Neide: Lingard rasgou os debochados — e o Corinthians também
Quem riu da contratação de Lingard agora vê o inglês com primeiro gol em Itaquera, Corinthians 100% na Libertadores e a Fiel falando sério em final em Brasília. Coluna da Neide explica por que o deboche acabou.


Quem passou os últimos cinco meses chamando a contratação de Jesse Lingard de "marketing", "fim de carreira" ou "circo de São Januário 2.0" precisa abrir o microfone agora. O inglês fez o segundo gol no 2x0 sobre o Peñarol em Itaquera, manteve o Corinthians 100% na Libertadores 2026, e teve a coragem de cravar em entrevista que quer jogar a final em Brasília. O deboche que rolou em fevereiro virou silêncio em maio. E quem está no time da hipocrisia tem dois caminhos: pedir desculpa ou continuar enrolado.
O gol que calou os engraçadinhos
Lingard saiu do Manchester United pela porta dos fundos, passou pelo West Ham sem brilho, encalhou no Nottingham Forest, foi pra Coreia do Sul e ninguém deu mais um pingo de bola pra ele. Quando o Corinthians anunciou a contratação, em fevereiro, o discurso foi unânime: "marketing barato", "vai ficar no banco", "o cara não corre mais nada". Eu mesma escrevi com ressalvas — e admito o erro com a tranquilidade de quem é paga pra opinar, não pra fingir que acerta sempre.
A tal "carta marcada" caminha hoje pra outro endereço. Lingard fez gol pelo Corinthians na Copa do Brasil, contra o Barra-SC. Marcou de novo agora pela Libertadores, e foi um golaço, casadinho com Yuri Alberto, jogada que parecia treinada na lousa do Diniz há um ano. Sete jogos sem perder, três vitórias em três rodadas no torneio continental, ninguém contra-argumenta com troféu na mão. A piada agora é sobre os dirigentes que NÃO contrataram o moleque.
O argumento dos descrentes — e por que ele caiu
Os sabidos vão falar: "espera o desgaste físico", "espera o Brasileirão chegar de verdade", "espera o jogo importante de mata-mata". É o mantra de quem se recusa a olhar pro que está acontecendo. O desgaste físico de Lingard estava no contrato — ele veio sabendo que ia jogar três vezes por semana e o departamento médico do Corinthians tem feito carga progressiva. O Brasileirão? Ele entrou bem em Chapecoense 0x0 Corinthians e ganhou a vaga de titular nas escolhas de Diniz, que não é técnico de manter ninguém no time por carinho. E mata-mata? A fase de grupos da Libertadores já está sendo ganha contra adversário de mata-mata: Peñarol é cliente histórico de oitavas, e o Corinthians passou olé na cara do uruguaio em casa.
Quem ainda assim insiste no argumento "espera mais um pouco" está usando o coringa preferido de quem não quer admitir que errou: empurrar a régua até onde for preciso pra não ter que mudar de ideia. Aí já vira birra, não análise.
A verdadeira leitura: Andrés acertou — finalmente
Tem coisa que dói mais escrever do que falar. A diretoria que assumiu o Corinthians depois da bagunça da gestão anterior fez a aposta certa em duas frentes: trouxe Diniz com autonomia técnica e bancou um nome de mídia internacional sem exigir resposta imediata em campo. Funcionou. O time joga como o Diniz quer (variações de posição, posse alta, criação coletiva), e o gringo virou peça do esquema, não fantasia de outdoor. É o tipo de coisa que merece ser dito mesmo quando a torcida ainda lembra de cada erro de gestão dos últimos três anos.
Não estou dizendo que o Corinthians virou favorito da Libertadores. Estou dizendo que virou candidato real, com plantel funcionando e estrangeiro produzindo. Pra quem acompanha o panorama dos brasileiros na Libertadores 2026, o Timão é o segundo time melhor posicionado do país no torneio, atrás só do Flamengo, e com adversário de oitavas potencialmente mais palatável.
A fala da final foi calculada — e ainda bem
Tem gente reclamando que Lingard "falou demais" ao cravar que quer a final. Pelo amor de Deus. Atleta que é pago pra ganhar e não fala em ganhar troféu deveria devolver luva e ir vender sapato. A fala dele combina com o momento, combina com o discurso interno do clube e combina com o que o Corinthians está mostrando em campo. Ambição declarada não é arrogância — é responsabilidade pública.
Diga-se: a proposta tática do Diniz, com marca defensiva alta e ocupação de espaço pelo meio-campo, dá liberdade pro Lingard fazer o que ele faz melhor: aparecer no espaço entre linhas, quase sempre desmarcado, e finalizar com a calma de quem jogou Premier League. Foi assim contra o Peñarol e foi assim no Barra. Em time mal montado, ele teria sumido. Em time montado, ele resolve.
Conclusão sem rodeio
O Corinthians acertou em Lingard, Lingard acertou em vir pro Corinthians, e quem riu da história precisa engolir o riso. A coluna fica aqui pra qualquer um que quiser bater de frente: se o inglês fizer mais um gol decisivo em mata-mata, eu publico ranking dos torcedores que mais zombaram da contratação. E não vou esquecer nenhum nome. Da minha parte, fica o reconhecimento e a torcida pra que ele se machuque o mínimo possível até a final em novembro. Porque, sim, o assunto agora é final.
O anúncio dele em fevereiro parecia coisa de novela mexicana. A manchete em maio é coisa de cinema. A diferença, como sempre, é o trabalho — dele, do Diniz e da torcida que aparece em Itaquera para empurrar mesmo quando o jogo está 0x0. Coluna encerrada. Próxima quinta tem mais.
Perguntas frequentes
- Lingard fez gol contra o Peñarol?
- Sim. O inglês marcou o segundo gol do Corinthians no 2x0 sobre o Peñarol, em 30 de abril de 2026, na Neo Química Arena, pela 3ª rodada da fase de grupos da Libertadores.
- O Corinthians está classificado para as oitavas da Libertadores?
- Ainda não. O Timão tem 100% de aproveitamento (3 vitórias em 3 jogos) e encaminhou a vaga, mas ainda faltam três rodadas da fase de grupos.
- O que Lingard disse sobre a final da Libertadores?
- Em entrevista após o jogo, o meia afirmou que a Libertadores é uma competição grande, que o time vai dar 100% e que quer chegar à final em Brasília.
Fonte: Lance, Jogada10, Meu Timão | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.

