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Roger Machado acerta com São Paulo e assume no lugar de Crespo

Técnico de 51 anos viaja a São Paulo nesta terça para assinar contrato até o fim de 2026. Filipe Luís e Gallardo foram descartados antes do acerto.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
4 min de leitura
Roger Machado acerta com São Paulo e assume no lugar de Crespo
Roger Machado em seu último trabalho no Internacional — Foto: Reprodução / ESPN

Roger Machado é o novo técnico do São Paulo. O clube encaminhou o acerto com o treinador gaúcho de 51 anos nesta terça-feira, menos de 24 horas após a demissão de Hernán Crespo. Machado viaja a São Paulo ainda hoje para assinar contrato válido até o fim da temporada 2026 e deve comandar o time já no próximo compromisso pelo Brasileirão.

O movimento foi rápido e cirúrgico. A diretoria tricolor descartou nomes mais chamativos por questões práticas — e Roger Machado encaixou exatamente no perfil que o clube buscava: livre no mercado, conhecedor do futebol brasileiro e com curriculo sólido nas últimas janelas.

A escolha após as portas fechadas

O primeiro nome na lista do São Paulo foi Filipe Luís. O técnico campeão carioca pelo Flamengo, no entanto, comunicou à diretoria tricolor que não tem interesse em trabalhar no Brasil em 2026. Sem a opção mais badalada, o clube consultou André Jardine, que comanda o América do México, mas não houve negociação concreta. Marcelo Gallardo também esteve no radar antes de ser descartado.

Com o mercado limitado por restrições financeiras — o São Paulo prioriza treinadores sem vínculos ativos — Roger Machado surgiu como o plano A definitivo. O acerto contou com o aval de Rui Costa, executivo de futebol do clube, que conhece bem o trabalho do gaúcho no cenário nacional.

Junto com Machado chegam o auxiliar técnico Roberto Ribas e o preparador físico Paulo Paixão, que compõem sua comissão de confiança.

Quem é Roger Machado

Gaúcho de 51 anos, Roger Machado tem uma trajetória marcada por clubes grandes do futebol brasileiro. Comandou Grêmio, Fluminense, Bahia, Atlético-MG, Palmeiras e, mais recentemente, o Internacional — onde encerrou seu trabalho em setembro de 2025 após 73 partidas e 34 vitórias à frente do Colorado.

No Inter, construiu um ciclo respeitável antes do desgaste natural que levou à sua saída. De lá para cá, ficou oito meses no aguardo de um projeto que fizesse sentido. O São Paulo foi esse projeto.

Sua metodologia é reconhecida pelo equilíbrio entre organização defensiva e transição rápida. Nos trabalhos anteriores, valorizou elencos sem estrelas individuais e soube administrar grupos grandes — característica útil num Tricolor que acumula joadores de alto custo mas precisa de identidade coletiva.

O que espera Machado no São Paulo

O Tricolor Paulista chega ao quinto técnico em menos de dois anos. A sequência de instabilidade no comando não tem impedido, porém, um começo de Brasileirão consistente: o time é um dos dois únicos invictos na competição, com dez pontos conquistados em quatro rodadas — conforme detalhamos na análise do início de São Paulo no Brasileirão 2026.

O paradoxo é que Crespo foi demitido justamente quando os resultados eram positivos. A razão está nos bastidores: divergências com a diretoria sobre aspectos táticos, de relacionamento com o elenco e de comunicação interna criaram um ambiente insustentável. A conta chegou mais cedo do que o esperado.

Roger Machado herda um elenco motivado, uma campanha sem derrotas e a pressão de manter o padrão. A estreia está prevista para a quinta-feira (12), quando o São Paulo enfrenta a Chapecoense no Canindé, pelo Brasileirão. Não há tempo para ajustes longos — a expectativa é que o novo treinador mantenha o 4-2-3-1 que Crespo utilizava como base, ao menos nos primeiros jogos.

Próximos passos

O contrato até o fim de 2026 é curto por design. O São Paulo deixa claro que a aposta é pontual, sem grandes compromissos financeiros de longo prazo. Se Roger Machado conseguir manter a invencibilidade e ganhar a Copa do Brasil — uma das metas da temporada —, a renovação será discutida naturalmente.

O mercado de treinadores no Brasil segue com poucas opções de peso disponíveis. Para o Tricolor, o importante era resolver rápido, sem deixar o elenco em compasso de espera com jogos pela frente. Nesse critério, a diretoria cumpriu.

Agora a bola está com Roger Machado. O restante do Brasileirão dirá se foi a escolha certa.

Informações: ESPN Brasil

Fonte: ESPN Brasil, CNN Brasil, SPNet | Informações adicionais por Beira do Campo

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Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.