Maiores campeões do Brasileirão: o ranking depende da régua
Palmeiras tem 12, Flamengo e Santos têm 8, Corinthians tem 7. Mas o ranking dos maiores campeões do Brasileirão muda conforme o critério: se você conta a Taça Brasil, se começa em 1971 ou se só vale a era dos pontos corridos. Veja as três listas — e por que o Palmeiras lidera todas.
Thiago Borges5 min de leituraToda discussão sobre quem é o maior campeão do Brasileirão morre no mesmo lugar: alguém cita um número, outro cita um número diferente, e os dois estão certos. Não é má-fé nem desinformação — é que existem três réguas diferentes para contar a mesma coisa, e cada uma produz um ranking.
A boa notícia é que uma resposta sobrevive às três: o Palmeiras lidera em todas.
O ranking oficial da CBF
Esta é a contagem que a CBF reconhece, incluindo os campeonatos nacionais disputados antes de 1971:
| Clube | Títulos |
|---|---|
| Palmeiras | 12 |
| Flamengo | 8 |
| Santos | 8 |
| Corinthians | 7 |
| São Paulo | 6 |
| Cruzeiro | 4 |
| Fluminense | 4 |
| Vasco | 4 |
Os anos, clube a clube no topo da lista:
- Palmeiras (12): 1960, 1967 (dois torneios no mesmo ano), 1969, 1972, 1973, 1993, 1994, 2016, 2018, 2022 e 2023
- Flamengo (8): 1980, 1982, 1983, 1992, 2009, 2019, 2020 e 2025
- Santos (8): 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968, 2002 e 2004
- Corinthians (7): 1990, 1998, 1999, 2005, 2011, 2015 e 2017
- São Paulo (6): 1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008
Por que os números divergem: a régua muda tudo
Repare no que aconteceu com o Santos. Seis dos seus oito títulos vêm de 1961 a 1968 — a era Pelé. E cinco dos doze do Palmeiras também são anteriores a 1971. Aí está a origem de toda a confusão.
Antes de 1971, o Brasil tinha dois torneios nacionais: a Taça Brasil (1959–1968) e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão (1967–1970). Em 2010, a CBF equiparou esses campeonatos ao Brasileirão, transformando seus vencedores em campeões brasileiros para efeito de contagem.
Quem aceita a equiparação chega ao ranking acima. Quem não aceita começa a contar em 1971 e chega a outro. Não existe erro — existe critério.
Régua 2: era Brasileirão (desde 1971)
Contando só a partir de 1971, quando o campeonato nacional assumiu o formato que conhecemos, Palmeiras e Flamengo empatam com 8 títulos cada. O Santos, gigante da régua anterior, despenca — porque a maior parte do seu acervo é dos anos 1960.
Régua 3: era dos pontos corridos (desde 2003)
Aqui a história é outra. Desde 2003, quando o Brasileirão abandonou os mata-matas e adotou os pontos corridos, o topo é dividido: Corinthians, Flamengo e Palmeiras, com 4 títulos cada.
É a régua mais dura, porque pontos corridos premiam regularidade ao longo de 38 rodadas — não uma sequência feliz num mata-mata. E é também a mais curta, o que amplia o peso de cada temporada.
A briga de 1987, que nunca acabou
Nenhum texto sobre títulos do Brasileirão é honesto sem citar 1987. Naquele ano, a Copa União foi disputada em módulos e gerou uma disputa entre Flamengo e Sport sobre quem era o campeão brasileiro. O caso passou por decisões da CBF e por anos de tramitação na Justiça, e até hoje diferentes fontes contabilizam aquele ano de formas distintas.
Não é detalhe de torcedor chato: é literalmente a diferença entre alguns rankings publicados por aí. Quando você vir uma lista que não bate com outra, 1987 costuma ser o motivo — junto com a questão da Taça Brasil.
O que o ranking diz sobre o futebol brasileiro
Três leituras saltam da tabela.
A primeira é a concentração paulista e carioca. Os cinco maiores campeões são de São Paulo e do Rio de Janeiro. O Cruzeiro, com 4, é o clube de fora do eixo mais bem colocado.
A segunda é que títulos vêm em ondas, não pingados. Santos entre 1961 e 1968, São Paulo entre 2006 e 2008, Palmeiras entre 2016 e 2023, Flamengo de 2019 em diante. Elenco forte e projeto estável geram séries — raramente um clube ganha um título isolado e some.
A terceira é a mais desconfortável para quem gosta de tradição: a lista muda devagar. Em mais de meio século de campeonato nacional, apenas um punhado de clubes chegou perto do topo. Quando um time como o Botafogo quebra o ciclo, como em 2024, o feito vale mais do que o número sugere.
Perguntas que a tabela não responde
Quem tem mais títulos não é necessariamente quem joga melhor hoje. Se você quer olhar o presente em vez do acervo, dá para acompanhar a tabela de quem está bem agora nos palpites do nosso modelo estatístico — que calcula a força de ataque e defesa de cada time com base nos resultados da temporada, sem olhar para escudo nem para história.
E se a sua dúvida é como se decide um empate em pontos na reta final — quando dois clubes chegam colados na briga pelo título —, a resposta está nos sete critérios de desempate do Brasileirão, que começam pelo número de vitórias e não pelo saldo de gols, ao contrário de quase todo o resto do mundo.
No fim, o ranking dos maiores campeões é menos uma resposta e mais um retrato de escolhas: o que você aceita contar como título nacional. Escolha qualquer uma das três réguas. O Palmeiras está na frente em todas.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Quem é o maior campeão do Brasileirão?
- O Palmeiras, com 12 títulos reconhecidos pela CBF. E o Verdão lidera em qualquer critério de contagem: também é o primeiro na era Brasileirão (desde 1971) e entre os mais vencedores da era dos pontos corridos.
- Quantos títulos do Brasileirão cada time tem?
- Palmeiras 12; Flamengo e Santos 8 cada; Corinthians 7; São Paulo 6; Cruzeiro, Fluminense e Vasco 4 cada.
- Por que o número de títulos muda de site para site?
- Porque nem todos contam a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (o Robertão), disputados antes de 1971 e equiparados pela CBF em 2010. Quem começa a contagem em 1971 chega a números diferentes.
- Quem tem mais títulos na era dos pontos corridos?
- Corinthians, Flamengo e Palmeiras estão empatados com 4 títulos cada desde 2003, quando o Brasileirão adotou o formato de pontos corridos.
- O título de 1987 do Flamengo conta?
- É o ponto mais disputado da história do futebol brasileiro. O Módulo Verde da Copa União gerou uma disputa entre Flamengo e Sport que passou por decisões da CBF e da Justiça, e diferentes fontes contabilizam o ano de formas distintas.
Fonte: CBF, ESPN · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

Analista de Dados
Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.


