Memphis no Corinthians: sete lesões depois, vale renovar?
Em 50 dias parado, sete lesões musculares e Instagram zerado depois, o Corinthians ainda discute renovação até 2028. Neide analisa o capítulo mais bizarro da era Memphis Depay: o jogador que joga mais com o departamento médico do que com a bola.


Memphis Depay zerou o Instagram na segunda-feira e o Corinthians fingiu não ver. Pelo menos foi um sinal de vida — porque dentro de campo o holandês não dá sinal de coisa nenhuma há quase dois meses. Sete lesões musculares desde que chegou ao Parque São Jorge, 116 dias parado em uma temporada e meia, um gol e uma assistência no ano inteiro. Tudo isso enquanto o "pacote Memphis" continua pesando R$ 7 milhões por mês no caixa de um clube endividado — e tem dirigente do Timão correndo atrás de BYD e Esportes da Sorte para parcelar o salário de um cara que está há 50 dias na fisioterapia.
A pergunta que ninguém na Fiel quer ouvir mas precisa ser feita: sério mesmo, vale a pena renovar com o holandês até 2028?
Memphis em números: sete lesões e 116 dias parados
O número é absurdo e merece ser repetido até o Parque São Jorge engasgar: sete lesões musculares desde que o jogador assinou em meados de 2024. Por causa delas, o holandês perdeu 21 partidas e ficou 116 dias longe do campo. Em 2026, são 12 jogos disputados, um gol marcado, uma assistência. Quem cobre o Galo o ano inteiro tem mais números para mostrar do que o homem da camisa 10 do Corinthians.
A lesão atual é a maior das vergonhas. Memphis está afastado desde 22 de março com uma contusão muscular grau 2 na coxa direita. Como se não bastasse, a coordenação de performance do clube aplicou um exercício de força fora do tempo de recuperação correto e agravou a lesão durante a reabilitação — o atacante voltou duas semanas no tratamento por causa de um erro do próprio departamento médico. Bravo o Timão, que paga para furar o pneu do próprio carro.
A reação de Memphis? Chamou um fisioterapeuta particular da Espanha, Fermin Valera, para tocar a recuperação por fora. Traduzindo: o jogador não confia mais nos profissionais que o Corinthians escolheu para cuidar dele. E o Corinthians, em vez de demitir alguém, está sentado na mesa discutindo extensão de vínculo. Não tem como inventar isso.
Os R$ 7 milhões da indústria do "ele volta semana que vem"
Cada vez que aparece a notícia "Memphis pode voltar contra o adversário X", já dá para marcar o sequel: dois dias depois sai "Memphis ainda fora, sentiu desconforto". Esse loop alimenta um clickbait infinito que esconde um cálculo simples: a folha do holandês — entre salário, luvas, bônus e impostos — custa cerca de R$ 7 milhões mensais ao Corinthians. Em 12 jogos disputados em 2026, são uns R$ 2,9 milhões pagos por aparição. Por gol marcado, R$ 35 milhões. Por assistência, mais R$ 35 milhões.
O Timão tem uma dívida gigantesca, vendeu o nome da arena, mendigou pacote da BYD e da Esportes da Sorte para ratear o salário do moço e ainda precisa cortar custo em todo canto. Mas segue pagando sete milhões por mês para um cara ver televisão? A torcida do Corinthians é apaixonada, é cega de paixão — mas não é trouxa de paixão. Tem hora que precisa perguntar quem aprovou esse contrato e por que ninguém tem coragem de admitir que foi mau negócio.
"Mas ele aceitou reduzir o salário"
O executivo Marcelo Paz declarou que Memphis aceitou cortar os vencimentos para seguir no clube. Ótimo. Reduzir de R$ 7 milhões para R$ 5 milhões? R$ 4 milhões? Cortar o salário de quem joga 12 vezes no ano ainda é caríssimo. Existe diferença gigantesca entre "reduzir" e "fazer sentido financeiro".
O argumento contrário também aparece embalado em saudade: "Mas quando Memphis joga, ele decide!". Decide o quê? Há dois meses que o holandês não decide nem qual fisioterapeuta o trata. A planilha de decisão de Memphis em 2026 cabe em duas linhas: um gol no Brasileirão, uma assistência. O retorno esperado para quinta-feira contra o Barra na Copa do Brasil ainda depende dos testes desta semana — não é nem certo, é "se ele suportar carga".
A Fiel merece honestidade. Memphis não está jogando, e nada nessa sequência indica que ele vá jogar 60% das partidas pelo resto do ano.
A renovação que o Timão precisa esquecer
O Corinthians está discutindo estender o vínculo do holandês até 2028 com um pacote de R$ 2,5 milhões mensais bancados por BYD e Esportes da Sorte — e ainda parcelando uma dívida de R$ 40 milhões herdada da primeira assinatura. Tudo isso para manter um jogador que, do ponto de vista médico, não dá garantia de jogar dez partidas seguidas. Não dá nem para chamar isso de aposta. Aposta tem chance de dar certo. Isso é teimosia financeira disfarçada de marketing.
A Fiel quer protagonista. Quer Yuri Alberto chegando inteiro, quer Garro decidindo no detalhe, quer Memphis 100% — não Memphis 30% custando o salário de cinco titulares. Renovar até 2028 seria assinar embaixo do erro de 2024 e fingir que está dando certo. Se o departamento de futebol do Corinthians tem qualquer noção do que está fazendo, não renova. Cumpre o contrato até julho, agradece o eventual show no Mundial caso o moço apareça, e usa esses R$ 30 milhões anuais para montar um meio-campo de verdade. O Timão tem mais o que fazer com esse dinheiro. A torcida sabe. A diretoria que finja saber também.
Fonte: Mix Vale, ESPN, Terra, Bola VIP | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


