Flamengo no STJD: rubro-negro pode perder até 10 mandos de campo
Procuradoria do STJD denunciou o Flamengo pelo artigo 213 do CBJD após a confusão antes e depois do clássico contra o Vasco em 3 de maio. O clube pode perder de um a dez mandos de campo e pagar até R$ 100 mil. Julgamento na Terceira Comissão Disciplinar nesta quinta-feira.


A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva apertou o cerco sobre o Flamengo. Nesta terça-feira, 12 de maio, o órgão denunciou o clube pelas confusões registradas dentro e fora do Maracanã antes e depois do clássico contra o Vasco, encerrado em 2 a 2 pela 14ª rodada do Brasileirão no último dia 3. O rubro-negro foi enquadrado no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva e corre risco real de jogar fora do Rio nas próximas partidas em casa.
A denúncia chega num momento delicado da temporada. O time de Filipe Luís brigava ponto a ponto pela liderança do Brasileirão, dividia a melhor defesa da competição com o Palmeiras e agora precisa lidar com uma punição capaz de tirar o Maracanã da equação justamente no recorte mais quente do calendário.
A denúncia: artigo 213 do CBJD
O enquadramento no artigo 213 não mira jogadores nem comissão técnica. Ele responsabiliza diretamente o mandante por "deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto". Em outras palavras, a Procuradoria entendeu que o clube falhou na operação de segurança no entorno do estádio e dentro do raio sob sua responsabilidade.
A pena prevista é dupla. De um lado, perda de mando de campo, que pode variar de um a dez jogos. De outro, multa entre R$ 100 e R$ 100 mil. A Procuradoria pediu as duas sanções e, segundo apurou a Jogada10, defendeu uma punição "exemplar" pela gravidade dos episódios.
O que aconteceu no entorno do Maracanã
A confusão começou logo após o apito final do clássico. Integrantes da Jovem Fla e da Força Jovem Vasco se enfrentaram na rampa de acesso à estação de metrô e o tumulto rapidamente avançou para a Rua Oito de Dezembro, na Tijuca. A Polícia Militar usou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral para dispersar o conflito, e o saldo da operação assustou a opinião pública:
- Um morto, identificado como torcedor agredido no meio do tumulto.
- Um ferido grave: jovem que perdeu a visão do olho direito após ser atingido por bala de borracha disparada pela PM.
- Dez detidos durante a confusão, com objetos apreendidos no entorno.
A repercussão extrapolou o ambiente esportivo e chegou às comissões de direitos humanos da Alerj e à OAB-RJ, que pediram apuração do uso da força policial. O Flamengo, no comunicado oficial divulgado no dia seguinte, lamentou a morte e classificou a violência como "incompatível com qualquer manifestação de torcida".
Pena possível: de um a dez mandos perdidos
A leitura é que a Procuradoria mira o teto. A combinação de morte, ferido grave e detalhes de violência registrados em vídeo dá ao caso o tipo de gravidade que costuma puxar o piso da punição para cima. Internamente, a avaliação do departamento jurídico rubro-negro, segundo o Lance!, é que algo entre três e cinco mandos de campo é o cenário mais provável caso o efeito suspensivo seja negado.
Não é uma conta trivial. Cada jogo fora do Maracanã significa renúncia de bilheteria, sócio-torcedor, comércio interno e ambiente competitivo. Em uma temporada com Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil acontecendo em paralelo, qualquer jogo distante do Rio mexe com logística, fuso, descanso e adaptação tática.
Próximos passos: julgamento dia 14 e efeito suspensivo
O caso entra em pauta nesta quinta-feira, 14 de maio, na Terceira Comissão Disciplinar do STJD. A defesa do Flamengo deve sustentar dois pontos centrais: a tese de responsabilidade compartilhada com o poder público — já que a operação de segurança fora do estádio cabe à PM — e o histórico recente do clube em ações de combate à violência de torcidas organizadas, incluindo o cadastramento de torcedores e a vedação de adereços.
Se a punição for mantida, o clube ainda pode recorrer e pedir efeito suspensivo no Pleno do STJD. A janela regulamentar de dez dias entre a publicação da pena e sua aplicação prática deve preservar o clássico contra o Palmeiras, marcado para 23 de maio no Maracanã. Mas, a depender do volume da pena e do calendário, jogos de junho podem ser empurrados para arenas alternativas no Rio ou até para outros estados.
A diretoria rubro-negra encara a denúncia como um teste duplo. Esportivo, pela perda de ambiente em uma temporada decisiva. Institucional, porque puxa para o centro do debate o papel dos clubes em conter a violência das organizadas — pauta que vai muito além do que cabe num único julgamento.
Perguntas frequentes
- Por que o Flamengo foi denunciado no STJD?
- A Procuradoria do STJD enquadrou o clube no artigo 213 do CBJD por falhar em prevenir e reprimir desordens em sua praça, após a confusão entre torcidas organizadas no entorno do Maracanã no clássico contra o Vasco de 3 de maio.
- Quantos mandos de campo o Flamengo pode perder?
- A pena prevista varia de um a dez mandos de campo, somada a multa que vai de R$ 100 a R$ 100 mil, segundo o artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
- Quando é o julgamento do Flamengo no STJD?
- O caso será julgado nesta quinta-feira, 14 de maio, na Terceira Comissão Disciplinar do STJD, no Rio de Janeiro.
- O Flamengo x Palmeiras de 23 de maio será afetado?
- Provavelmente não. O clube ainda pode pedir efeito suspensivo, e o regulamento dá uma janela de dez dias entre a punição e sua aplicação, o que tende a preservar o duelo no Maracanã.
Fonte: Jogada10/O Povo, Lance!, Coluna do Fla | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


