Almada no Flamengo: o prazo da Libertadores é sexta
A Conmebol fecha às 18h de sexta-feira (7) a janela de substituições para as oitavas. Se Thiago Almada não assinar até lá, o Flamengo encara o Cruzeiro com o elenco que já tem — e Boto avisou que não entra em leilão com o River Plate.
Renato Caldeira5 min de leitura
O relógio virou o principal adversário do Flamengo na disputa por Thiago Almada. A Conmebol fecha às 18h desta sexta-feira (7), no horário do Paraguai, o prazo para entrega do formulário de substituição das oitavas de final da Libertadores. Se o argentino não estiver resolvido até lá, o rubro-negro entra no mata-mata contra o Cruzeiro com exatamente o elenco que já tem — e qualquer contratação fechada depois disso vira reforço só para o Brasileirão e a Copa do Brasil.
A conta é simples e cruel. O Flamengo inscreveu o limite de 50 atletas na fase de grupos e pode trocar até cinco nomes para as oitavas. É uma janela estreita, com hora marcada, e ela não se abre de novo até as quartas.
O prazo que manda mais que a vontade
O duelo com o Cruzeiro tem data e local definidos pela Conmebol: 12 de agosto, às 21h30, no Mineirão, e 19 de agosto, no mesmo horário, no Maracanã. São sete dias entre o fim da janela de inscrição e a bola rolando em Belo Horizonte — tempo nenhum para adaptação, mas tempo suficiente para um jogador do porte de Almada mudar o desenho do meio-campo de Leonardo Jardim num jogo de eliminação.
O problema é que o Flamengo não controla a variável que interessa. Almada está de férias em Ibiza depois da Copa do Mundo, na qual foi titular da Argentina, e nem o Flamengo nem o River Plate fecharam acordo com o Atlético de Madrid. O clube espanhol, dono de 50% dos direitos econômicos, quer no mínimo 20 milhões de euros e já deixou claro que espera a escolha do jogador para destravar a saída. Enquanto o meia não bate o martelo, ninguém assina nada.
Boto foi à Argentina e voltou com um recado
José Boto viajou a Buenos Aires e desembarcou no Rio na terça-feira com o discurso alinhado. O diretor de futebol negou que a viagem tenha sido para convencer o jogador e deu o tom da postura rubro-negra.
"Aquilo que eu fui lá dizer é que nós não entraríamos em leilões. Aquilo que já tínhamos combinado é aquilo que vai ser, se ele quiser vir para o Flamengo", afirmou Boto ao Lance.
O dirigente também abriu a calculadora para explicar por que o teto de R$ 160 milhões não é elástico. "Quando falamos de uma transferência de 20 milhões, não são 20 milhões. São quase 24 milhões por causa dos impostos. Se são 30, passam para 36", disse. E completou com a frase que resume a estratégia: "Não vamos esperar eternamente. Contratações deste nível exigem paciência para não se pagar mais do que se deve. Mas também não vamos esperar para sempre."
Quem acompanha o aperto financeiro exposto no balanço de 2026 entende o cálculo. O Flamengo pode pagar caro — mas quer pagar parcelado e com o valor que combinou lá atrás, não o que o mercado inflou depois que o River entrou.
Ninguém sabe quem recebeu o "sim" de Almada
Aqui a novela fica genuinamente confusa, e vale registrar sem maquiagem: as fontes divergem. O Lance apurou em 3 de agosto que Almada havia sinalizado positivamente ao projeto do Flamengo. No mesmo dia, o Goal publicou que o River Plate recebeu o aval do meia e assumiu a dianteira. O Diario AS, na Espanha, resumiu o caso em uma palavra — "mistério" — e classificou a disputa como uma briga milionária entre os dois clubes.
O que os dois lados confirmam é o pano de fundo: a família do jogador prefere o retorno à Argentina, e o River usou isso para reabrir uma negociação que parecia encaminhada para o Rio desde julho, quando a janela aberta deu vantagem ao Flamengo. Foi um chapéu em cima do chapéu — porque o próprio Flamengo tentou atravessar o River quando o acordo com os argentinos parecia fechado.
O plano B e o custo de esperar
Almada não é um nome qualquer para o mercado brasileiro. Revelado pelo Vélez Sarsfield, ele passou seis meses no Botafogo — detalhe que Boto fez questão de lembrar ao dizer que o argentino "sabe da grandeza do Flamengo" — antes de ser vendido ao Atlético de Madrid por mais de 20 milhões de euros. É um jogador de seleção em fase de Copa, não uma aposta.
Por isso mesmo, o Flamengo mantém Luiz Henrique no radar como alternativa, ainda que o argentino siga como prioridade absoluta. Boto foi explícito sobre isso: "O Flamengo não se fixa só num jogador. Joga, às vezes, em vários tabuleiros."
O risco real não é perder Almada. É chegar à sexta-feira sem Almada e sem plano B inscrito — gastando a janela das oitavas com nada. Nesse cenário, a paciência que Boto vende como virtude vira o preço de um mata-mata contra o Cruzeiro decidido com o elenco de sempre.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Até quando o Flamengo pode inscrever reforços na Libertadores?
- O prazo da Conmebol para entregar o formulário de substituição das oitavas termina às 18h de sexta-feira (7), no horário do Paraguai. São até cinco trocas na lista.
- Quem o Flamengo enfrenta nas oitavas da Libertadores?
- O adversário é o Cruzeiro. A ida será em 12 de agosto, às 21h30, no Mineirão, e a volta em 19 de agosto, no mesmo horário, no Maracanã.
- Em qual clube Thiago Almada está hoje?
- No Atlético de Madrid, que detém 50% dos direitos econômicos e pede pelo menos 20 milhões de euros para liberá-lo.
- Quanto o Flamengo está disposto a pagar por Almada?
- O clube estabeleceu um teto de R$ 160 milhões para a operação e afirma que não vai elevar a oferta para superar o River Plate.
Fonte: Lance, ESPN, Globo · informações adicionais por Beira do Campo
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Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


