Espanha chega à Copa 2026 como favorita e sem Real Madrid
Líder do ranking da Fifa e invicta há mais de dois anos, a Espanha desembarca nos Estados Unidos como a favorita ao título da Copa 2026 — e com uma marca histórica: pela primeira vez, Luis de la Fuente convocou 26 nomes sem um único jogador do Real Madrid.


A Espanha abre os trabalhos da Copa 2026 carregando um rótulo que não via desde 2010: o de favorita. Campeã da Eurocopa de 2024 com sete vitórias em sete jogos, líder do ranking da Fifa e invicta desde março de 2023, a Roja desembarca nos Estados Unidos como a seleção mais bem avaliada pelas casas de apostas e pelos modelos estatísticos. A Opta projeta a Espanha como a candidata número 1, à frente de França e Inglaterra — e bem distante do Brasil, que aparece apenas como quinto favorito ao hexa.
Não é favoritismo de almanaque. O time de Luis de la Fuente acumula mais de 20 partidas sem derrota e construiu uma identidade clara: posse agressiva, pressão alta e uma geração que mistura experiência com a ousadia da nova safra do Barcelona. A dúvida que sobra não é sobre o nível do elenco, mas sobre uma decisão que dividiu a Espanha e sobre o tornozelo — ou melhor, a coxa — de seu maior fenômeno.
Espanha aposta em uma lista sem Real Madrid
A convocação anunciada em 25 de maio trouxe a manchete que ninguém esperava: pela primeira vez na história, a Espanha vai a uma Copa do Mundo sem um único jogador do Real Madrid. Não se trata de cortes de última hora — nomes como Dani Carvajal sequer apareceram na pré-lista de 55 atletas, e Álvaro Morata também ficou de fora do recorte inicial.
A leitura de De la Fuente é pragmática. O técnico montou a espinha dorsal da seleção em torno do Barcelona e do bloco que conquistou a Euro, priorizando entrosamento e forma sobre pedigree. É uma escolha de risco calculado: blindar o vestiário de ruídos e apostar em quem vinha jogando. A baixa mais sentida foi por lesão — Fermín López fraturou o quinto metatarso e passou por cirurgia, perdendo o Mundial de vez.
A ausência do clube mais vencedor da Champions de uma lista de Copa é o tipo de estatística que vira capa de jornal na Espanha. Para De la Fuente, é apenas a consequência de um critério: quem está melhor, joga.
Lamine Yamal, a dúvida que ronda a estreia
Se há um nome que concentra as esperanças espanholas, é Lamine Yamal. O atacante do Barcelona lidera a lista e chega ao torneio como um dos jogadores mais cobiçados do planeta — mas com um sinal amarelo aceso. Yamal sofreu uma lesão na coxa esquerda em abril, num duelo da La Liga contra o Celta de Vigo, e ainda não está 100%.
Nesta quarta-feira (3), em entrevista coletiva, De la Fuente abriu o jogo sobre a situação do garoto. "Estamos confiantes de que Lamine estará pronto até o dia 15, mas não sei ao certo. Se as coisas continuarem assim, ele poderá estar pronto", afirmou o treinador. O diálogo entre os médicos do Barcelona e da federação chegou a um consenso: não vale a pena arriscar o jovem nas duas primeiras partidas da fase de grupos.
A cautela faz sentido. Aos 18 anos, Yamal é o ativo mais valioso da Espanha para um torneio que pode durar mais de um mês — e perder o menino-fenômeno por uma recaída precoce seria um preço alto demais. A boa notícia é que a recuperação avança, e o estafe espanhol trabalha para tê-lo inteiro a partir do segundo turno do Mundial.
O caminho da Roja na fase de grupos
A Espanha estreia em 15 de junho diante de Cabo Verde, uma das histórias mais simpáticas desta Copa ampliada para 48 seleções — assunto que rendeu até debate sobre o novo formato da Fifa. Na sequência, a Roja encara Arábia Saudita e fecha o grupo contra o Uruguai, provável adversário mais duro da chave. Antes da bola rolar pra valer, ainda há amistosos de preparação contra Iraque e Peru para De la Fuente acertar os últimos detalhes.
O roteiro é favorável: dois primeiros jogos teoricamente acessíveis dão tempo para Yamal ganhar ritmo sem pressa, enquanto o time encaixa os automatismos. É um cenário bem diferente do enfrentado por outra candidata ao título, a Argentina de Messi e Scaloni, que aposta na continuidade do elenco campeão de 2022.
No fim, a conta da Espanha é simples e ambiciosa: chegar inteira ao mata-mata com Yamal em campo. Se o talento mais precoce do futebol europeu estiver pronto quando a Copa esquentar, a favorita terá argumentos de sobra para transformar o status em troféu — o primeiro desde o título sul-africano de 2010.
Perguntas frequentes
- Quando a Espanha estreia na Copa do Mundo 2026?
- A Espanha estreia no dia 15 de junho, contra Cabo Verde, nos Estados Unidos. Na sequência, enfrenta Arábia Saudita e Uruguai na fase de grupos.
- Por que a Espanha não convocou jogadores do Real Madrid?
- Foi uma decisão técnica de Luis de la Fuente. Nenhum atleta do Real Madrid entrou na lista, nem mesmo na pré-relação de 55 nomes — é a primeira vez na história que isso acontece em uma Copa.
- Lamine Yamal vai jogar a estreia da Espanha?
- É dúvida. Yamal se recupera de uma lesão na coxa esquerda e os médicos recomendam não arriscá-lo nas duas primeiras partidas. De la Fuente disse confiar que ele estará pronto, mas sem garantias.
Fonte: Lance, CNN Brasil, Band, O Povo | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


