Fernando Diniz assume o Corinthians com Libertadores na porta
Anunciado na noite de segunda (6/04), o novo treinador alvinegro fez o primeiro treino nesta terça e já mira a estreia na Libertadores contra o Platense, na quinta-feira.


O Corinthians não tinha margem para esperar. Com dez rodadas no Brasileirão 2026, 10 pontos no placar e o Z4 a apenas dois pontos, a diretoria agiu rápido: demitiu Dorival Júnior na noite de domingo e, menos de 24 horas depois, na segunda-feira (6/04), anunciou Fernando Diniz como novo treinador. O contrato vai até o final de 2026, e o estreante na função já comandou o primeiro treino nesta terça-feira (7/04) com um único objetivo em mente: preparar o time para a estreia na Libertadores, na quinta-feira, contra o Platense — fora de casa, em Buenos Aires.
A velocidade da operação diz muito sobre o estado de emergência que o clube se encontra.
Dorival pagou a conta de uma temporada torta
A gota d'água foi a derrota para o Internacional por 1 a 0, em casa, pela 10ª rodada. Mas o processo de desgaste vinha se acumulando há semanas. Dorival chegou ao Corinthians carregando os títulos da Copa do Brasil 2025 e da Supercopa 2026 — credenciais respeitáveis — mas atravessou uma sequência de nove jogos sem vencer que esgotou qualquer capital político que ainda guardava.
A eliminação para o Novorizontino nas semifinais do Paulistão marcou o início do fim. A campanha no Brasileirão — 2 vitórias, 4 empates e 4 derrotas, aproveitamento de 33% — colocou o Corinthians na 16ª posição e assustou a torcida com o espectro de uma segunda queda em poucos anos. Diante desse cenário, a diretoria não viu outra saída.
Quem é Diniz e o que ele traz para o Parque São Jorge
Fernando Diniz não é novidade no futebol brasileiro — e tampouco no universo alvinegro. O técnico passou pelo clube como jogador e volta agora com o peso de um currículo que mescla brilhantismo e instabilidade.
Seu momento mais alto foi no Fluminense: entre 2022 e 2024, comandou 149 jogos, conquistou a Libertadores 2023 e a Recopa Sul-Americana, e construiu um dos estilos de jogo mais elogiados do continente. Depois vieram Cruzeiro (18 jogos, demitido em janeiro/2025) e Vasco (55 jogos, levou o Cruz-Maltino à final da Copa do Brasil, onde perdeu exatamente para o Corinthians, antes de ser demitido em fevereiro/2026).
É esse histórico recente — irregular mas com picos de alta — que justifica a aposta do Corinthians. Diniz sabe trabalhar sob pressão, tem experiência em competições internacionais e reconhece o peso da camisa. A missão, porém, é das mais complexas da sua carreira: tirar o time do buraco no campeonato e ao mesmo tempo competir na Libertadores.
A estreia mais difícil possível — e o elefante na sala
Na quinta-feira (9/04), às 21h (horário de Brasília), o Corinthians enfrenta o Platense em Buenos Aires pela primeira rodada do Grupo E da Copa Libertadores 2026. O grupo conta ainda com Peñarol e Santa Fé. Jogo fora de casa, com menos de 72 horas de trabalho com o novo técnico: é difícil imaginar estreia mais desafiadora.
E há outro tema que vai rondar os primeiros dias de Diniz no cargo: Memphis Depay. O holandês voltou ao CT nesta semana após tratamento de lesão muscular, mas sua permanência é incerta. O Corinthians confirmou uma dívida de R$ 42 milhões com o atacante, e o contrato vai até junho de 2026. A situação financeira do clube é crítica, e o pacote Depay — que consome cerca de R$ 7 milhões mensais entre salário, luvas e impostos — dificilmente se encaixa no orçamento de austeridade que a diretoria tenta impor.
Diniz vai precisar decidir rápido o que fazer com o camisa 94. E qualquer decisão terá consequências dentro e fora de campo.
O que esperar dos próximos dias
Apesar do contexto adverso, a maratona de compromissos em abril paradoxalmente pode ajudar Diniz: muitos jogos significam muitas chances de virar a chave rapidamente. Um bom resultado contra o Platense, seguido de um triunfo no Brasileirão, pode reacender a chama de uma torcida que, mesmo exigente, ainda acredita no potencial do elenco.
O Corinthians apostou em Diniz porque precisava de alguém com experiência internacional, personalidade forte e capacidade de instalar um estilo de jogo diferente do que o time vem apresentando. Ele tem tudo isso. A questão é: há tempo suficiente para colocar em prática?
A resposta começa a ser escrita já na quinta-feira, em Buenos Aires.
Fonte: Agência Brasil, MeuTimão, Gazeta Esportiva | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


