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Cerimônia de abertura da Copa 2026: shows e tributo a Pelé

A festa inaugural virou uma operação de três frentes: México na quinta, Canadá e Estados Unidos na sexta. No Azteca, Shakira e Burna Boy puxam o show, enquanto a FIFA prepara um tributo a Pelé, ao Brasil de 1970 e a Maradona — tudo sob protestos e a polêmica dos ingressos mais caros da história.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
5 min de leitura
Cerimônia de abertura da Copa 2026: shows e tributo a Pelé
Estádio Azteca, palco da cerimônia de abertura da Copa do Mundo 2026 — Foto: Reprodução / CNN Brasil

A cerimônia de abertura da Copa 2026 deixou de ser um único espetáculo para virar uma operação de três frentes. Nesta quinta-feira (11), às 14h30 de Brasília, o Estádio Azteca acende os refletores 90 minutos antes de México e África do Sul colocarem a bola para rolar. Só que a FIFA não quis concentrar o lançamento do seu maior produto num único endereço: haverá festa também no Canadá e nos Estados Unidos na sexta, num roteiro desenhado para vender o Mundial nos três países-sede ao mesmo tempo.

O palco principal não poderia ser mais simbólico. O Azteca se torna o primeiro estádio da história a receber três aberturas de Copa — 1970, 1986 e agora 2026 —, um recorde que nenhum outro templo do futebol chega perto de ameaçar. É nele que a abertura da Copa 2026 mistura cultura mexicana, nostalgia e um line-up de pop global montado para render manchete em qualquer fuso.

A abertura da Copa 2026 ganha três palcos

A FIFA dividiu a festa inaugural em três atos. O primeiro, e mais carregado de história, é o do México, na quinta. Os outros dois acontecem na sexta (12), em Toronto e em Los Angeles, casados com as estreias de Canadá e Estados Unidos como anfitriões. A entidade vende a fórmula como inédita; na prática, é a maneira de cada sede ter seu próprio momento de vitrine — e seus próprios patrocinadores em cena.

A cerimônia mexicana abre às 14h30 (Brasília) e desemboca direto no apito inicial de México x África do Sul, às 16h — o mesmo confronto que inaugurou o Mundial de 2010. O roteiro promete cultura local em dose alta: dançarinos indígenas, atrações folclóricas e o tradicional papel picado tomando conta do gramado antes de a competição começar para valer.

Shakira, Burna Boy e a trilha do Azteca

A linha de frente do show mexicano tem dois nomes que a FIFA transformou em garotos-propaganda do torneio: a colombiana Shakira e o nigeriano Burna Boy, responsáveis pela faixa-tema oficial, "Dai Dai". A dupla fecha a apresentação com a música que vai embalar a campanha de marketing do Mundial nos próximos 39 dias.

Ao redor deles, um cardápio que vai do regional latino ao pop de streaming: Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean, J Balvin, Lila Downs, Los Ángeles Azules, Maná e a sul-africana Tyla — convidada para representar o país adversário da estreia. É um elenco escolhido a dedo para furar a bolha do futebol e alcançar quem nunca ligou a TV para ver bola rolar.

O tributo a Pelé, ao Brasil de 1970 e a Maradona

Para o torcedor brasileiro, o instante mais forte não vem do palco musical. A FIFA preparou uma homenagem a Pelé e à seleção brasileira de 1970 — justamente o time que levantou a taça no Azteca há 56 anos, no mesmo gramado em que o Brasil eternizou o tricampeonato. O Rei volta à cena no estádio que ajudou a transformar em mito.

O tributo dialoga com outra lenda imortalizada ali: Diego Maradona, que arrastou a Argentina ao título de 1986 também no Azteca. Dois dos maiores nomes da história do esporte, homenageados no palco onde brilharam, na véspera do pontapé da primeira rodada. É o tipo de carga emocional que dinheiro nenhum compra — e que a FIFA sabe explorar como poucas.

Anitta em Los Angeles e a festa que segue para o norte

A sexta-feira leva o espetáculo para o lado de cá do continente. Em Los Angeles, antes da estreia dos Estados Unidos, o show reúne a brasileira Anitta, Katy Perry, Future, a sul-coreana Lisa, o nigeriano Rema e, mais uma vez, Tyla. Toronto recebe sua própria celebração para apresentar o Canadá ao público.

A escolha de Anitta para o palco americano não é detalhe pequeno: coloca uma artista brasileira no centro da maior audiência do planeta, num evento que deve passar de um bilhão de telespectadores. Para a indústria do entretenimento, a abertura é tão disputada quanto uma vaga nas oitavas.

A vitrine bilionária e o assento vazio

Por trás do brilho, o lançamento esbarra num problema que a FIFA conhece bem: o preço. Os ingressos caros afastaram parte do público local, e a Cidade do México amanheceu a semana com protestos contra o evento e o custo de vida que ele empurra para cima. A imagem de arquibancadas com buracos numa abertura de Copa seria um vexame de marketing — e a entidade corre para evitá-la.

A Copa de 48 seleções é a mais cara da história, e a conta de transformar a festa inaugural em produto global recai, no fim, sobre o torcedor — assunto que já rendeu reclamação até nas colunas mais ácidas do portal. Quem não pôde pagar pelo Azteca vai acompanhar de casa: a transmissão e os detalhes da festa estão no guia de onde assistir à Copa. Às 16h de quinta, quando a bola finalmente rolar, o show terá cumprido seu papel — vender o sonho antes mesmo do primeiro gol.

Perguntas frequentes

Que horas é a cerimônia de abertura da Copa 2026?
A cerimônia no Estádio Azteca começa às 14h30 de Brasília nesta quinta-feira, 11 de junho, cerca de 90 minutos antes do jogo de abertura.
Quem vai se apresentar na abertura da Copa 2026?
No México sobem ao palco Shakira e Burna Boy, autores da música oficial, além de J Balvin, Maná, Alejandro Fernández, Belinda, Los Ángeles Azules e Tyla.
Quantas cerimônias de abertura a Copa 2026 terá?
Serão três: no México em 11 de junho, e no Canadá e nos Estados Unidos em 12 de junho, marcando as estreias dos três países-sede.
Quem será homenageado na abertura da Copa 2026?
A FIFA preparou tributos a Pelé e à seleção brasileira de 1970 e a Diego Maradona, ídolos que foram campeões mundiais no próprio Estádio Azteca.

Fonte: FIFA, CNN Brasil, Gazeta Esportiva, Lance | Informações adicionais por Beira do Campo

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Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.