel" que o Brasileirão construiu suas maiores zebras.

Ninguém levanta taça em julho

Minha posição é simples e eu assino embaixo: o Palmeiras é o favorito, e favorito com folga. Mas favorito não é campeão, e quem confunde uma coisa com a outra em plena 19ª rodada está fazendo previsão do tempo, não análise de futebol. O título de 2026 vai ser decidido no gramado das próximas semanas — no desgaste, no banco de reservas, nos detalhes de uma reta final que ainda nem começou de verdade.

Se o Palmeiras confirmar a superioridade, ótimo, será um campeão justo. Mas que ele conquiste no campo, não na calculadora dos afobados. E aos perseguidores, principalmente ao Flamengo: parem de discursar sobre o "jogo a menos" e vão vencê-lo. Enquanto isso não acontecer, os sete pontos de vantagem seguem sendo um número — e número, no Brasileirão, muda toda quarta e todo domingo. Falar é fácil; o difícil, e o que ainda está totalmente em aberto, é ganhar. Como sempre defendo por aqui, o futebol brasileiro adora antecipar conclusões que o próprio jogo teima em desmentir.

Guardem o champanhe. E a faixa também.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Quem é o líder do Brasileirão 2026 na retomada?
O Palmeiras lidera com 41 pontos, sete à frente do Flamengo, que tem 34 pontos e um jogo a menos.
02
Quando Palmeiras e Flamengo jogam pela 19ª rodada?
Na quarta-feira, 22 de julho: Coritiba x Palmeiras às 19h30 e Chapecoense x Flamengo às 21h30. Os dois não se enfrentam nesta rodada.
03
Quanto falta para o fim do Brasileirão 2026?
O campeonato está na 19ª das 38 rodadas, ou seja, na metade exata do percurso.

Fonte: Lance!, Terra, NoAtaque · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.