Santos 2x2 Chapecoense: Neymar salva, a Vila não engana
Neymar marcou duas vezes no dia da volta e ainda assim o Santos só empatou em casa com o pior time do Brasileirão 2026. O ponto conquistado tira o Peixe do 15º para o 14º lugar e resolve exatamente nada.
Neide Ferreira5 min de leitura
Santos 2x2 Chapecoense é o tipo de resultado que só parece bom para quem ligou a TV nos minutos finais. Neymar voltou, fez os dois gols do Peixe, comemorou provocando os críticos — e o time saiu da Vila Belmiro com um ponto contra a lanterna do Brasileirão 2026, um time que tinha ganho um jogo em dezenove. Um. E adivinha contra quem tinha sido essa vitória.
Eu avisei no pré-jogo desta partida que a leitura fácil era a errada. A leitura fácil dizia que o 15º colocado recebia o pior time do campeonato com Neymar e Gabigol de volta e resolvia no primeiro tempo. Deu nisso: o Santos precisou de um pênalti no fim para não perder em casa para a Chapecoense pela segunda vez no mesmo campeonato.
Os gols e o roteiro que a Vila já conhece de cor
O jogo começou como o script pedia. Aos 36 minutos do primeiro tempo, Neymar tabelou com Barreal dentro da área e finalizou no canto de Matheus Aurélio. Golaço, comemoração ensaiada, a Vila em pé. Se o intervalo tivesse durado o resto da noite, o Santos teria vencido.
Só que o segundo tempo existe. Logo aos cinco minutos, Marcinho — que tinha entrado no lugar de Kevin Ramírez — empatou. Onze minutos depois, João Ananias mandou contra o próprio gol e virou o jogo para a Chapecoense. Dezesseis minutos de segundo tempo para o Santos sair de vitória tranquila para derrota em casa para o último colocado.
O empate veio de onde vem quase tudo no Santos de 2026: do pé do Neymar. Gustavo Caballero foi derrubado na área, o árbitro Fernando Antonio Mendes de Salles Nascimento Filho marcou o pênalti e Neymar bateu para fazer o 2 a 2 nos minutos finais.
O problema do Santos não é o Neymar
Vou dizer o que ninguém quer ouvir: o Santos não tem um problema de ataque, tem um problema de time. Neymar voltou a jogar depois de mais de dois meses fora, entre lesão na panturrilha e o período pós-Copa, e produziu dois gols em uma partida. É exatamente o que se pede de um jogador desse tamanho. O que não se pede é que ele seja o único plano.
A defesa de Cuca levou dois gols da equipe que menos marca no campeonato. O meio-campo com Willian Arão e Gabriel Bontempo não segurou a reação da Chapecoense por quinze minutos. Gabigol, que voltou junto com Neymar e foi vendido como a outra metade da salvação, não apareceu no placar. Rollheiser saiu para a entrada de Caballero.
Quando um time de Série A precisa que o camisa 10 faça os dois gols para empatar com o lanterna dentro de casa, o diagnóstico não é falta de talento. É falta de estrutura em volta do talento. E isso não se resolve com retorno de lesionado, se resolve com projeto.
Números do jogo — e o que eles fazem com a tabela
| Dado | Santos | Chapecoense |
|---|---|---|
| Gols | 2 (Neymar, 2) | 2 (Marcinho e Ananias contra) |
| Pontos após a rodada | 22 | 10 |
| Posição | 14º | 20º (lanterna) |
| Cartões amarelos | Lucas Veríssimo, Neymar | Camilo, Matheus, Bruno Tubarão, Bruno Matias |
O Santos entrou em campo com 21 pontos em 15º e saiu com 22 em 14º. Subiu uma posição por um ponto, o que na prática significa que continua exatamente onde estava: dentro da faixa de seis clubes separados por pouca coisa que eu já tinha detalhado na análise dos números do Z4 antes da rodada. A diferença é que agora tem menos rodada pela frente.
A Chapecoense chegou a 10 pontos em 20 jogos. Continua lanterna, continua com uma vitória no campeonato, e ainda assim saiu da Vila Belmiro tendo tirado quatro dos seis pontos possíveis contra o Santos em 2026. Que alguém explique isso ao departamento de futebol do Peixe.
E a rodada 20 ainda tem o confronto direto entre Vasco e Mirassol, que pode reorganizar a parte de baixo da tabela de novo. Ou seja: esse ponto que o Santos comemorou pode valer bem menos amanhã de manhã.
Enquanto isso, no topo
Vale o contraste. Na mesma noite, o Athletico-PR fechou o melhor primeiro turno da era dos pontos corridos e emplacou a quarta vitória seguida. Tem clube no Brasileirão 2026 construindo campanha histórica com um décimo do elenco e um centésimo do barulho que o Santos faz. A diferença entre os dois projetos não está em quem tem o melhor jogador. Está em quem tem o melhor time.
Próximo compromisso
O Santos não tem tempo para digerir. Na terça-feira, 28 de julho, às 21h30, recebe a Universidad Central, da Venezuela, na Vila Belmiro, pela volta dos playoffs da Copa Sul-Americana. É o jogo que decide se a temporada mantém uma segunda frente ou vira exclusivamente uma luta contra o rebaixamento.
A Chapecoense volta a campo no domingo, 2 de agosto, às 18h30, na Arena Condá, contra o Cruzeiro, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil. A lanterna do Brasileirão está viva em mata-mata nacional. Se isso não diz alguma coisa sobre as prioridades de cada clube neste ano, não sei o que diz.
Neymar fez o que tinha que fazer. O Santos, não.
Fontes: Gazeta Esportiva, LANCE! e CNN Brasil.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Quanto foi Santos x Chapecoense?
- Santos 2 x 2 Chapecoense, na Vila Belmiro, pela rodada 20 do Brasileirão 2026.
- Quem marcou os gols de Santos x Chapecoense?
- Neymar fez os dois do Santos, o primeiro aos 36 do primeiro tempo e o segundo de pênalti no fim do jogo. Marcinho marcou para a Chapecoense e João Ananias fez contra.
- Como ficou o Santos na tabela do Brasileirão 2026?
- O Santos chegou a 22 pontos e subiu para a 14ª colocação. A Chapecoense segue na lanterna, com 10 pontos.
- Qual o próximo jogo do Santos?
- O Santos recebe a Universidad Central, da Venezuela, na terça-feira, 28 de julho, às 21h30, na Vila Belmiro, pela volta dos playoffs da Sul-Americana.
- Qual o próximo jogo da Chapecoense?
- A Chapecoense enfrenta o Cruzeiro no domingo, 2 de agosto, às 18h30, na Arena Condá, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil.
Fonte: Gazeta Esportiva, LANCE!, CNN Brasil · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


