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Beirado Campo
Internacional

Inglaterra x Argentina: a semifinal que o futebol devia a si mesmo

Quarenta anos depois da Mão de Deus, Inglaterra e Argentina se reencontram em Atlanta valendo a final da Copa do Mundo 2026. De um lado, Messi atrás do bicampeonato seguido. Do outro, a Inglaterra de Tuchel tentando enterrar seis décadas de espera.

Marcos Vinícius SantosMarcos Vinícius Santos4 min de leitura
Inglaterra x Argentina: a semifinal que o futebol devia a si mesmo
Bellingham, autor dos dois gols sobre a Noruega nas quartas, é a esperança inglesa em Atlanta — Foto: Reprodução / CNN Brasil

Existem jogos que a gente marca no calendário meses antes sem saber que vão acontecer. Inglaterra e Argentina, às 16h desta quarta-feira no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, é um deles. Não porque estava previsto — o chaveamento é filho do acaso —, mas porque o futebol, de tempos em tempos, insiste em reencenar suas próprias tragédias. A semifinal da Copa do Mundo 2026 vale uma vaga na final de domingo contra a Espanha, e é impossível olhar para ela sem que quarenta anos de história pesem no gramado.

A última vez que essas duas seleções se encontraram num mata-mata de Copa foi em 1998, na França. Antes disso, 1986, no México — e todo mundo sabe o que aconteceu ali. O que está em jogo hoje, porém, não é revanche. É algo mais concreto: a Argentina tenta o bicampeonato consecutivo, feito que ninguém repete desde o Brasil de 1962, e a Inglaterra tenta encerrar a espera mais longa e mais barulhenta do futebol europeu.

Como cada um chegou até aqui

A campanha argentina é a de um campeão que sobrevive mais do que atropela. Nos 16 avos, contra Cabo Verde, em Miami, a Albiceleste passou por um susto genuíno: 3 a 2 na prorrogação, com Messi abrindo o placar e a estreante africana levando o jogo ao limite. Nas quartas, contra a Suíça, em Kansas City, foi mais sufoco: Mac Allister marcou, Ndoye empatou, e o jogo só virou depois da expulsão de Embolo, por simulação confirmada no VAR. Julián Álvarez desempatou na prorrogação e Lautaro Martínez fechou o 3 a 1 nos acréscimos.

A Inglaterra também não chegou passeando. Passou por RD Congo e México antes de encarar a Noruega nas quartas, no Hard Rock Stadium — e precisou de 120 minutos. Empate em 1 a 1 no tempo normal e Jude Bellingham, autor dos dois gols ingleses, resolvendo na prorrogação. É a segunda semifinal de Copa da Inglaterra em três edições, depois de 1990 e 2018, e talvez a primeira em que o time chega sem o complexo de vítima que costuma acompanhá-lo.

Messi, o número que ninguém alcança

Contra Cabo Verde, Messi ampliou para 20 o recorde de gols em Copas do Mundo — uma marca que já não tem concorrente à vista. Aos 39 anos, ele não é mais o jogador que carrega o time nos ombros por noventa minutos, e Scaloni sabe disso: a Argentina de 2026 é construída para que Messi apareça nos vinte minutos que importam, não nos noventa que enchem a súmula.

Do outro lado, Thomas Tuchel montou uma Inglaterra menos apaixonada e mais funcional que as anteriores. Pickford no gol, Stones e Guéhi na zaga, Rice segurando o meio, Saka e Gordon pelos lados, Kane na frente e Bellingham fazendo o que fez contra a Noruega. Há dúvidas — Rice se recuperando de uma virose, Reece James voltando de lesão muscular, Quansah suspenso —, e as escalações prováveis divulgadas por aqui e por lá ainda divergem em uma peça ou outra, principalmente no ataque argentino, onde Julián Álvarez e Lautaro disputam a vaga ao lado de Messi.

O que a Espanha assiste do sofá

A Espanha já está na final. Bateu a França por 2 a 0 em Dallas, com Oyarzabal e Pedro Porro, e volta a uma decisão de Copa depois de 16 anos. La Roja terá quatro dias de descanso contra um adversário que hoje vai gastar, muito possivelmente, mais de noventa minutos — Argentina e Inglaterra somam quatro prorrogações neste Mundial.

E há uma ironia que já apontamos quando as semifinais foram definidas: a Copa de 48 seleções, vendida como a festa das zebras, entregou os quatro primeiros do ranking da FIFA na semifinal. Cabo Verde chegou perto de estragar o roteiro. Não chegou.

Onde assistir e o que esperar

O jogo tem transmissão de Globo e SBT na TV aberta, SporTV na fechada, e CazéTV, Ge TV e N Sports no YouTube — a pulverização de sinal que já rendeu discussão por aqui. Vencedor pega a Espanha no domingo, às 16h.

Se serve de aposta: a Argentina tem o jogador que decide sozinho e a memória de quem já ganhou isso há quatro anos. A Inglaterra tem o time mais equilibrado dos dois e um Bellingham em estado de graça. Copa não se ganha no currículo, mas quarenta anos depois de Maradona, os ingleses finalmente têm um argumento que não é só mágoa.

Fonte: FIFA

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Que horas é Inglaterra x Argentina?
A semifinal começa nesta quarta-feira, 15 de julho, às 16h de Brasília, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.
02
Onde assistir Inglaterra x Argentina ao vivo?
Globo e SBT transmitem na TV aberta, o SporTV na TV fechada, e CazéTV, Ge TV e N Sports no YouTube.
03
Quem enfrenta o vencedor de Inglaterra x Argentina na final?
A Espanha, que venceu a França por 2 a 0 na outra semifinal. A decisão será no domingo, 19 de julho, às 16h.
04
Qual foi o último jogo entre Inglaterra e Argentina em Copas?
Na fase de grupos de 2002, quando a Inglaterra venceu por 1 a 0 com gol de pênalti de David Beckham.

Fonte: FIFA, CNN Brasil, Lance, Metrópoles, ESPN · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.