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Brasileirão

Vasco 0 x 0 Fluminense: o clássico que ninguém quis ganhar

Trinta e poucas faltas, cinco cartões e zero coragem. Vasco e Fluminense empataram sem gols na ida das oitavas da Copa do Brasil e transformaram o Maracanã num campo minado onde ninguém quis dar o primeiro passo. Quarta tem o mesmo palco, os mesmos times e a marca da cal esperando.

Neide FerreiraNeide Ferreira7 min de leitura
Vasco 0 x 0 Fluminense: o clássico que ninguém quis ganhar
Vasco e Fluminense empataram sem gols na ida das oitavas da Copa do Brasil, no Maracanã — Foto: Reprodução / Lance

Vasco 0 x 0 Fluminense é o tipo de placar que a súmula descreve melhor do que qualquer crônica: mais de trinta faltas, cinco cartões amarelos e nenhum gol. O clássico que abriu as oitavas da Copa do Brasil neste sábado, no Maracanã, foi menos um jogo de futebol e mais uma negociação de reféns em que os dois lados decidiram que perder era pior do que ganhar era bom. Deu no que deu: empate, decisão adiada para quarta-feira e noventa minutos que ninguém vai querer rever.

Vasco 0 x 0 Fluminense: os lances que não viraram gol

Se você chegou atrasado, não perdeu nada. O primeiro tempo teve uma chance de verdade, aos 32 minutos, com Canobbio — e o uruguaio fez o que o resto do elenco faria depois: nada de aproveitável.

A segunda etapa começou prometendo e desmentiu rápido. Aos 8, John Kennedy teve a bola que decidia o jogo e mandou para onde não devia. Dois minutos depois, Paulo Henrique cruzou e Tchê Tchê cabeceou por cima. Foi isso. Duas chances claras em dez minutos, as duas desperdiçadas, e o resto da noite dedicado a interromper o adversário antes que ele fizesse algo interessante.

O árbitro Ramon Abatti Abel apitou mais do que os jogadores tocaram na bola com critério. Amarelou Andrés Gómez e Spinelli no Vasco; Lucho Acosta, Canobbio e Hércules no Fluminense. Não expulsou ninguém, o que dadas as circunstâncias soa quase generoso.

A análise tática de dois times com medo de perder

Os dois começaram no 4-3-3, e os dois usaram o desenho pela mesma razão: povoar o meio e fechar as passagens. Pedro Emanuel mexeu na escalação que se esperava no pré-jogo desta partida — Jair entrou no lugar de Cauan Barros e David começou no lugar de Brenner. Zubeldía também surpreendeu: Savarino apareceu na vaga de Kevin Serna.

O Fluminense teve mais a bola e menos ideia do que fazer com ela. Zubeldía percebeu cedo e esvaziou o banco: colocou Nonato no lugar de Lucho Acosta, Soteldo por Savarino, Kevin Serna por Canobbio e Hulk por John Kennedy. Quatro trocas, todas com pé no acelerador, e o placar não se mexeu. Quando um técnico gasta tudo o que tem de ataque e o resultado continua igual, o problema deixou de ser individual.

Do outro lado, Pedro Emanuel administrou. Rojas entrou por Ramon Rique, Nuno Moreira por Adson, Spinelli por David. Trocas de manutenção, não de ruptura — e faz sentido para quem é o 18º colocado do Brasileirão e vê a Copa do Brasil como o atalho mais curto para salvar a temporada. Empatar em casa sem tomar gol, com a volta no mesmo gramado, não é o cenário dos sonhos, mas está longe de ser um desastre.

Aliás, o detalhe que já era estranho antes ficou mais estranho depois: os dois jogos da série são no Maracanã. O mando alterna, o cenário não. Sábado o Vasco era o dono da casa; quarta o Fluminense será. Na prática, ninguém joga fora de casa, e o argumento do fator campo virou peça de ficção.

Destaques individuais: Léo Jardim e os que sumiram

Léo Jardim foi, de novo, a melhor coisa do Vasco. Fez as intervenções que precisavam ser feitas e sustentou o zero que o time não conseguiu construir com a bola nos pés. É um goleiro que vem carregando um projeto inteiro nas costas, e sábado não foi exceção.

Ignácio segurou a zaga do Fluminense com a tranquilidade de quem entendeu que o jogo não ia exigir muito mais do que isso. Foi eficiente porque o adversário raramente chegou.

E aí vem a parte desconfortável. Andrés Gómez teve a noite mais cara do Vasco: apareceu, tentou, errou, levou amarelo e não entregou. John Kennedy perdeu a chance que definia a partida. Hulk entrou para resolver e não resolveu. Não dá para escrever um pós-jogo honesto fingindo que o problema foi tático quando três atacantes tiveram a bola e a devolveram.

Os números do jogo

PlacarVasco 0 x 0 Fluminense
CompetiçãoCopa do Brasil 2026 — oitavas (ida)
LocalMaracanã, Rio de Janeiro
DataSábado, 1º de agosto de 2026, 17h30
FaltasMais de 30
Cartões amarelos5 (2 do Vasco, 3 do Fluminense)
Cartões vermelhosNenhum
ArbitragemRamon Abatti Abel (SC) — VAR: Wagner Reway

O número que interessa não está na tabela: o Fluminense chegou ao sexto jogo sem vencer somando as competições, o quinto empate seguido. É o quarto colocado do Brasileirão, com 34 pontos em 21 jogos, e há mais de um mês não sabe o que é ganhar. O Vasco, 18º com 21 pontos em 20 jogos, está invicto há dois sob Pedro Emanuel — a vitória sobre o Independiente Medellín na quarta e agora este empate. É pouco para comemorar e o suficiente para respirar.

Vale lembrar o que já mostramos na análise dos oito últimos do Brasileirão que chegaram às oitavas: a Copa do Brasil virou refúgio de time em crise. Sábado, dois deles se encontraram e o resultado foi exatamente o que se espera quando ninguém pode se dar ao luxo de errar.

Próximo compromisso: quarta, 21h30, e a marca da cal

A volta é na quarta-feira, 5 de agosto, às 21h30, no Maracanã, com mando do Fluminense. E aqui está a informação que muda a leitura da série: se terminar empatado no agregado, vai direto para os pênaltis. Sem prorrogação, sem gol fora de casa valendo mais — o regulamento da Copa do Brasil 2026 não dá meia hora extra a ninguém.

Isso significa que o 0 a 0 de sábado favorece quem tem menos a perder. E quem tem menos a perder, convenhamos, é o time que briga contra o rebaixamento e já não tinha nada a defender além do próprio ano. O Fluminense entra quarta obrigado a ganhar de verdade — porque empate leva para a loteria, e loteria não combina com quem está no G4 e precisa provar que a fase ruim acabou.

Pedro Emanuel, que assumiu há pouco e vem reorganizando o Vasco desde a chegada, tem quatro dias para descobrir se consegue ganhar um jogo em vez de só não perdê-lo. Zubeldía tem os mesmos quatro dias para explicar por que um elenco com Hulk, Soteldo, Serna e Lucho Acosta passou noventa minutos sem furar uma defesa do 18º colocado.

Um dos dois vai ter que arriscar. Sábado, nenhum quis.

Informações da partida apuradas em Lance!, Gazeta Esportiva e Rádio Itatiaia.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Qual foi o resultado de Vasco x Fluminense?
Vasco e Fluminense empataram em 0 a 0 no Maracanã, no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil 2026.
02
Quem marcou os gols de Vasco x Fluminense?
Ninguém. A partida terminou sem gols, com as melhores chances desperdiçadas por Canobbio, John Kennedy e Tchê Tchê.
03
Quando é o jogo de volta entre Vasco e Fluminense?
Na quarta-feira, 5 de agosto, às 21h30 de Brasília, novamente no Maracanã, dessa vez com mando de campo do Fluminense.
04
O que acontece se o jogo de volta terminar empatado?
A vaga nas quartas vai direto para a disputa de pênaltis. A Copa do Brasil 2026 não tem prorrogação nem critério de gol fora de casa.
05
Quem se destacou em Vasco x Fluminense?
Léo Jardim fez as defesas mais importantes do lado vascaíno e Ignácio segurou a zaga tricolor. Nenhum atacante converteu as chances que teve.

Fonte: Lance!, Gazeta Esportiva, Rádio Itatiaia · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.