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Inglaterra x Gana na Copa 2026: a ponta do Grupo L em jogo

Empatadas com 3 pontos no topo do Grupo L, Inglaterra e Gana fazem nesta terça, às 17h, no Gillette Stadium, um duelo que vale a liderança e encaminha a vaga nas oitavas. Kane comanda a seleção de Tuchel; do outro lado, Carlos Queiroz tenta surpreender. Horário, onde assistir e escalações.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
7 min de leitura
Inglaterra x Gana na Copa 2026: a ponta do Grupo L em jogo
Ilustração — Inglaterra e Gana decidem a liderança do Grupo L nesta terça, no Gillette Stadium, pela Copa 2026

Há jogos que separam favoritos de azarões já na escalação, e há jogos em que o placar da estreia embaralha tudo. Inglaterra x Gana, nesta terça-feira (23), às 17h de Brasília, no Gillette Stadium, em Foxborough, é do segundo tipo. As duas seleções venceram na abertura, somam 3 pontos e dividem a ponta do Grupo L da Copa 2026 — o que transforma um confronto de tamanhos desiguais no papel em uma decisão antecipada por quem comanda a chave rumo às oitavas.

A Inglaterra chega com a moral de quem fez o jogo mais elétrico da primeira rodada. Gana responde com a teimosia de quem venceu no último suspiro e, agora, é treinada por um português que conhece como ninguém a mentalidade europeia. O roteiro tem ironia, tradição e urgência na mesma dose.

Onde assistir Inglaterra x Gana: ficha do jogo

JogoInglaterra x Gana
CompetiçãoCopa do Mundo 2026 — Grupo L (2ª rodada)
DataTerça-feira, 23 de junho de 2026
Horário17h (Brasília)
LocalGillette Stadium, Foxborough — Boston (EUA)
Onde assistirSporTV, CazéTV, SBT e N Sports

O Gillette Stadium, casa do New England Patriots na NFL, recebe um dos duelos mais equilibrados da rodada em termos de tabela. Na arquibancada, a expectativa é de forte presença da diáspora ganesa nos Estados Unidos, que promete transformar o estádio de Boston em algo perto de um jogo em casa para os africanos.

A Inglaterra de Tuchel quer encaminhar a vaga

A estreia inglesa foi um manifesto. Diante de uma Croácia ainda perigosa, a Inglaterra de Thomas Tuchel venceu por 4 a 2, com dois gols de Harry Kane — um deles de pênalti —, além de Jude Bellingham e Marcus Rashford completando a conta. Foi o tipo de exibição que silencia, ao menos por uma rodada, a pergunta que persegue os ingleses há gerações: quando o talento individual vira, enfim, título coletivo?

Tuchel montou um time pragmático, de transição rápida e muscularidade no meio. Kane segue como o centro de gravidade, com seu faro de área e a capacidade de baixar para construir. Bellingham é o coração criativo, e a velocidade de Rashford e Bukayo Saka pelas pontas dá à seleção um perfil vertical que assusta defesas que sobem a linha. Com 3 pontos e saldo de +2, os ingleses lideram o grupo no detalhe e jogam por um resultado que pode carimbar a classificação com uma rodada de antecedência.

O alerta, porém, mora na própria estreia: os 2 gols sofridos para a Croácia expuseram uma defesa que oscila quando é atacada nas costas dos laterais. Gana, veloz e direta, é exatamente o tipo de adversário que pode explorar essa brecha.

Gana e o paradoxo Carlos Queiroz

Do lado africano, a história tem nome e sotaque. Gana é treinada por Carlos Queiroz, o português de 73 anos que assumiu a seleção em abril, no lugar de Otto Addo — demitido após perder quatro amistosos seguidos às vésperas do Mundial. Queiroz chega a esta Copa para igualar o recorde de Bora Milutinovic: cinco Copas do Mundo consecutivas, cada uma por uma seleção diferente. Já levou Portugal (2010) e o Irã (2014, 2018 e 2022) para o palco máximo do futebol. Agora, encara justamente o tipo de seleção europeia que aprendeu a enfrentar a vida inteira.

O paradoxo é delicioso para o espectador: um técnico formado na escola lusitana, que por anos estudou como frear o jogo direto dos ingleses, comanda uma Gana que precisa exatamente da intensidade física para incomodar. A estreia foi sofrida — vitória por 1 a 0 sobre o Panamá, com gol de Caleb Yirenkyi aos 50 minutos do segundo tempo —, mas entregou os 3 pontos que mantêm os africanos no topo.

O grande desfalque tem nome: Mohammed Kudus, estrela do meio-campo, ficou de fora por lesão na coxa e faz falta na criação. Ainda assim, Queiroz tem material: o capitão Jordan Ayew, o veterano Thomas Partey segurando o meio, Antoine Semenyo — eleito o melhor em campo contra o Panamá — e o drible de Kamaldeen Sulemana. É uma Gana que aposta na solidez defensiva e em transições afiadas, fiel ao DNA pragmático de seu treinador.

Escalações prováveis

A Inglaterra deve repetir a base do 4-2-3-1 que bateu a Croácia, com Tuchel privilegiando equilíbrio entre os volantes Declan Rice e Elliot Anderson e liberdade total para Bellingham municiar Kane.

Gana deve manter a postura reativa da estreia. Com Lawrence Ati-Zigi tratando uma lesão na virilha, Benjamin Asare assume o gol. À frente, Partey e Yirenkyi formam a base do meio que protege a defesa e lança os velocistas no contra-ataque.

O que está em jogo no Grupo L

Inglaterra e Gana se encontraram pouquíssimas vezes ao longo da história, sempre em amistosos, e nunca antes em uma Copa do Mundo. Este, portanto, é um primeiro capítulo — e ele vale alto. Com as duas seleções empatadas em pontos no topo, o vencedor desta terça pode chegar a 6 pontos e garantir matematicamente a vaga nas oitavas, encostando ainda na liderança isolada da chave.

Logo depois, no mesmo dia, Panamá e Croácia duelam pela sobrevivência dentro do próprio grupo. E o calendário desta terça ainda reserva Portugal em campo pelo Grupo K, em uma rodada que promete esquentar a corrida por vagas — como já vinha acontecendo no Grupo I, decidido nesta segunda. Um empate entre ingleses e ganeses, porém, deixaria tudo em aberto para a terceira rodada, quando a Inglaterra pega o Panamá e Gana enfrenta a Croácia. Ninguém quer chegar à última rodada dependendo de saldo — e é essa a real aposta das duas seleções aqui.

Pontos táticos do confronto

O jogo tende a ser uma disputa entre posse e profundidade. A Inglaterra deve dominar a bola e empurrar Gana para o próprio campo, buscando os pontas em velocidade e as chegadas de Bellingham na área. A pergunta é se Tuchel conseguirá furar um bloco baixo sem se expor às transições.

Do outro lado, Queiroz vai pedir compactação, linhas curtas e paciência para explorar os espaços nas costas de Reece James e O'Reilly — os laterais ingleses que sobem muito. Semenyo e Sulemana, em arranque, são as armas perfeitas para esse plano. Se Gana segurar o 0 a 0 até os 60 minutos, a pressão muda de lado: a Inglaterra que não vence sente o peso da própria expectativa, um fantasma que acompanha a seleção há quase 60 anos sem títulos.

Palpite

A lógica e o elenco apontam para a Inglaterra. Mais qualidade individual, mais repertório ofensivo e a confiança de quem marcou quatro vezes na estreia. Mas a Gana de Queiroz não veio aos Estados Unidos para servir de figurante: é disciplinada, veloz e tem um treinador que sabe exatamente como tirar um favorito do sério. O palpite aqui é de vitória inglesa por 2 a 1, em um jogo mais difícil do que os números sugerem — com Gana ainda viva na decisão do grupo, mesmo perdendo.

Perguntas frequentes

Que horas é Inglaterra x Gana?
A bola rola às 17h (horário de Brasília) desta terça-feira, 23 de junho, no Gillette Stadium, em Foxborough, na região de Boston.
Onde assistir Inglaterra x Gana ao vivo?
SporTV e CazéTV transmitem o jogo ao vivo para todo o Brasil, com sinal também no SBT, no N Sports e no Globoplay.
Qual a escalação provável da Inglaterra?
Pickford; Reece James, Stones, Guéhi, O'Reilly; Rice, Anderson; Saka, Bellingham, Rashford e Harry Kane, no 4-2-3-1 de Thomas Tuchel.
Quem é o técnico de Gana na Copa 2026?
O português Carlos Queiroz, que assumiu a seleção em abril de 2026 no lugar de Otto Addo e disputa sua quinta Copa do Mundo seguida por uma nação diferente.
O que está em jogo entre Inglaterra e Gana?
Ambas têm 3 pontos e lideram o Grupo L. Quem vencer fica muito perto das oitavas; um empate mantém as duas vivas para a rodada final.

Fonte: FIFA, ESPN, O Tempo, Lance, CNN Brasil | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.