Copa del Rey 2026: Real Sociedad supera Atlético nos pênaltis
Com gol histórico aos 14 segundos e heroísmo do goleiro Marrero na disputa de pênaltis, a Real Sociedad bateu o Atlético de Madrid por 4-3 e levantou o terceiro título da Copa del Rey.


Algumas finais têm a capacidade de nos roubar a fala já no primeiro sopro de apito. Esta foi uma delas.
Aos 14 segundos de jogo — não minutos, segundos — Ander Barrenetxea cabeceou para as redes do La Cartuja de Sevilha e inscreveu na história da Copa del Rey um dos momentos mais improváveis que uma final pode oferecer. O Atlético de Madrid, acostumado a escrever épicos nos minutos finais, levou um susto tão precoce que parecia mensagem enviada de um futuro distante.
O que viria a seguir, nas próximas duas horas e meia, foi futebol em estado bruto.
Gols, drama e heroísmo em La Cartuja
A Real Sociedad saiu do vestiário com a fome de quem esperou décadas por um momento assim. Gonçalo Guedes cobrou escanteio, Barrenetxea antecipou o zagueiro, e o cronômetro mal havia passado dos 14 segundos quando a bola estufou a rede. Um gol que já entrou para o folclore da Copa del Rey.
O Atlético não tremeu. Dez minutos depois, Ademola Lookman encontrou espaço na área e bateu no ângulo esquerdo de Unai Marrero, empatando a partida com a elegância habitual do nigeriano. O jogo estava reaberto.
Mas La Cartuja voltaria a se inclinar para o lado basco antes do intervalo. Uma desatenção de Juan Musso lhe custou caro: o goleiro argentino errou na saída e Mikel Oyarzabal, capitão e símbolo do clube, não perdoou na cobrança de pênalti. 2-1 para a Real Sociedad no intervalo.
O Atlético do Cholo Simeone jamais morre. Na reta final do segundo tempo, quando o título parecia escapar pelos dedos, Julián Álvarez encontrou o ângulo certo com um chute de esquerda preciso. 2-2 aos 83 minutos. A prorrogação era inevitável — e os 30 minutos adicionais não foram suficientes para separar os times. Os pênaltis decidiriam o terceiro título da história da Real Sociedad.
Marrero, o guardião da festa
A cobrança de pênaltis pertence ao território do inesperado. Ali, um goleiro pode transformar uma noite comum em lenda particular. Unai Marrero, titular frequente na Copa del Rey durante toda a temporada mas reserva na La Liga, virou o protagonista improvável que toda grande final precisa.
Primeiro defendeu o chute de Alexander Sørloth. Depois parou Julián Álvarez — o mesmo que havia salvado o Atlético no tempo regulamentar. Enquanto os quatro cobradores da Real Sociedad converteram sem erro, Pablo Marín encerrou o conto batendo o goleiro colchonero com precisão cirúrgica.
Real Sociedad 4-3 no Atlético de Madrid. Terceiro título da Copa del Rey na história do clube de San Sebastián.
Não era uma estreia no palco: em 1987, as mesmas duas equipes se enfrentaram em outra final desta competição. E nos pênaltis, naquela noite distante, a Real Sociedad também prevaleceu. A história não é coincidência, é caráter.
O Atlético amargo, mas digno
O Cholo Simeone ficará mais uma vez sem o título que lhe falta para completar um palmarès espanhol pleno. O Atlético chegou à final com todo o peso de um clube forjado na resiliência — e mostrou exatamente isso, revertendo duas desvantagens para forçar a prorrogação.
Julián Álvarez, decisivo nos 90 minutos e cobrador frustrado nas penalidades máximas, encapsula o paradoxo dessa noite rojiblanca: brilho e derrota habitando o mesmo corpo. Lookman, que chegou ao Atlético como grande contratação desta temporada, também deixou sua marca — não foi suficiente.
A Copa del Rey ficará para a Real Sociedad. Mas o Atlético ainda tem muito para jogar na Champions League, onde aguarda sua próxima batalha.
Real Sociedad: identidade como bandeira
San Sebastián tem o privilégio de ter um clube que reflete seus valores com fidelidade quase incômoda: formação própria, identidade basca, uma teimosia gentil que não cede facilmente. Oyarzabal é o maior símbolo disso — capitão que ergueu a taça com lágrimas de quem sabe o que custou.
Esta Copa del Rey é também o reconhecimento de um projeto sólido, que não depende de gastos estratosféricos para competir com as grandes potências do futebol espanhol. Em uma época de hipercapitalismo esportivo, ver a Real Sociedad campeã tem algo de oxigênio puro.
A Champions League desta semana promete semifinais igualmente dramáticas. Mas esta noite em La Cartuja pertencerá aos bascos por muito tempo.
Ficha técnica: Atlético de Madrid 2-2 Real Sociedad (4-3 nos pênaltis) Copa del Rey — Final | La Cartuja, Sevilla | 18/04/2026
Gols: Barrenetxea 14'' e Oyarzabal (pen.) (Real Sociedad); Lookman e Julián Álvarez 83' (Atlético de Madrid) Pênaltis: Real Sociedad 4-3 Atlético (Marrero defendeu cobranças de Sørloth e Julián Álvarez)
Perguntas frequentes
- Quem ganhou a Copa del Rey 2026?
- A Real Sociedad conquistou a Copa del Rey 2026 ao vencer o Atlético de Madrid nos pênaltis por 4-3, após empate de 2-2 no tempo normal e prorrogação.
- Qual foi o placar da final da Copa del Rey 2026?
- Atlético de Madrid 2-2 Real Sociedad no tempo regulamentar e prorrogação, com a Real Sociedad vencendo nos pênaltis por 4-3.
- Quem fez os gols na final da Copa del Rey 2026?
- Barrenetxea (14 segundos) e Oyarzabal (pênalti) marcaram pela Real Sociedad; Lookman e Julián Álvarez descontaram pelo Atlético de Madrid.
- Quantas vezes a Real Sociedad ganhou a Copa del Rey?
- Com este título, a Real Sociedad chega ao seu terceiro troféu da Copa del Rey na história.
- Quem foi o herói da disputa de pênaltis da Copa del Rey 2026?
- O goleiro Unai Marrero foi o herói ao defender dois pênaltis — de Sørloth e de Julián Álvarez — garantindo o título para a Real Sociedad.
Fonte: Infobae / La Nación / Prensa Libre | Informações adicionais por Beira do Campo

Correspondente Internacional
Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.


