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São Paulo vive melhor início no Brasileirão em sete anos e encosta no Palmeiras

Tricolor paulista repete campanha de 2019 com 10 pontos em quatro rodadas e se mantém invicto na competição nacional, atrás apenas do líder Palmeiras no saldo de gols.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
6 min de leitura
São Paulo vive melhor início no Brasileirão em sete anos e encosta no Palmeiras
Torcida do São Paulo no Morumbi — clima de festa no estádio tricolor

O São Paulo entrou em campo na noite de quarta-feira (25) contra o Coritiba sabendo que uma vitória não apenas manteria a invencibilidade no Brasileirão 2026, mas também colocaria o time na cola do líder Palmeiras. Missão cumprida: 1 a 0 fora de casa, gol de Luciano, e a conta chegou a dez pontos em quatro rodadas — a segunda melhor pontuação da história do clube na era dos pontos corridos após esse número de jogos.

A informação, levantada a partir de dados do Sofascore e confirmada por históricos do Campeonato Brasileiro, coloca o Tricolor em posição de destaque no início da competição. Apenas em 2011 o time havia começado melhor, com quatro vitórias seguidas e 12 pontos. Nas campanhas de 2004 e 2019, o São Paulo também chegou aos dez pontos nas quatro primeiras rodadas — curiosamente, anos em que o time brigou por título até o fim.

Os números que explicam a fase

A sequência invicta do São Paulo já dura oito jogos oficiais, contando estadual e nacional. São sete vitórias e um empate desde a derrota para o Palmeiras no fim de janeiro. No Brasileirão especificamente, o time venceu Flamengo (2x1), empatou com Santos (1x1), derrotou Grêmio (2x0) e agora o Coritiba (1x0).

O que chama atenção é a solidez defensiva. O São Paulo sofreu apenas dois gols nas quatro primeiras rodadas — um dos melhores índices da competição. Do outro lado, o ataque produziu seis gols, com destaque para Calleri, Luciano e Lucas, que têm alternado boas atuações.

Para se ter ideia da evolução, em 2019 — última vez que o clube chegou aos dez pontos nas quatro primeiras rodadas — o time também havia vencido três e empatado um. Naquela temporada, terminou em sexto lugar com 63 pontos. Já em 2004, quando repetiu a mesma pontuação inicial, fechou o campeonato em terceiro, com 82 pontos.

O fator Crespo

Hernán Crespo completa um ano à frente do São Paulo em março, e os números começam a aparecer. O técnico argentino conseguiu implementar uma identidade de jogo que oscilava no início do mandato, mas agora parece consolidada. A equipe alterna entre linhas de três e quatro defensores conforme o adversário, mas mantém a intensidade na pressão e a busca por transições rápidas.

Em entrevista após o jogo contra o Coritiba, Crespo foi categórico: "Pés no chão, sem muita euforia. Ficar tranquilo, ficar focados no trabalho, na união, no caminho da temporada que é muito longo. Estamos fazendo algo bom, apenas no início."

A postura do treinador reflete o ambiente interno. Apesar da crise política que envolve o clube — com pedidos de impeachment contra a atual diretoria —, o grupo parece blindado no CT da Barra Funda. A classificação para a semifinal do Paulistão, garantida no fim de semana contra o Red Bull Bragantino, ajudou a aumentar a confiança.

O Choque-Rei que vem por aí

O próximo desafio não poderia ser mais complicado. No domingo (1º de março), o São Paulo enfrenta o Palmeiras na Arena Barueri pela semifinal do Campeonato Paulista. O clássico vale vaga na decisão do estadual e coloca frente a frente os dois melhores times do início de temporada no país.

O Palmeiras lidera o Brasileirão com os mesmos dez pontos do São Paulo, mas leva vantagem no saldo de gols: 7 a 4. Abel Ferreira montou uma equipe tão sólida quanto a do rival, e o confronto promete ser equilibrado. Para o São Paulo, a vantagem de jogar em Barueri — onde a torcida tem sido maioria nos últanos anos — pode fazer a diferença.

Curiosamente, em 2011, quando o São Paulo fez a melhor campanha inicial da história com 12 pontos, justamente o quinto jogo foi contra o Corinthians. O resultado? Uma histórica goleada de 5 a 0 para o rival, no Pacaembu, que derrubou o time da liderança e mudou o rumo da temporada. A lição está aí: começar bem é importante, mas manter a regularidade é o que define campeões.

O que muda no elenco

Crespo tem conseguido gerir o grupo de forma eficiente. A ausência de Alisson contra o Coritiba — o meia sentiu uma virose — abriu espaço para Danielzinho, que veio do Mirassol sem custo e tem sido uma das revelações do início de ano. O lateral Lucas Ramon, que abriu mão de valores para permanecer no clube, também tem recebido elogios públicos do treinador.

A boa notícia é a recuperação de Ryan Francisco e André Silva, que voltam a ficar à disposição. O elenco começa a ganhar corpo exatamente no momento em que a temporada exige mais — semifinal de estadual e sequência de Brasileirão sem pausa.

Projeção: até onde vai?

Histórico recente mostra que começar bem no Brasileirão é sinal de temporada positiva, mas não garantia de título. Em 2019, com os mesmos dez pontos iniciais, o São Paulo chegou a liderar por várias rodadas, mas acabou fora do G-4 nas últimas semanas. Em 2004, terminou em terceiro, com vaga direta na Libertadores.

A diferença deste ano pode estar no calendário. Com a Copa do Mundo de 2026 acontecendo em junho e julho, o Brasileirão terá uma pausa longa no meio da temporada. Isso pode beneficiar times com elencos mais curtos, como o São Paulo, que terão tempo para recuperar jogadores sem perder ritmo de competição.

O fato é que, quatro rodadas depois, o São Paulo está onde poucos imaginavam. Invicto, na cola do líder, com time jogando bem e técnico consolidado. A torcida, que começou o ano pressionando por resultados, agora já projeta o que vem por aí. E o Choque-Rei de domingo será o primeiro grande teste dessa nova fase.


Fontes consultadas: UOL Esporte, BolaVip Brasil, Sofascore, ge.globo.com

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Fonte: UOL Esporte / BolaVip / Sofascore | Informações adicionais por Beira do Campo

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Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.