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São Paulo foi ao Choque-Rei antes do apito — e a culpa já é do árbitro

Antes de o Choque-Rei começar, o executivo do São Paulo já apontou favorecimento arbitral ao Palmeiras. Neide Ferreira tem uma pergunta simples: se o árbitro é tão bom, por que vocês perderam cinco clássicos seguidos?

Neide Ferreira
Neide Ferreira
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São Paulo foi ao Choque-Rei antes do apito — e a culpa já é do árbitro
Ilustração — Estádio vazio antes do clássico: o palco onde as desculpas não vencem partidas

O Choque-Rei está marcado para amanhã, sábado, às 21h. O apito inicial ainda nem foi dado. Mas o São Paulo já sabe de quem é a culpa caso perca: do árbitro. Só pode ser.

Rui Costa, executivo de futebol do Tricolor, deu declarações sugerindo que o Palmeiras recebe tratamento privilegiado da arbitragem. O diretor alviverde Anderson Barros respondeu na mesma moeda, chamando as afirmações de "oportunistas e extremamente irresponsáveis". E, cá entre nós, Barros acertou em cada sílaba.

Antes de falar do árbitro, São Paulo, olha para o campo. Cinco clássicos consecutivos perdidos para o Palmeiras. Cinco. Não foi um pênalti polêmico que fez isso. Foi o campo.

A desculpa velha de um clube que parou no tempo

Esse script é conhecido. Toda vez que um grande time começa a perder clássicos com frequência, a arbitragem vira o bode expiatório preferido. É mais fácil atacar o homem de preto do que admitir que o rival simplesmente joga melhor.

O São Paulo começou o Brasileirão 2026 com performance impressionante — empatado na liderança com 16 pontos, ao lado justamente do Palmeiras. Roger Machado montou um time organizado, difícil de bater. O São Paulo invicto na abertura do Brasileirao foi real, e merece reconhecimento.

Mas aí vem o Choque-Rei e, de repente, a memória falha. Os cinco clássicos perdidos desaparecem da mente do executivo. A culpa passa para o árbitro. Rui Costa não estava preocupado com a arbitragem quando o São Paulo venceu suas últimas partidas, estava?

Palmeiras ganhou no campo — e isso dói

Preciso dizer o óbvio, porque parece que alguns não querem ouvir: o Palmeiras de Abel Ferreira é um time excepcional. Campeão paulista 2026 com autoridade, líder do Brasileirao, e dono de um sistema defensivo que outros times copiam e não conseguem replicar.

Na semifinal do Paulistão entre Palmeiras e São Paulo, o Verdão foi melhor. No clássico do Brasileirao, foi melhor. Cinco vezes seguidas, foi melhor.

Isso não significa que o Palmeiras não reclama de árbitro — Abel tem um histórico de brigas com a arbitragem que encheria uma coluna inteira, e já protagonizou a sua própria polêmica de súmula. Mas uma coisa é reclamar de arbitragem depois de jogar. Outra, muito diferente, é instalar a narrativa antes de a bola rolar. Isso é politicagem, não futebol.

Amanhã, o campo decide

Anderson Barros disse que o Palmeiras venceu cinco clássicos seguidos "por mérito, não por arbitragem". E sabe o que acontece quando alguém diz isso antes de uma partida? A pressão aumenta — e vai para os dois lados.

O São Paulo criou um ambiente em que, se perder, a culpa já está dada. Se ganhar, vai precisar admitir que a arbitragem não foi o problema. É uma armadilha autoinfligida, do tipo que clubes inseguros constroem antes de duelos que sentem que vão perder.

Amanhã tem Choque-Rei. 21h. Palmeiras e São Paulo empatados na liderança, com um ponto a mais que todo o resto. O jogo vai definir quem lidera sozinho o Brasileirao — pelo menos por algumas horas, até o domingo.

Que o melhor vença. No campo. Sem desculpas prontas.

Porque de árbitro eu já estou cansada. E torcedor também está.

Fonte: ESPN Brasil / Palmeiras Online | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.