Copa do Brasil: jogar em casa não está decidindo nada
Vasco, Atlético-MG e Santos receberam os adversários na ida das oitavas e nenhum saiu com vitória: três jogos, três 0 a 0. A tabela de mandantes e visitantes do Brasileirão 2026 mostra que o fator casa vale muito para alguns clubes e quase nada para outros.
Thiago Borges6 min de leitura
Três jogos de ida das oitavas da Copa do Brasil foram disputados no sábado. Os três terminaram 0 a 0. Vasco e Fluminense no Maracanã, Atlético-MG e Juventude na Arena MRV, Santos e Remo na Vila Belmiro: nenhum mandante marcou, nenhum abriu vantagem, nenhum resolveu nada antes da volta.
A sequência parece azar de rodada. Não é só isso. O Brasileirão 2026 chegou à 21ª rodada com uma distribuição de resultados que já vinha empurrando o fator casa para longe do lugar-comum — e os quatro clubes que recebem os adversários neste domingo estão, quase todos, entre os que menos aproveitam o próprio estádio.
O que os números dizem sobre jogar em casa
Foram 205 partidas disputadas na Série A até aqui. O mandante venceu 95 delas — 46,3%. Houve 59 empates (28,8%) e 51 vitórias de visitantes (24,9%). Em gols, a vantagem é parecida: 304 marcados por times da casa contra 227 dos visitantes, uma média de 1,48 a 1,11 por jogo.
São números normais para o futebol brasileiro, e é justamente aí que mora o problema de leitura. Um índice agregado de 46,3% descreve a liga, não descreve clube nenhum. Quando a tabela é quebrada em duas — uma só com jogos em casa, outra só com jogos fora —, o campeonato se parte em realidades que quase não conversam entre si.
A tabela de mandantes e a tabela de visitantes
Separando os 21 turnos por local, o Athletico-PR aparece como melhor mandante do país: 26 pontos em 11 jogos na Arena da Baixada, 78,8% de aproveitamento, oito vitórias e uma única derrota. Como visitante, o mesmo Athletico é 10º, com 11 pontos em 10 jogos e 36,7%.
O caso mais extremo é o Vitória. Em casa, é o quarto melhor da Série A: 22 pontos em 10 jogos, sete vitórias, 73,3%. Fora, é o penúltimo: quatro pontos em 11 jogos, nenhuma vitória, saldo de -17 e aproveitamento de 12,1%. A diferença de 18 pontos entre uma metade e outra é a maior do campeonato.
| Clube | Casa (pts/jogos) | Fora (pts/jogos) | Diferença |
|---|---|---|---|
| Vitória | 22 em 10 | 4 em 11 | 18 |
| Athletico-PR | 26 em 11 | 11 em 10 | 15 |
| Fluminense | 24 em 11 | 10 em 10 | 14 |
| Grêmio | 18 em 10 | 4 em 10 | 14 |
| Santos | 18 em 11 | 4 em 9 | 14 |
| Mirassol | 18 em 11 | 5 em 9 | 13 |
| Vasco | 17 em 11 | 4 em 9 | 13 |
No outro extremo, apenas três clubes somaram mais pontos fora do que em casa: Palmeiras (24 a 23), Flamengo (21 a 18) e Coritiba (15 a 12). Nos dois primeiros, o desequilíbrio se explica pelo calendário — ambos jogaram mais partidas como visitantes, e o aproveitamento por jogo continua maior em casa. O Coritiba é o único que de fato rende mais longe do Couto Pereira: 45,5% fora contra 40,0% dentro.
Copa do Brasil: os quatro mandantes deste domingo
O recorte importa porque três dos quatro anfitriões de hoje vêm da parte de baixo dessa lista.
| Jogo | Horário | Mandante na tabela de casa | Visitante na tabela de fora |
|---|---|---|---|
| Palmeiras x Fortaleza | 16h | 3º — 23 pts em 10 jogos (76,7%) | Fortaleza disputa a Série B |
| Mirassol x Grêmio | 18h | 9º — 18 pts em 11 jogos (54,5%) | 18º — 4 pts em 10 jogos (13,3%) |
| Chapecoense x Cruzeiro | 18h30 | 20º — 7 pts em 10 jogos (23,3%) | 7º — 14 pts em 10 jogos (46,7%) |
| Internacional x Corinthians | 19h30 | 18º — 12 pts em 11 jogos (36,4%) | 9º — 11 pts em 10 jogos (36,7%) |
O Beira-Rio é o exemplo mais desconfortável. O Internacional tem três vitórias, três empates e cinco derrotas jogando em Porto Alegre — 12 pontos em 11 partidas, saldo de apenas +1. O aproveitamento em casa (36,4%) é praticamente idêntico ao de fora (33,3%), o que na prática significa que o Colorado não tem mando de campo em termos de rendimento. Do outro lado, o Corinthians é o time que menos perde longe de São Paulo entre os clubes da metade de baixo: duas vitórias, cinco empates e três derrotas em 10 jogos.
Na Arena Condá, a assimetria é ainda maior, mas em outra direção. A Chapecoense é a pior mandante da Série A, com uma vitória em 10 jogos em casa e 23,3% de aproveitamento — números coerentes com a campanha de lanterna que sobreviveu a todas as fases anteriores. O Cruzeiro, seu adversário, é o sétimo melhor visitante do campeonato.
O jogo de Mirassol tem o contraste mais nítido do dia: um mandante mediano contra um visitante que não venceu nenhuma vez fora. O Grêmio soma quatro pontos em 10 jogos como visitante, com quatro empates e seis derrotas.
O Allianz Parque foge do padrão por outro motivo. O Palmeiras é forte nos dois cenários — líder isolado, melhor visitante da Série A e terceiro melhor mandante — e enfrenta um adversário da Série B que vendeu o próprio mando da volta e jogará a decisão em Cuiabá.
Cinco times ainda não venceram fora de casa
Vitória (11 jogos), Grêmio (10), Chapecoense (10), Santos (9) e Vasco (9) chegaram à 21ª rodada sem uma única vitória como visitantes. São 49 jogos somados, 19 empates e 30 derrotas.
Quatro desses cinco clubes estão vivos na Copa do Brasil, e a distribuição do chaveamento os coloca em situações opostas. Santos e Vasco já cumpriram a parte em casa e empataram sem gols — o clássico no Maracanã foi o mais travado dos três —, o que significa que agora precisam de um resultado fora, exatamente onde não venceram em toda a temporada. O Grêmio joga a ida como visitante hoje e recebe o Mirassol na quarta. O Vitória visita o melhor mandante do campeonato na segunda-feira, às 21h, na Arena da Baixada.
Nenhum desses recortes é destino. Copa é competição curta, com elenco alternativo, adversário de outra divisão e motivação distinta da liga. Mas 21 rodadas já são amostra suficiente para dizer que esses times têm dificuldade estrutural para pontuar longe de casa — e o mata-mata cobra exatamente isso em 180 minutos.
O que a ida não resolve
O formato reduz o valor do primeiro jogo mais do que a intuição sugere. Sem gol qualificado como critério de desempate, empate na soma dos dois jogos leva direto aos pênaltis, sem prorrogação nesta fase. Um 0 a 0 fora, portanto, não é melhor nem pior do que um 0 a 0 em casa: é o mesmo ponto de partida.
Foi o que aconteceu nos três confrontos de sábado. Vasco, Atlético-MG e Santos entregaram o mando sem cobrar nada por ele, e agora decidem como visitantes — Vasco no Maracanã contra o Fluminense na quarta, Atlético-MG em Caxias do Sul na terça, Santos no Mangueirão também na terça.
A leitura útil para os jogos de hoje é essa: o mando pesa quando o clube construiu alguma vantagem real em casa ao longo do ano. Athletico-PR, Vitória em Salvador, Fluminense no Maracanã — esses times transformam o estádio em ativo. Internacional e Chapecoense, pelos números da tabela do Brasileirão, não transformam. Para eles, receber o adversário na ida é mais uma formalidade de calendário do que uma vantagem competitiva.
Dados de casa e fora referentes às 21 rodadas do Brasileirão Série A 2026 disputadas até 30 de julho. Resultados das oitavas conferidos na Gazeta Esportiva e na CBF.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Quantos jogos de ida das oitavas da Copa do Brasil 2026 terminaram empatados?
- Os três primeiros terminaram 0 a 0: Vasco x Fluminense, Atlético-MG x Juventude e Santos x Remo, todos disputados no sábado, 1º de agosto.
- Quantos times do Brasileirão ainda não venceram fora de casa em 2026?
- Cinco: Vitória, Grêmio, Chapecoense, Santos e Vasco. Nenhum deles somou uma vitória sequer como visitante nas 21 rodadas disputadas.
- O mandante vence quantos por cento dos jogos do Brasileirão 2026?
- Em 205 partidas disputadas até a 21ª rodada, o time da casa venceu 95 vezes, o equivalente a 46,3%. Houve 59 empates e 51 vitórias de visitantes.
- O que acontece se o confronto das oitavas terminar empatado na soma dos dois jogos?
- A vaga é decidida nos pênaltis, sem prorrogação. A Copa do Brasil 2026 também não usa o critério de gol qualificado.
Fonte: Gazeta Esportiva, CBF, Beira do Campo (tabela do Brasileirão) · informações adicionais por Beira do Campo
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