Messi é o maior artilheiro das Copas e a Argentina assusta
Doeu escrever este título, mas é fato: Messi passou Klose, passou até a nossa Marta e virou o maior artilheiro da história das Copas. E a Argentina chega ao mata-mata com 100% de aproveitamento. O Brasil precisa parar de torcer contra e começar a se preocupar de verdade.


Vou ser honesta logo de cara, porque fingir demência nunca foi comigo: escrever que Messi se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo me deu um nó na garganta. Eu, que cresci torcendo contra a Argentina em cada amistoso, cada eliminatória e cada sorteio, agora preciso sentar aqui e admitir que o camisa 10 alvi-celeste passou por cima de meio mundo — incluindo gente nossa. Doeu. Mas é a vida.
Na vitória sobre a Áustria, em 22 de junho, Messi chegou aos 18 gols em Copas e ultrapassou o alemão Miroslav Klose, que reinava sozinho com 16 desde 2014. Contra a Jordânia ainda fez mais um e fechou a fase de grupos com 19. E para completar o estrago no orgulho brasileiro: somando homens e mulheres, ele também deixou para trás os 17 da nossa Marta. O maior nome em Copas, hoje, fala espanhol com sotaque de Rosário. Engole essa.
Os números que ninguém consegue discutir
A parte mais chata para quem torce contra é que não dá nem para reclamar de sorte. A Argentina passou pela fase de grupos com 100% de aproveitamento: 3 a 0 na Argélia, 2 a 0 na Áustria e 3 a 1 na Jordânia. Nove pontos, primeiro lugar do Grupo J e nenhum susto de verdade. Numa Copa que está sendo a mais recheada de gols que a gente viu em décadas, eles foram dos raros a juntar pontaria com tranquilidade.
E o Messi, aos 38 anos, não está em campo de figurante batendo escanteio. Foram seis gols só na primeira fase: hat-trick na estreia contra a Argélia, dois contra a Áustria e mais um contra a Jordânia. Tem craque badalado nesta Copa, com metade da idade dele, que não fez isso no torneio inteiro. Quem apostou que o veterano viria para a despedida só posar para foto errou feio — ele veio para decidir.
A Argentina não vive só de Messi
Aqui mora o detalhe que deveria tirar o sono da torcida brasileira. Se fosse um Messi carregando onze coadjuvantes nas costas, dava para respirar aliviado e cruzar os dedos por uma lesão muscular. Não é o caso. Lautaro Martínez está fazendo gol, Lo Celso reapareceu inteiro, a defesa mal foi vazada e o time ainda carrega a memória fresca do título de 2022. É uma seleção madura, que sabe ganhar feio quando precisa e sabe administrar resultado sem entrar em pânico — exatamente o tipo de equipe que costuma ir longe em mata-mata.
Na sexta a conta começa a apertar de verdade. A Argentina enfrenta o segundo colocado do Grupo H — aquele de Uruguai e Espanha — na sexta-feira, 3 de julho, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami. A partir dali, o caminho pode cruzar com Espanha, com Portugal de Cristiano Ronaldo numa eventual semifinal de cinema e, por que não, com o próprio Brasil lá na frente. O roteiro está armado para ser cruel com a gente.
E o Brasil, vai continuar só torcendo contra?
Eu sei que o mata-mata é outra história. Jogo único, frio, decidido em detalhe e às vezes nos pênaltis — terreno onde favoritismo de fase de grupos vira pó. Messi tem 38 anos e uma Copa inteira ainda pela frente para as pernas reclamarem. A Argentina não pegou nenhum gigante até agora. Tudo isso é verdade e nenhum argentino com juízo está pendurando a faixa antes da hora.
Mas existe uma diferença enorme entre respeitar o adversário e fingir que ele não existe. O Brasil tirou a sorte grande na chave e tem tudo para fazer uma campanha bonita, só que parte da nossa torcida segue gastando energia rezando pela queda da Argentina em vez de olhar para o próprio umbigo. É o esporte nacional mais inútil que existe: torcer contra dá zero gol e ainda alimenta o rival, que adora se sentir o vilão da novela.
Minha posição é simples e impopular. A Argentina é, hoje, a seleção mais redonda desta Copa, e o Messi está escrevendo o capítulo final da carreira do jeito mais insuportável possível para nós: ganhando, marcando e batendo recorde atrás de recorde. Se o Brasil quiser de fato encerrar essa festa, vai ter que fazer em campo, na bola, não no grito de arquibancada. Torcer contra nunca derrubou ninguém. E, sinceramente, está mais do que na hora de a gente parar de subestimar o vizinho e começar a se preocupar — porque, do jeito que a coisa está, esse incômodo todo pode terminar em mais uma taça do outro lado da fronteira. E aí o nó na garganta vai ser bem pior.
Perguntas frequentes
- Quantos gols Messi tem na história das Copas do Mundo?
- Messi chegou a 19 gols em Copas, o maior número da história. Ele passou Miroslav Klose (16) na vitória sobre a Áustria, em 22 de junho de 2026.
- Messi é o maior artilheiro da história das Copas?
- Sim. Ele superou Klose, dono do recorde masculino com 16 gols, e também a marca geral de 17 da brasileira Marta, assumindo a liderança isolada.
- Quem a Argentina enfrenta no mata-mata da Copa 2026?
- A Argentina pega o segundo colocado do Grupo H na sexta-feira, 3 de julho, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami.
Fonte: FIFA, CNN Brasil, ESPN, Olympics.com | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


