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Neide: Neymar deu rasteira, jogou pôquer e ainda quer Copa

A 13 dias da convocação final de Ancelotti, Neymar deu rasteira em colega de 17 anos no CT, fez piada machista com árbitra e jogou pôquer enquanto o Santos perdia em BH. E aí vem o Casemiro pedir, em rede nacional, que o cara vá pra Copa. Eu já não tenho mais paciência.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
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Neide: Neymar deu rasteira, jogou pôquer e ainda quer Copa
Neymar Jr — Foto: Reprodução / Wikipedia

Estamos a 6 dias da pré-lista e a 13 da convocação final, e o assunto da semana — pasmem — não é nem tática, nem desempenho, nem conserto da defesa do Brasil. É se Neymar Jr. consegue ficar 7 dias sem causar.

Não consegue. Domingo passado, no CT Rei Pelé, o craque do Santos foi driblado por Robinho Jr., que tem 17 anos, em treino de quem não jogou. Não gostou. Na resposta, segundo a ESPN, aplicou rasteira no garoto e ainda acertou um tapa no rosto. O moleque foi pra casa e, dois dias depois, notificou o próprio clube acusando Neymar de agressão e pedindo reunião pra discutir rescisão por "ausência de condições mínimas de segurança" no Santos. O clube abriu sindicância. Os dois foram relacionados pro jogo da Sul-Americana hoje à noite, lado a lado, sorrindo pra foto. É claro que sim, né.

O craque que só funciona em sete dos 21 jogos

Dá uma olhada na régua antes de continuar a defender o indefensável. Em 2026 inteiro, o Neymar jogou 7 dos 21 jogos do Santos. Sete. Isso é 33% de presença. Pra fechar o quadro: cinco partidas no Brasileirão, três gols, duas assistências e uma suspensão na rodada 10. A Gazeta Esportiva montou a contagem regressiva e o número que todo mundo vê é o mesmo: ele é decisivo quando entra, e entra pouco. Eu repito devagar, com paciência de tia: ele entra pouco.

Agora me digam, com a mão no coração, qual time da Copa do Mundo aceitaria como titular um cara disponível em 33% dos jogos. Argentina aceita? Não. França? Não. Inglaterra? Por favor. Só que aqui no Brasil, a régua se ajusta. Ancelotti que o diga — o italiano já me disse, em março, que adotaria "critério diferente" pra Neymar na convocação final. Foi naquele dia que eu desisti de bancar o coro do "tem que estar 100%". Era pra estar. Não estará. E vão chamar do mesmo jeito, porque a marca pesa mais que a planilha.

"De chico", o pôquer e a fila pro circo

Antes da rasteira teve a piada. No 2x0 sobre o Remo, pelo Brasileirão (rodada 9, em 2 de abril), o homem reclamou do árbitro Sávio Pereira Sampaio dizendo que ele estava "de chico" — gíria que associa o ciclo menstrual da mulher a algo sujo, irritado, vagabundo. O Lance! resgatou que até a imprensa europeia chamou de "repudiável" e "polêmica misógina". Pedido de desculpas público, oficial, na coletiva, com cara de gente arrependida? Nada. Ele apareceu num vídeo do canal pessoal dele no YouTube, repreendido por uma amiga, dizendo que "não quis ofender nenhuma mulher" e que poderia ter usado outro termo, tipo "estressado". Lindo. Errou, soltou frase pelo Pix e seguiu o jogo.

Aí, pra fechar o pacote da semana, o detalhe que o Casagrande captou na ESPN: enquanto o Santos perdia em Belo Horizonte para o Cruzeiro, Neymar maratonava pôquer virtual no fim de semana. Não estava lesionado. Estava em recuperação, mas o time foi pra estrada e ele foi pra mesa. O comentarista resumiu: "se a Copa fosse na Vila Belmiro, eu convocaria. Ele só quer jogar lá". Coloquei numa moldura.

Casemiro empurrando, Ancelotti embarcando

Agora o operação-resgate-Neymar entra em fase oficial. Casemiro, em entrevista exclusiva à ESPN ontem, disse que o craque "não tem que provar nada a ninguém" e que "tem que ir, é o craque do time" — emendou que, se Ancelotti propuser banco, o Neymar "vai querer ir". Ah, vai? E desde quando jogador escolhe se quer ser reserva? Ginga, Cas. Esse discurso de "ele tem que ir" sai de quem joga no Manchester United e nem por isso é vetado pelo Ancelotti, e cai como mão estendida pra tirar o constrangimento dos coleguinhas que sabem que vão dividir vestiário com o pai do Davi Lucca. Dunga, mais direto, já cravou na mesma ESPN: "Não há como Ancelotti levar Neymar para ser reserva. Ele não vai aceitar". Perfeito. Então é titular num time que tem Vini Jr., Rodrygo, Estêvão, Raphinha, Matheus Cunha. Tudo gente que faz 80, 90% dos jogos do clube — Neymar faz 33%.

O recado que eu daria pro Ancelotti

A pré-lista sai dia 11. Os 26 finais, dia 18. Dá tempo de errar. Eu, como Neide, não acho que Neymar deva ir. Não pelo histórico — pelo presente. Um jogador que, nos últimos 30 dias, ofendeu mulher num campo, deu rasteira em pivete de 17 anos no treino e jogou pôquer enquanto o time perdia, não está pronto pra ser referência de vestiário em Copa do Mundo. Vamos chamar Neymar pra fazer o quê? Liderar como Casemiro lidera? Carregar bandeira? Bater falta? Ah, sim, a corrida final pelos 55 nomes tem mais coisa em jogo que isso.

Me corrijam se eu estiver errada. E se eu não estiver — Ancelotti, aprenda inglês, alemão, italiano, qualquer língua. Mas aprenda a falar "não" no idioma certo, pra não soletrar de novo o que já soletrou em março.

Fonte: ESPN Brasil, Lance!, Gazeta Esportiva | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.