Milan volta com €22 mi por André Luiz e Corinthians trava decisão
AC Milan formalizou nova proposta de €22 milhões pelos 70% dos direitos do volante de 19 anos. Corinthians não respondeu, André sinalizou aceite e a novela pode se arrastar até julho.


O AC Milan não desistiu. Quase quatro semanas depois de levar um não da diretoria corintiana, o clube italiano voltou à mesa com uma oferta ampliada: €18 milhões fixos mais €4 milhões em bônus individuais e coletivos, totalizando até €22 milhões — o equivalente a R$ 133 milhões — pelos 70% dos direitos econômicos de André Luiz. A proposta foi formalizada na semana de 23 de março e, até esta terça-feira (31), o Corinthians ainda não entregou resposta oficial.
O impasse é direto: o Milan quer uma resposta, o Corinthians "não demonstra urgência" — mas internamente já definiu que não abrirá mão de um teto abaixo de exatamente €22 milhões, valor que a oferta atual já atinge. Com isso, a negociação entrou em compasso de espera, com a janela de transferências europeia de verão (abertura prevista para 20 de julho) no horizonte.
A novela que começou em março
Em 1.º de março, o Milan saiu de São Paulo convencido de ter fechado negócio. Na época, a proposta era de €17 milhões (€15 mi fixos + €2 mi em bônus) pelos mesmos 70% dos direitos do Corinthians. Bastidores indicam troca de minutas de contrato e aceite informal por e-mail — suficiente para o clube italiano tratar como compromisso firmado.
A reversão veio do presidente Osmar Stabile, que vetou a operação na última hora sob pressão do técnico Dorival Júnior ("não teria reposição à altura") e da reação da torcida após a eliminação no Paulistão. O Milan chegou a avaliar uma ação na FIFA por quebra de acordo, mas recuou ao perceber que o próprio André Luiz não forçaria a saída — e sem pressão do atleta, a entidade dificilmente reconheceria a violação.
Agora com €22 milhões na mesa, o clube rossonero espera que a posição do Corinthians mude. Como nota o portal Meu Timão, a oferta já supera inclusive o piso que a diretoria corintiana havia definido internamente. A questão agora não é o valor — é o timing.
Os números da oferta e o detalhe sobre os 30%
O ponto financeiro que complica o raciocínio simples: os direitos econômicos de André Luiz são divididos. O Corinthians detém 70%; o próprio atleta, 30%. Pela lógica convencional, uma venda pelos 70% geraria ao clube algo próximo de R$ 93 milhões no valor fixo.
O que muda na equação mais recente: segundo a ESPN Brasil, André Luiz sinalizou que está disposto a abrir mão dos seus 30% para facilitar a transferência, o que elevaria o negócio para 100% dos direitos pelo mesmo teto de €22 milhões. Para o Corinthians, isso não altera a receita direta — mas simplifica a estrutura contratual e retira um gargalo jurídico que poderia travar a transferência.
Vale lembrar que o clube atravessa um momento financeiro delicado: a dívida de R$ 7,2 milhões com o Shakhtar e o risco de transfer ban pela FIFA são a moldura em que qualquer entrada expressiva de caixa seria recebida. Ainda assim, a cúpula do Parque São Jorge prefere segurar o ativo que provar que pode vender sem o Milan mandar.
O que André quer — e o que o Milan espera
O jogador não esconde a ambição europeia. Em março, na premiação da Federação Paulista, André foi direto: "Seria um sonho ir para lá. Mas aqui no Corinthians estou vivendo um grande sonho que é jogar pelo profissional." A frase resume a postura equilibrada do atleta: quer Europa, não vai forçar saída.
Aos 19 anos, são 28 partidas pelo profissional, 4 gols e títulos na Copa do Brasil 2025 e na Supercopa Rei 2026. O contrato vai até dezembro de 2029, com multa de €100 milhões para o mercado externo — valor que o próprio Milan não considera viável pagar. A negociação só existe porque o clube aceita que o Corinthians fixe um preço menor de comum acordo.
Além do Milan, Juventus, Inter de Milão, Atlético de Madrid e Benfica monitoram a situação. O Benfica chegou a oferecer €12 mi + €3 mi em bônus, recusados de imediato como insuficientes em comparação à oferta italiana.
O que vem a seguir
A janela europeia de verão abre em 20 de julho e encerra em 11 de setembro de 2026. Qualquer transferência neste ciclo seria executada nesse período. Até lá, o Corinthians tem quatro meses de competição com André — a maratona de abril inclui Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão, e Dorival Júnior não vai abrir mão do volante no curto prazo.
O Milan aguarda. O Corinthians silencia. E André Luiz joga.
Para quem acompanhou o debate sobre se o Corinthians errou ao barrar a venda em março, a novela ganhou um segundo ato — com o mesmo elenco e um número maior no cheque.
Fonte: ESPN Brasil, Meu Timão, Band Esportes | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


