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Raphinha lidera missão impossível do Barcelona na Copa del Rey

Capitão brasileiro volta de lesão para tentar virada histórica no Camp Nou. Barcelona precisa de 5 gols sem sofrer para eliminar o Atlético de Madrid nesta terça.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
4 min de leitura
Raphinha lidera missão impossível do Barcelona na Copa del Rey
Raphinha, capitão do Barcelona, lidera a missão de virada na Copa del Rey

Há momentos no futebol em que a aritmética perde o sentido. Em que os números na lousa deixam de ser obstáculos e se tornam convite à epopeia. Esta terça-feira, às 17h (horário de Brasília), o Camp Nou recebe um desses momentos — e no centro de tudo está um brasileiro de Viamão, no Rio Grande do Sul, que carrega a braçadeira de capitão e a dívida de uma noite que não foi sua.

Raphinha não jogou quando o Atlético de Madrid destruiu o Barcelona por 4 a 0 no Metropolitano, em 12 de fevereiro. Estava lesionado. Agora, recuperado, ele volta para liderar a mais improvável das redenções na Copa del Rey 2026.

A noite negra no Metropolitano

O placar ainda dói nos torcedores do Camp Nou. Em um primeiro tempo descomunal, o Atlético de Diego Simeone aplicou uma lição coletiva que poucos imaginavam possível: Eric García (contra), Griezmann, Lookman e Julián Álvarez — quatro gols, todos antes do intervalo. O segundo tempo foi um paliativo que nada mudou.

O Barcelona estava sem Raphinha, sem Pedri, sem Marcus Rashford. Mas é preciso dizer: mesmo com os titulares, o Atlético jogou em outro nível naquela noite. A agressividade, a transição rápida, o aproveitamento clínico de cada erro blaugrana — tudo funcionou com perfeição colchonera. O próprio Griezmann, cuja saída para a MLS segue sendo especulada, apareceu genial e mandou uma mensagem de que ainda tem muito a oferecer na Espanha.

Para a volta, Barcelona precisaria de algo que nunca aconteceu na história da Copa del Rey: uma virada de quatro gols de diferença em semifinal. Nenhuma equipe jamais fez isso, em mais de cem anos de competição.

Raphinha, o fardo e a braçadeira

Tem algo de poético — e de pesado — na responsabilidade que recai sobre o gaúcho Raphinha Dias Belloli. Capitão do Barcelona desde o início desta temporada, ele viveu distante justamente quando o time mais precisava de liderança, de alguém capaz de segurar o escudo diante do caos.

Agora ele está de volta. E não guarda o discurso medroso do realismo: "Se algum time pode fazer isso, somos nós", declarou à beIN Sports dias antes da partida.

Entre os brasileiros que brilham na Europa em 2026 — um grupo que tem feito história nas competições do continente —, Raphinha é o que mais carrega o peso da narrativa nesta semana. Ele não é apenas um atacante de seleção. É o rosto de uma missão que a razão recusa, mas o coração abraça.

Para esta noite, o técnico Hansi Flick deve escalar o Barcelona com Szczesny no gol; Koundé, Cubarsí, Íñigo Martín e Balde na defesa; Bernal e Pedri no meio; e Yamal, Raphinha, Rashford e Ferran Torres no ataque — todos os titulares ausentes na ida, reunidos finalmente para a batalha.

O que Barcelona precisa e o que o Atlético pode controlar

A matemática é cruel: Barcelona precisa de cinco gols sem sofrer nenhum para avançar nos 90 minutos regulares. Qualquer gol do Atlético exige mais um na resposta. Se vencer por 4 a 0, a decisão vai para a prorrogação. Por 5 a 0, avança direto.

Do outro lado, Simeone deve confirmar com Musso; Llorente, Pubill, Hancko e Ruggeri; Simeone (filho), Koke, Johnny e Lookman; Griezmann e Julián Álvarez. O Atlético pode simplesmente recuar, segurar o jogo e matar qualquer esperança com um contra-ataque. Não seria a primeira vez que o time do Cholo ganha sem encantar.

A partida começa às 17h de Brasília, com transmissão pelo ESPN e Disney+.

O milagre existe? O Camp Nou responde esta noite

A lógica diz que não. A história diz que não. O desgaste emocional de tentar superar um 4 a 0 — placar sem precedente nesta fase da competição — diz que não.

Mas o futebol não gosta de lógica quando o Camp Nou está cheio, quando Raphinha tem a braçadeira no braço e quando há uma narrativa de redenção à espera de um autor. Esta terça pode ser apenas mais uma derrota na longa história do clássico entre os dois clubes. Ou pode ser o início de uma história contada por décadas.

O brasileiro de Viamão entra em campo para responder qual será.

Fonte: Al Jazeera Sports, beIN Sports, Barca Blaugranes | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.