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Copa do Brasil 2026: os 8 últimos do Brasileirão nas oitavas

Do 13º ao 20º lugar da Série A não sobrou ninguém: os oito piores colocados do Brasileirão estão todos vivos nas oitavas da Copa do Brasil. E os seis clubes da elite já eliminados vêm, sem exceção, da metade de cima da tabela. Os números de uma inversão que a competição não escolheu.

Thiago BorgesThiago Borges6 min de leitura
Copa do Brasil 2026: os 8 últimos do Brasileirão nas oitavas
A Copa do Brasil chega às oitavas com 14 clubes da Série A e duas surpresas da Série B — Foto: Reprodução / Gazeta Esportiva

A Copa do Brasil 2026 chega às oitavas de final com uma distorção que não aparece em nenhuma súmula: dos oito últimos colocados do Brasileirão, nenhum ficou pelo caminho. Vitória, Mirassol, Santos, Internacional, Grêmio, Vasco, Remo e Chapecoense — a metade de baixo inteira, do 13º ao 20º lugar da Série A — está viva no mata-mata que abre neste sábado. Os seis clubes da elite já eliminados ocupam, sem uma única exceção, posições na metade de cima da tabela.

Não é leitura de tendência nem recorte conveniente. É a lista completa dos 16 classificados cruzada com a classificação da Série A após a 21ª rodada, disputada entre 29 e 30 de julho.

O que os números dizem

Dos 20 clubes da Série A, 14 seguem na Copa do Brasil. Os seis que caíram são Flamengo (2º), Bahia (5º), Red Bull Bragantino (6º), Botafogo (8º), Coritiba (11º) e São Paulo (12º). O pior colocado entre os eliminados é o São Paulo, em 12º com 26 pontos — exatamente a última posição antes do bloco que sobreviveu inteiro.

A leitura inversa é ainda mais limpa: nenhum clube da metade de baixo do Brasileirão foi eliminado da Copa do Brasil. Zero em oito.

O corte é abrupto porque as quedas se concentraram nas fases anteriores e atingiram justamente quem vinha melhor na liga. O Flamengo, segundo colocado com 39 pontos e um jogo a menos, caiu diante do Vitória na quinta fase e assiste às oitavas de fora, com 11 dias livres de calendário. O Vitória, que o eliminou, é 13º.

Completam o chaveamento dois clubes da Série B: o Juventude, segundo colocado da divisão com 35 pontos, e o Fortaleza, quarto com 34. Ambos estão, hoje, em posição de acesso.

As oitavas da Copa do Brasil contra a tabela do Brasileirão

Os oito confrontos, com a posição de cada clube na sua respectiva divisão e os pontos somados:

Confronto (jogo de ida)MandanteVisitante
Vasco x Fluminense18º na Série A — 21 pts4º na Série A — 34 pts
Atlético-MG x Juventude10º na Série A — 28 pts2º na Série B — 35 pts
Santos x Remo15º na Série A — 22 pts19º na Série A — 21 pts
Palmeiras x Fortaleza1º na Série A — 47 pts4º na Série B — 34 pts
Mirassol x Grêmio14º na Série A — 23 pts17º na Série A — 22 pts
Chapecoense x Cruzeiro20º na Série A — 10 pts7º na Série A — 30 pts
Internacional x Corinthians16º na Série A — 22 pts9º na Série A — 29 pts
Athletico-PR x Vitória3º na Série A — 37 pts13º na Série A — 26 pts

O desnível mais violento é Chapecoense x Cruzeiro: 20 pontos de diferença na mesma tabela. Depois vêm Vasco x Fluminense (13) e Athletico-PR x Vitória (11). No extremo oposto, dois confrontos praticamente empatados na régua da Série A: Santos e Remo estão separados por um ponto, e Mirassol e Grêmio, também por um. São duelos entre vizinhos de tabela — só que vizinhos que brigam para não cair.

Duas das quatro equipes hoje na zona de rebaixamento pegam adversários que também vivem a parte de baixo: o Grêmio encara o Mirassol, 14º, e o Remo visita o Santos, 15º. As outras duas, Vasco e Chapecoense, esbarram em clubes da metade de cima. É o mesmo pelotão que analisamos quando seis clubes estavam separados por três pontos na 20ª rodada — e que segue tão comprimido quanto era.

Chapecoense, a lanterna que sobrou

O caso mais extremo é o da Chapecoense. São 10 pontos em 20 jogos, a pior campanha e a defesa mais vazada da Série A, sem vitória no campeonato desde maio. Recém-promovida após terminar em terceiro na Série B de 2025, a equipe não chegava às oitavas da Copa do Brasil desde 2018.

Chegou eliminando o Botafogo na quinta fase — derrota por 1 a 0 fora, vitória por 2 a 0 na Arena Condá. É o mesmo Botafogo que está em 8º no Brasileirão, com 29 pontos, quase três vezes o total da Chape.

O histórico do confronto seguinte, porém, é implacável. Cruzeiro e Chapecoense se enfrentaram duas vezes em mata-matas de Copa do Brasil, em 2012 e 2017, e o clube mineiro avançou nas duas. Em 2012 foram 1 a 1 na Arena Condá e 4 a 1 na volta. A Chapecoense nunca eliminou o Cruzeiro em jogo eliminatório.

Vale o mesmo alerta em Santos x Remo. Os dois clubes se encontraram oito vezes em competições oficiais e o Santos nunca perdeu: sete vitórias e um empate. Na Vila Belmiro, são duas vitórias em duas, incluindo um 2 a 0 nesta temporada pelo próprio Brasileirão. O retrospecto não decide nada, mas descreve bem o tamanho da tarefa de quem está em 19º.

Por que isso acontece — e por que não é uma lei

A explicação mais honesta é que a Copa do Brasil não foi feita para reproduzir a tabela. Um mata-mata de ida e volta é uma amostra de dois jogos; o Brasileirão é uma amostra de 38. Em dois jogos, a diferença entre uma campanha de 47 pontos e uma de 10 se manifesta muito menos do que ao longo de um ano inteiro. O sorteio também não protege os melhores: as chaves não são definidas por posição na Série A, então nada obriga os times de cima a eliminarem os de baixo antes das oitavas.

Some-se o peso desigual do dinheiro. Cada um dos 16 clubes já tem R$ 3 milhões garantidos pela participação nesta fase, e quem avançar às quartas embolsa mais R$ 4 milhões. Para o Palmeiras, líder isolado, é uma linha no orçamento. Para a Chapecoense, com 10 pontos e o rebaixamento como cenário provável, é a diferença entre planejar 2027 e improvisar. A prioridade que cada elenco dá ao torneio não é a mesma — e isso aparece na escalação.

O que não dá para afirmar é que existe um mecanismo empurrando os piores da liga para as oitavas. Oito em oito é um número forte, mas continua sendo uma coincidência com boas razões parciais por trás, não uma regra que vá se repetir na próxima edição. Quem apostar nisso como padrão está lendo demais em uma amostra pequena.

O que está em jogo na semana

Os oito jogos de ida e os oito de volta se concentram entre 1º e 6 de agosto — a tabela completa das oitavas, com datas, estádios e transmissões, cabe em seis dias. Quem empatar no placar agregado vai para os pênaltis, sem prorrogação, como manda o regulamento da competição.

No fim da linha, a novidade estrutural de 2026: a final será em jogo único, marcada para 6 de dezembro. Para um clube que hoje briga contra a queda, é uma partida entre o presente e a única chance real de salvar a temporada — e, pela primeira vez, sem segunda chance na decisão.

Fonte dos dados: classificação da Série A e da Série B após a 21ª e a 20ª rodadas, respectivamente, e a tabela detalhada das oitavas divulgada pela CBF.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Quantos times da Série A estão nas oitavas da Copa do Brasil 2026?
São 14 clubes da Série A e dois da Série B, Juventude e Fortaleza.
02
Qual o time pior colocado no Brasileirão que está nas oitavas?
A Chapecoense, lanterna da Série A com 10 pontos em 20 jogos. Ela enfrenta o Cruzeiro na Arena Condá.
03
Quanto cada clube ganha por chegar às oitavas da Copa do Brasil 2026?
Cada um dos 16 clubes recebe R$ 3 milhões pela participação nas oitavas, e mais R$ 4 milhões quem avançar às quartas.
04
Como será a final da Copa do Brasil 2026?
Em jogo único, marcado para 6 de dezembro. É a principal mudança de formato da edição 2026.

Fonte: Gazeta Esportiva, Lance, CBF · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.