Estados Unidos x Paraguai: a estreia anfitriã da Copa
Um dia depois de a bola rolar no Azteca, o segundo país-sede entra em cena. No SoFi Stadium de Los Angeles, os Estados Unidos de Pochettino estreiam diante de um Paraguai invicto há oito jogos — e que recentemente bateu Brasil, Argentina e Uruguai.


A Copa do Mundo 2026 mal começou e já cumpre a sua primeira promessa de simetria. Vinte e quatro horas depois de México e África do Sul abrirem o torneio no Azteca, é a vez do segundo país-sede pisar no gramado: nesta sexta-feira, às 22h de Brasília, Estados Unidos x Paraguai abrem o Grupo D no SoFi Stadium, em Los Angeles. De um lado, o anfitrião que carrega o peso de não decepcionar dentro de casa. Do outro, uma seleção sul-americana discreta no hype, mas que chega à Califórnia como um dos times mais difíceis de vencer entre os 48 classificados.
O duelo tem o sabor de reencontro antigo. A última vez que essas duas seleções se cruzaram em Copa foi em 1930, no Uruguai, na primeira edição da história do Mundial. Os Estados Unidos venceram por 3 a 0, com um nome que entrou para a eternidade: Bert Patenaude marcou três vezes e registrou o primeiro hat-trick reconhecido oficialmente em Copas do Mundo. Noventa e seis anos depois, a história volta a se sentar na arquibancada para assistir ao capítulo seguinte.
Ficha técnica
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Jogo | Estados Unidos x Paraguai |
| Competição | Copa do Mundo 2026 — Grupo D |
| Rodada | 1ª rodada (fase de grupos) |
| Data | Sexta-feira, 12/06/2026 |
| Horário | 22h (Brasília) |
| Estádio | SoFi Stadium — Inglewood, Los Angeles (EUA) |
| Onde assistir | Globo, SBT, SporTV, CazéTV e Globoplay |
| Árbitro | A confirmar |
A arena escolhida para a estreia diz muito sobre a ambição do projeto americano. O SoFi Stadium é a casa luxuosa dos times de futebol americano Los Angeles Rams e Chargers, e teve o gramado sintético removido para receber grama natural só por causa do Mundial. Com cerca de 70 mil lugares na configuração de futebol, será palco de oito jogos da competição. Para quem quiser entender como o torneio se espalha por três países, vale revisitar o guia de formato e sedes da Copa 2026.
O paradoxo do anfitrião e a sombra de 2022
Os Estados Unidos chegam à própria Copa vivendo um paradoxo curioso: têm a melhor geração da sua história e, ainda assim, convivem com a desconfiança. Christian Pulisic, hoje no Milan, é o rosto de um elenco que se formou nas principais ligas europeias. Folarin Balogun marcou quatro gols nos últimos dez jogos pela seleção e assume a referência ofensiva. Weston McKennie, Tyler Adams e Antonee Robinson completam uma espinha dorsal acostumada a jogos grandes.
O comando técnico é o detalhe que muda tudo. Mauricio Pochettino assumiu a seleção justamente para transformar potencial em resultado, e o argentino sabe que um país-sede eliminado cedo é um trauma esportivo difícil de curar. A meta interna não é discreta: superar as oitavas de final, teto da campanha de 2022 no Catar. O problema é que Pochettino ainda não cravou um sistema. Nos últimos amistosos, alternou entre três zagueiros, 4-2-3-1 e 4-3-3, sinal de que a definição da estreia foi decidida quase na última semana.
A baixa de Chris Richards, em recuperação de uma lesão no tornozelo, mexeu com a defesa e deve abrir a vaga de Mark McKenzie ao lado de Tim Ream. No gol, a aposta recai sobre Matt Freese, escolhido à frente do veterano Matt Turner. São apostas de um treinador que prefere ousar a se proteger — coerente com a filosofia que o consagrou na Europa.
Paraguai: o time que ninguém quer pegar
Se o favoritismo é americano, o respeito é todo paraguaio. A seleção de Gustavo Alfaro desembarca em Los Angeles invicta há oito partidas, uma sequência que inclui vitórias sobre Brasil, Argentina e Uruguai ao longo das Eliminatórias sul-americanas. Não é detalhe de almanaque: bater os três gigantes da Conmebol no mesmo ciclo é a credencial de um time que sabe exatamente o que faz quando entra em campo.
O segredo está na estrutura defensiva. O Paraguai sofreu apenas 14 gols em 18 jogos de Eliminatória, número de candidato a surpresa. Alfaro montou um bloco compacto, paciente, que cede o controle da bola sem cerimônia e vive das transições rápidas. O capitão Gustavo Gómez, zagueiro e ídolo no Brasil pela passagem vitoriosa no Palmeiras, é o coração desse sistema. À frente, Miguel Almirón distribui o jogo e Antonio Sanabria lidera o ataque. A única dúvida relevante é a ausência de Julio Enciso, com problema na coxa, que tira da seleção o seu drible mais imprevisível.
A leitura tática é direta: o Paraguai não vai correr atrás do jogo, e isso transforma a estreia americana em um teste de paciência. Times que se fecham bem têm sido o pesadelo dos anfitriões em Copas recentes, e os Estados Unidos terão de provar que sabem quebrar uma defesa que treinou a vida inteira para resistir.
Escalações prováveis
Pochettino deve apostar em um desenho híbrido, que no papel parece um 4-2-3-1, com Sergiño Dest empurrado como ponta para dar largura e Malik Tillman entre as linhas. Adams e McKennie protegem a defesa, enquanto Pulisic flutua pela esquerda em busca dos espaços que o Paraguai sempre deixa nas costas dos laterais.
Do lado paraguaio, Alfaro tende a repetir o 4-4-2 sólido que sustentou a campanha das Eliminatórias, com duas linhas de quatro bem postadas e Sanabria e Arce de referência no ataque. Roberto Fernández segue no gol e a dupla de zaga Balbuena–Gustavo Gómez é a fortaleza do time.
Pontos táticos do jogo
1. A paciência americana contra o bloco baixo. O Paraguai vai entregar a bola e recuar. A pergunta é se os Estados Unidos têm repertório para furar uma defesa de nove homens. Pulisic e Tillman precisam aparecer entre as linhas, porque pela força bruta dificilmente o jogo se resolve.
2. As bolas paradas. A seleção de Pochettino rendeu pouco em jogadas ensaiadas durante o seu ciclo, e isso pode ser caro num jogo travado. Com McKennie, McKenzie e Balogun subindo nos escanteios, o anfitrião tem altura para explorar o setor onde o Paraguai é menos imponente.
3. A transição de Almirón. O melhor momento paraguaio nasce quando a bola é recuperada e Almirón encontra Sanabria em velocidade. Se os laterais americanos subirem demais — e Dest sobe sempre —, o contra-ataque vira a arma mais perigosa da noite.
Palpite
A lógica do mando, da qualidade individual e da pressão de jogar em casa empurra os Estados Unidos para a frente, mas o Paraguai é exatamente o tipo de adversário que estraga estreias. O cenário mais provável é um jogo controlado pelo anfitrião, com posse alta e dificuldade para criar, decidido em um lampejo de Pulisic ou em uma bola parada. Aposto em uma vitória americana apertada, daquelas que se resolvem no segundo tempo e fazem o SoFi prender a respiração até o apito final.
Seja qual for o placar, o Grupo D ganha vida logo na rodada de abertura — um dia depois de México e África do Sul tirarem a Copa do papel no Azteca e de o Mundial finalmente sair da expectativa para a bola rolando, como antecipamos no guia da primeira rodada. Para o Brasil, que estreia no sábado, vale ficar de olho: o Paraguai já mostrou nas Eliminatórias que não respeita reputação, e a Conmebol entra na Copa com mais argumentos do que o ranking sugere.
Perguntas frequentes
- Que horas é Estados Unidos x Paraguai?
- A partida começa às 22h (horário de Brasília) desta sexta-feira, 12 de junho de 2026.
- Onde assistir Estados Unidos x Paraguai ao vivo?
- O jogo tem transmissão da Globo e do SBT na TV aberta, do SporTV na TV fechada e da CazéTV e do Globoplay no streaming.
- Onde será o jogo Estados Unidos x Paraguai?
- No SoFi Stadium, em Inglewood, na região de Los Angeles, na Califórnia, com capacidade para cerca de 70 mil torcedores.
- Quais seleções formam o Grupo D da Copa 2026?
- Estados Unidos, Paraguai, Austrália e Turquia disputam o Grupo D entre 12 e 25 de junho.
- Qual a escalação provável dos Estados Unidos?
- Pochettino deve usar Freese; Freeman, McKenzie, Ream, Antonee Robinson; Adams, McKennie; Dest, Tillman, Pulisic; Balogun, com Chris Richards ainda em recuperação.
Fonte: ESPN, CBS Sports, Rotowire, Gazeta Esportiva, FIFA | Informações adicionais por Beira do Campo

Correspondente Internacional
Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.


