Renovação de Calleri: os números da aposta do São Paulo
São Paulo e Calleri fecharam acordo por mais duas temporadas, com opção de uma terceira atrelada a metas. Os dados do SofaScore mostram um centroavante de 32 anos no melhor momento de eficiência da carreira — e com um perfil de jogo que costuma envelhecer melhor do que a média.
Patrícia Mendes6 min de leitura
O São Paulo resolveu a pendência mais antiga do seu vestiário. Depois de meses de conversas travadas, clube e estafe de Jonathan Calleri chegaram a um acordo pela renovação do contrato do centroavante, com assinatura prevista para esta semana. O novo vínculo prevê mais duas temporadas — até o fim de 2028 — com opção de um terceiro ano acionada automaticamente caso o argentino cumpra metas esportivas.
O contrato antigo se encerrava no fim desta temporada, o que já permitia a Calleri assinar pré-contrato com qualquer clube de fora do Brasil. A destravada veio no fim de julho, quando os representantes do jogador autorizaram a redação do documento: o estafe reduziu a pedida financeira e o clube melhorou a proposta que estava na mesa desde a gestão interina.
A pergunta que interessa não é se o São Paulo queria manter Calleri. É se os números sustentam um compromisso que vai levar o atacante até os 35 anos.
Os números que a diretoria colocou na mesa
O retrato da carreira de Calleri no Morumbis, somando as duas passagens, é o de um centroavante de produção estável: 258 partidas, 215 delas como titular, 91 gols e 29 assistências. A média histórica dele no clube é de 6,3 finalizações para cada gol marcado, com 45% de aproveitamento nas grandes chances e 34 grandes chances criadas para os companheiros.
A temporada 2026 conta uma história diferente da média. Em 32 jogos por todas as competições, 26 como titular, o argentino tem 12 gols e 3 assistências — 15 participações diretas. Foram 66 finalizações, 24 delas no alvo.
| Indicador (SofaScore) | Carreira no São Paulo | 2026 |
|---|---|---|
| Jogos | 258 (215 titular) | 32 (26 titular) |
| Gols | 91 | 12 |
| Assistências | 29 | 3 |
| Finalizações por gol | 6,3 | 5,5 |
| Nota média | 6,96 | 6,74 |
Aos 32 anos, prestes a completar 33 em setembro, Calleri está no momento mais eficiente da carreira dentro do clube. Precisa de 5,5 finalizações para marcar, contra 6,3 da média das duas passagens. Metade do que ele coloca no alvo entra: são 12 gols em 24 chutes certos, uma taxa de conversão que atacante nenhum sustenta por muito tempo, mas que explica por que o departamento de futebol tratou a renovação como prioridade.
O que mudou: mais eficiente, menos completo
Há um dado que corre na direção contrária e a diretoria também precisou encarar. A nota média do argentino em 2026 é 6,74, abaixo dos 6,96 que ele acumula na conta geral pelo clube. Um atacante pode marcar mais e, ainda assim, ser avaliado abaixo da própria média histórica — e é exatamente isso que está acontecendo.
A leitura mais provável é de um jogo que se estreitou. Calleri participa menos das construções, aparece menos em duelos pelo chão (46% de aproveitamento na carreira) e concentra a contribuição em duas funções: finalizar e disputar bola aérea. Rende mais no que faz, faz menos coisas. Para um centroavante que se aproxima dos 33 anos, essa é uma evolução previsível — e não necessariamente ruim, desde que o time saiba jogar com ela.
Em março, quando ele voltava de uma temporada 2025 quase toda perdida por lesão, este portal já apontava os números da ressurreição de Calleri. O que mudou de lá para cá é que aquela retomada deixou de ser um pico isolado e virou base de um contrato de dois anos.
Renovação de Calleri se apoia no jogo aéreo — e isso envelhece bem
O argumento mais forte a favor da aposta não está nos gols. Está no alto.
Calleri é o atacante que mais vence duelos aéreos no Brasileirão 2026: 51 ao todo, média de 2,83 por partida, mais de dez à frente de Flaco López, do Palmeiras, o segundo colocado entre os homens de área. Na lista geral da Série A, ele é o quinto — e os quatro nomes acima dele são todos zagueiros: João Victor (60), Zé Vitor (55), Fabrício Bruno (53) e David Duarte (51).
Um atacante que compete de igual para igual com zagueiros em bola aérea está exercendo uma habilidade que depende de posicionamento, timing e leitura de trajetória. Nada disso desaparece aos 34 ou 35 anos com a velocidade que a arrancada e o pique desaparecem. É uma competência que segura o rendimento na faixa etária em que o São Paulo vai pagar o salário.
O contexto do time explica a urgência
O São Paulo chega à pausa do Brasileirão na 12ª posição, com 26 pontos em 20 jogos e aproveitamento de 43,3%. São 25 gols marcados — média de 1,25 por partida — e sete vitórias, cinco empates e oito derrotas. O modelo de simulação do portal projeta o tricolor em 53 pontos ao fim das 38 rodadas, com 2,2% de risco de rebaixamento e nenhuma chance de título.
O desequilíbrio está fora de casa: 17 pontos em 9 jogos no Morumbis, apenas 9 pontos em 11 como visitante, com duas vitórias. Nos últimos cinco compromissos pela Série A, foram três derrotas e dois empates, incluindo o 1 a 1 com o Flamengo no Maracanã e a derrota por 2 a 1 para o Athletico-PR em casa. Você acompanha a evolução completa na tabela do Brasileirão.
Um time que marca 1,25 gol por jogo e vive de decisões individuais na área não tem folga para perder a referência ofensiva de graça — e perder de graça era exatamente o cenário desenhado pelo contrato antigo. A discussão sobre o teto competitivo desse elenco, aliás, já rendeu debate por aqui em maio, quando o tricolor flertava com o G4 sem convencer.
O risco de 2028
A conta tem um lado desconfortável. O contrato vai até o fim de 2028, quando Calleri terá 35 anos, e a cláusula de metas pode esticá-lo até os 36. O histórico recente inclui uma temporada 2025 praticamente perdida por lesão, e a queda na nota média de 2026 mostra um jogador que já entrega menos volume de jogo do que entregava.
O que o São Paulo está comprando, na prática, não é o Calleri de 2023. É um centroavante de área, líder de vestiário, que finaliza melhor do que nunca e domina o jogo aéreo do campeonato. Se o time construir um sistema que alimente esse perfil — cruzamentos, bola parada, presença de segundo atacante —, dois anos são um prazo razoável. Se continuar dependendo de o camisa 9 criar a própria chance, a curva de idade cobra antes de 2028.
A assinatura resolve uma novela. A aposta, essa, só a bola responde.
Fontes: Lance!, Gazeta Esportiva e dados de classificação do Beira do Campo (atualizados até 2 de agosto de 2026).
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Até quando vai o novo contrato de Calleri com o São Paulo?
- O acordo prevê mais duas temporadas, até o fim de 2028, com opção de renovação automática por um terceiro ano caso o atacante cumpra metas esportivas previstas em contrato.
- Quantos gols Calleri tem em 2026?
- São 12 gols e 3 assistências em 32 jogos por todas as competições, segundo dados do SofaScore compilados até o início de agosto.
- Quantos gols Calleri tem pelo São Paulo na carreira?
- Somando as duas passagens pelo clube, o argentino chegou a 91 gols e 29 assistências em 258 partidas.
Fonte: Lance!, Gazeta Esportiva, Jogada10, SofaScore · informações adicionais por Beira do Campo
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