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Corinthians: 25 dias para quitar dívida com Shakhtar e escapar de ban na FIFA

CAS condenou o Timão a pagar R$ 7,2 milhões ao Shakhtar Donetsk pelo empréstimo de Maycon. Prazo vence em 24 de abril — ou o clube fica impedido de registrar transferências na FIFA.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
4 min de leitura
Corinthians: 25 dias para quitar dívida com Shakhtar e escapar de ban na FIFA
Corinthians precisa quitar R$ 7,2 mi ao Shakhtar até 24 de abril — Foto: Reprodução / Lance!

A Corte Arbitral do Esporte bateu o martelo. O Corinthians foi condenado a pagar R$ 7,2 milhões ao Shakhtar Donetsk pelo empréstimo do volante Maycon — e agora corre contra o tempo para não sofrer um transfer ban na FIFA.

A decisão, publicada em 27 de março, estipula 45 dias a partir de 10 de março para que o Timão quite o débito. A conta chega: 24 de abril. Se não pagar, o clube fica impedido de registrar novas contratações nas janelas seguintes. O relógio está rodando.

O veredito do CAS e o que está em jogo

Maycon chegou ao Corinthians em 2019 via empréstimo do Shakhtar por um valor equivalente a R$ 8 milhões à época. A operação ficou incompleta: parcelas foram honradas, mas o saldo devedor acumulou correção e encargos ao longo dos anos. O caso foi parar na Corte Arbitral do Esporte, que deu razão ao clube ucraniano.

O transfer ban não é automático nem imediato. O prazo concedido pelo CAS permite ao Corinthians quitar ou negociar. Mas se o dia 24 de abril passar sem resolução, a FIFA pode decretar a suspensão — e qualquer reforço que o Alvinegro tentar registrar a partir daí encontrará a porta fechada.

Para um clube que encerrou a janela doméstica sem resolver o problema do centroavante, essa é uma ameaça real ao planejamento para o segundo semestre.

O contra-crédito do Pedrinho e a viagem à Ucrânia

O quadro tem uma nuance que pode suavizar o impacto financeiro. O Corinthians afirma que o próprio Shakhtar Donetsk deve ao clube paulistano cerca de 500 mil euros pela venda definitiva de Pedrinho ao time ucraniano. Na prática, esse valor funciona como um contra-crédito que pode ser abatido do total a pagar.

A diretoria alvinegra estuda enviar um representante à Ucrânia para negociar diretamente com o Shakhtar ainda nesta semana. O objetivo é fechar um acordo que combine o uso desse contra-crédito, possível parcelamento do restante e quitação antes do prazo final.

Não é uma missão simples. O Shakhtar opera em contexto de guerra na Ucrânia há quatro anos, com estrutura administrativa adaptada. Negociar de forma direta e ágil exige disposição de ambos os lados.

O pior momento para uma pendência assim

O Corinthians entra na sequência mais exigente de sua temporada. São nove compromissos só em abril — Brasileirão, estreia na Copa Libertadores em 9 de abril contra o Platense em Buenos Aires e Copa do Brasil. O elenco está no limite, e qualquer movimentação de mercado que o clube precise fazer no curto prazo esbarra nessa ameaça.

Um ban neste momento não paralisa a temporada corrente: os jogadores já inscritos seguem liberados. O problema é estrutural. A janela internacional de julho é o próximo momento em que o clube poderia buscar um centroavante — a posição que o Timão mais precisa reforçar. Ficar com as mãos amarradas nessa janela seria um retrocesso grave.

Memphis Depay está se recuperando de lesão e deve retornar ao time em abril, mas o holandês joga pela meia-esquerda. A função de um 9 de área ainda está vaga no elenco.

Um nó antigo, uma conta nova

Dívidas em instâncias internacionais não são novidade no histórico financeiro do Corinthians. O clube vem tentando reorganizar suas finanças desde a chegada do atual grupo gestor, com renegociações, plano de recuperação e controle de gastos. O caso Maycon estava na fila, mas chegou à frente com um prazo curto e consequências concretas.

A diferença em relação a outros processos é a velocidade exigida: não dá para parcelar indefinidamente ou protelar em recursos. O prazo do CAS é duro. Vinte e cinco dias para resolver um problema de sete milhões de reais — e ainda manter o foco em campo para a temporada mais cheia dos últimos anos.

A diretoria trabalha. O clock não para.

Para mais detalhes sobre a condenação, leia a cobertura completa do Lance!.

Fonte: Lance!, CNN Brasil, O Povo | Informações adicionais por Beira do Campo

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Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.